Justiça decide mandar a júri popular pais que impediram transfusão


Mãe da menina de 13 anos, morta em 1993, é testemunha de Jeová.
Sentença saiu de desembargadores da 9ª Câmara Criminal do TJ.

Desembargadores da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram por maioria de votos nesta quinta-feira (18) que os pais da menina que morreu por não ter recebido transfusão de sangue devem ir a júri popular. Juliana Bonfim da Silva, de 13 anos, morreu em 22 de julho de 1993. A mãe dela é testemunha de Jeová e o procedimento vai contra os preceitos dessa crença.

Para três dos cinco desembargadores que julgaram o caso, os pais e um médico amigo da família, que também testemunha de Jeová, mas não cuidou da garota, assumiram o risco ao impedir a ação dos médicos do hospital em São Vicente, na Baixada Santista, onde a criança estava. Já a defesa, no entanto, sustentou que era dever dos médicos “independente da vontade da paciente e dos seus pais” salvar a sua vida.

“Jogaram aos leões os pais que são leigos nas questões médicas”, disse o advogado Alberto Zacharias Toron, defensor de Hélio Vitória dos Santos e Idelmir Bonfim de Souza, responsáveis pela garota. Ele afirmou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, caso necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante mais de uma hora e meia, advogados e desembargadores discursaram sobre de quem seria a culpa. Se dos pais ou da equipe médica do hospital que cuidou da paciente. Segundo o desembargador Francisco Bruno, que votou a favor do júri popular, este é um dos “casos mais difíceis” que ele julgou. “Torço pelos réus. Agora, dizer que não devem ir ao júri eu não posso”, completou.

Votaram junto com Bruno os magistrados Roberto Midolla e Antonio Sérgio Coelho de Oliveira. A favor do casal e do médico votaram os desembargadores José Orestes de Souza Nery e Waldir Sebastião De Nuevo Campos Júnior.

Para Toron, a equipe médica hesitou em realizar a transfusão, pois a família questionava o procedimento. E, segundo o advogado, essa demora no atendimento iria contra o código de ética médica.

Walter Freua, indicado pelas testemunhas de Jeová para dar entrevistas em São Paulo, disse que esse é um princípio bíblico. Segundo ele, no capítulo 15 do livro Atos dos Apóstolos está escrito que “devemos nos abster de sangue”. Freua explica que “o sangue para Deus é sagrado, é a vida da pessoa e deveria ser respeitado”. Ele também diz que se abster de sangue inclui transfusão, ingestão ou qualquer tratamento.

Link original: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/11/justica-decide-mandar-juri-popular-pais-que-impediram-transfusao.html

 

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2 responses to this post.

  1. Posted by josé orlando on 22/11/2010 at 09:18:07

    As testemunhas de Jeová é a religião que mais respeita a vida. Tanto que não concorda com o aborto, o suicídio e não faz uso de arma de fogo em nenhuma circunstância. Para os que tanto defendem a transfusão de sangue ontratriando a lei de Deus que está na Bíblia, garantem impedir a morte por meio de transfusão de sangue?

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  2. Posted by josé orlando on 22/11/2010 at 09:31:57

    As testemunhas de Jeová é a religião que mais respeita a vida. Tanto que não concorda com o aborto, o suicídio e não faz uso de arma de fogo em nenhuma circunstância. Para os que tanto defendem a transfusão de sangue contrariandoa lei de Deus que está na Bíblia, garantem impedir a morte por meio de transfusão de sangue?

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