Quatro pessoas recebem os órgãos de Vanessa


Coração, fígado e rins da estudante Vanessa Mustafá de Paula, atropelada na semana passada, foram transplantados em hospitais de Fortaleza

Não tinha outro jeito. Rafael Inácio Cordeiro, 13, precisava de outro coração. Porque o dele, com Tetralogia de Fallot, um defeito desde o nascimento, e um tipo de doença no músculo cardíaco, quase não dava conta de sustentar a vida. Segundo o pai do garoto, Francisco Inácio Cordeiro, 48, já havia planos dos médicos do Hospital de Messejana de implantar um coração artificial no peito do filho, para que ele pudesse esperar um pouco mais. “Quase não dava tempo. Mas deu, também graças à família, que doou o coração da mocinha“.

O órgão foi um dos que foram doados pela família da estudante Vanessa Mustafá de Paula, 22, atropelada no Centro na última quinta-feira, numa calçada em frente à escola de Enfermagem onde estudava. O acidente foi causado pelo avanço de sinal de um motorista de ônibus. O transplante cardíaco foi iniciado ainda na tarde da segunda-feira, dia em que foi confirmada a morte cerebral da moça. Também na segunda, foi bem sucedido o transplante de fígado num jovem de 27 anos, no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).

De acordo com a Central de Transplantes do Estado, as cirurgias de transplante dos rins ainda estavam em andamento na noite de ontem. No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), era operada uma mulher de 38 anos. No HUWC, uma mulher de 56 anos. As córneas da estudante também foram doadas, mas o transplante ainda não foi realizado.

No Hospital do Coração, O POVO encontrou um Rafael respirando sozinho, com estado de saúde considerado estável. E um Francisco de agradecimentos à toda a equipe médica. “Eu estava perdendo ele aos poucos e não podia dar jeito“, lembra. Foram três meses de expectativa, após ter trazido o garoto de Juazeiro do Norte para a Capital.

Religião
Segundo familiares e amigos, Vanessa era Testemunha de Jeová, religião que rejeita os transplantes de sangue. No entanto, não há qualquer restrição para que os fiéis sejam doadores de órgãos. É o que explica o ancião (correspondente ao pastor ou ao padre em outras religiões) Ted Kennedy de Alencar Moreira, da Congregação do Jardim América.

“Nós seguimos uma instrução em Atos, capítulo 15, que diz que devemos nos abster de sangue. Mas na Bíblia não existe condenação da doação de órgãos“. Ele ressalta que ela é um ato de amor. “Foi o que Jesus Cristo mais deixou como mandamento“. (Larissa Lima)

Link original: http://www.opovo.com.br/opovo/fortaleza/914553.html

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