Alemanha: escândalo sexual na Igreja Católica


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Todos os dias são conhecidos novos desenvolvimentos, isto é, mais abusos, do escândalo sexual que está a abalar a Igreja Católica na Alemanha. O caso forçou a uma tomada de posição da Conferência Episcopal germânica. Ao mesmo tempo, eclesiásticos criticam a Igreja de Roma e a moral sexual vigente.

Tudo começou no elitista colégio de Jesuítas Canisius-Kolleg, em Berlim. O Reitor do instituição começou por admitir que nas décadas de 1970 e 1980, vários alunos foram vítimas de abusos sexuais por parte de dois professores, agora aposentados. Mais recentemente, descobriu-se que há um terceiro professor e outros estabelecimentos de ensino ligados à Igreja envolvidos.

A Conferência Episcopal da Alemanha admitiu, entretanto, que o número de denúncias sobre casos de abuso sexual venha a aumentar. O tabu do abuso sexual por parte de padres despertou, neste momento, uma indignação crescente; políticos e religiosos reivindicam um maior esclarecimento sexual dentro da Igreja.

De acordo com um inquérito do jornal «Der Spiegel», nos últimos 15 anos, cerca de cem funcionários religiosos e funcionários leigos da Igreja Católica foram acusados de abuso sexual. A Conferência Episcopal reagiu e alertou para a necessidade de avaliar a veracidade das denúncias.

Trinta pessoas foram já condenadas, e mais dez religiosos estão sobre investigação.

«Os Verdes» alemães exigiram da Conferência Episcopal medidas concretas para prevenir e esclarecer casos de abuso. Os ecologistas consideram que seria importante para a Igreja pensar como lidar com as vítimas. Palavras de consolo e expressões de arrependimento são insuficientes, dizem.

A sexualidade e a Igreja

Após o início do escândalo, o teólogo alemão Hanspeter Heinz exigiu mudanças estruturais na forma como a Igreja lida com o abuso sexual por parte dos sacerdotes. Para o teólogo, a vida celibatária atrai pessoas que não reflectiram suficientemente sobre sua sexualidade ou querem esconder sua inclinação sexual.

Heinz também fez críticas sérias ao Vaticano e a diversas autoridades eclesiásticas, condenando a forma como lidam com a homossexualidade. Em importantes documentos recentes da Igreja católica, a homossexualidade é vista como uma doença e apontada como causa de abuso sexual infantil.

Um outro teólogo, o jesuíta Frieldhelm Mennekes, pediu que se faça a reflexão sobre o actual papel do sacerdote. Todo o padre corre o risco de «ser idealizado, até do ponto de vista erótico», e, na sua opinião, os padres encontram-se sobre uma «pressão inaceitável», para concluir que a «Igreja não merece mais confianças que outras instituições».

Roma já declarou que «não dispõe de informações especiais sobre estes incidentes», alegando ter obtido conhecimento do assunto através da imprensa.

Alegadas vítimas enviam filhos para o colégio

As investigações no colégio berlinense foram abertas por iniciativa da própria direcção perante indícios sérios e sistemáticos de abusos sexuais por parte dos professores com alunos, no passado recente.

Constatou-se que ex-alunos do Colégio de Canisius-Kolleg, hoje com 40 anos, e que alegadamente foram vítimas de abusos, no passado, enviaram filhos para a instituição.

Link original: http://www.tvi24.iol.pt/internacional/abusos-sexuais-padres-alemanha-igreja-tvi24/1138032-4073.html

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