Luíz Ferreira: um português num campo de contração nazi


Nasceu em Guimarães em 1902, mas mudou-se para França ainda jovem. Foi em Lyon que integrou o partido comunista. Como militante lutou na guerra civil espanhola, e, ao lado da resistência lutou contra os nazis na França ocupada.

Luiz Ferreira Martins, funileiro de profissão, era sobretudo um homem de uma causa só . Como militante do partido comunista francês foi voluntário na guerra civil espanhola . De regresso a Lyon, a cidade onde vivia, acabou por lutar, ao lado da resistência francesa.

Frase inscrita no portão do campo de Buchenwald: «a cada um o seu»

Frase inscrita no portão do campo de Buchenwald: «a cada um o seu»

Uma luta que durou uns meses porque em outubro de 1940 foi preso tendo ficado quatro anos na prisão de Eysses. Depois chegou a ordem de deportação. Luíz e muitos outros comunistas foram levados para o leste da Alemanha para o campo de Buchenwald.

Não sendo um campo de extermínio, Buchenwald era um campo de trabalhos forçados para aqueles que eram considerados inimigos de Hitler como comunistas, judeus, homosexuais, ciganos e testemunhas de Jeová. Sob o olhar das SS, ali ficou cerca de um ano sujeito a trabalhos forçados e vivendo em condições «miseráveis».

Luíz sobreviveu. Em abril de 1945, as tropas americanas libertaram Buchenwald. O português regressou a França onde retomou o seu trabalho de funileiro. Foi sindicalista e comunista até morrer em 1991 com 89 anos de idade.

Luíz só voltou a pisar solo português em 1966. Visitou a família e regressou a França. Voltou outra vez nos anos 70, já depois do 25 de abril , mas apenas para nova visita. Aos poucos estabeleceu uma especial ligação à sobrinha Amélia Martins. É ela que hoje guarda as suas memórias.

Amélia recorda as longas horas de conversa com o tio em que ele lhe contava o que viveu. Também é ela que possui as fotografias e os livros que atestam a sua vivência. Um deles merece referência especial. Tem o título “La Deportation”, foi feito pela Fédération Nationale des Déportes et Internés Résistants et Patriotes, e contem a inscrição em francês: «impresso especialmente para Louis Ferrera Martins deportado em Buchenwald».

Este livro contém centenas de fotografias e textos em francês. Dentro encontram-se folhas pautadas com pequenas notas escritas à mão. São uma espécie de “legendas” que Luíz escreveu para que Amélia entendesse tudo o que via naquele livro.

Link original: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4365064&page=2

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