Milhares lembram um mês do terremoto em cerimônia ecumênica no Haiti


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RIO – Sobre os destroços de igrejas, parques e em cima do que restou das calçadas, milhares de haitianos participaram, nesta sexta-feira, de uma cerimônia ecumênica nacional para relembrar o terremoto de magnitude 7 que há um mês destruiu o país e deixou cerca de 200 mil mortos. Líderes das duas religiões oficiais do Haiti – a Católica e o Vodu – juntaram-se a protestantes e um líder muçulmano. A cerimônia foi realizada próximo ás ruínas do Palácio Nacional e da praça Champ de Mars, transformada em enorme acampamento de sem-teto. Um mar de gente cantou, chorou, rezou e dançou. Enquanto os homens carregavam uma braçadeira preta, de luto, as mulheres usavam vestidos brancos com babados. O presidente haitiano, Réné Préval, chorou durante a cerimônia e foi consolado pela mulher.

– A dor é muito pesada, palavras não podem descrevê-la – disse Préval em seu primeiro grande discurso das últimas semanas.

Préval disse estar ali, diante da multidão, não como presidente, mas sim como um pai, mas pediu que o povo continue apoiando o governo. Ele não fez qualquer comentário sobre as pequenas demonstrações realizadas esta semana que pediam sua renúncia.

Acredita-se que o terremoto tenha sido responsável pela morte de pelo menos 200 mil pessoas, além de ter deixado outras 300 mil feridas e mais de um milhão sem casa em uma cidade de três milhões de habitantes. As agências de ajuda humanitária estão correndo contra o tempo para tentar prover abrigo a todos antes que a temporada de chuvas no país chegue.

Em outras partes da cidade, haitianos também se reuniram para celebrar a vida e relembrar as vítimas do tremor. Em Petionville, subúrbio de Porto Príncipe, fiéis lotaram as igrejas e instalaram auto-falantes pelas ruas para se fazerem ouvir. Outros acompanharam tudo de cima de destroços para relembrar as vítimas enterradas sem identificação em valas comuns nas proximidades da capital do país.

– Todas as famílias foram afetas por essa tragédia e estamos celebrando a memória das pessoas que perdemos – disse a haitiana Desiré Joseph Dorsaintvil.

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Alguns haitianos perguntam se Deus abandonou o país, a primeira república negra, fundada em 1804 após uma rebelião. Mas um líder da igreja católica atribui a culpa à natureza.

– A natureza pode ser hostil ao homem, mas Deus não nos deixará – disse Joseph Lafontant.

Na manhã desta sexta-feira, o sacerdote chefe do vodu, Max Beauvoir, disse à congregação que após o terremoto é tempo de todas as religiões se unirem. Ele homenageou todos os que perderam a vida na tragédia e, em referência à crença na reencarnação parte do vodu, disse que “as pessoas nunca morrem, as almas nunca morrem”.

Correspondentes no Haiti dizem que, desde o terremoto, o fervor religioso tem aumentado bastante no país, incentivado pela grande quantidade de ajuda que chega à região por meio de missões evangélicas.

Cientologistas, mórmons, batistas, católicos, testemunhas de Jeová e outros missionários enviaram missões ao Haiti, junto com comida para os desabrigados, e ofereceram ajuda médica e espiritual para os haitianos que vivem em acampamentos improvisados.

Link original: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/02/12/milhares-lembram-um-mes-do-terremoto-em-cerimonia-ecumenica-no-haiti-915853355.asp

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