ENTREVISTA Papa: O capelão de S. José que não gosta de medir a vivência religiosa (Portugal)


Como capelão hospitalar, Carlos Matos conhece bem o significado da palavra sofrimento, convive diariamente com a aproximação e o afastamento à fé católica, mas perante a pergunta “há menos católicos” responde que a vivência religiosa é difícil de quantificar.

“É verdade que tem havido um decréscimo da prática religiosa católica, mas aquilo que é a vivência religiosa é difícil de quantificar”, disse à agência Lusa o capelão do Hospital de São José, um dos cerca de 90 que diariamente celebram cerimónias religiosas nas capelas e enfermarias em todo o país, visitam doentes, são procurados por pacientes e familiares e lutam contra a solidão.

Um estudo sobre confissões religiosas em Portugal revelou que o número de católicos tem vindo a diminuir em Portugal em contraponto com o universo protestante, incluindo evangélicos, e as testemunhas de Jeová que registaram um aumento.

A investigação é de 2012, mas os números continuam atuais e com a visita do papa Francisco ao santuário de Fátima nos dias 12 e 13 de maio, por ocasião do centenário das “aparições”, e onde serão esperados milhares de peregrinos, a fé católica ganhou notoriedade noticiosa.

Na verdade, defende o padre Carlos, a igreja católica tem de se convencer que “a questão da maioria já não é um fator de relação com os outros, à luz da mensagem de Cristo”.

“Os números podem não ser grandes, mas a qualidade talvez seja diferente”, disse, adiantando que Fátima é um fenómeno social e religioso interessante, um local onde ninguém faz julgamentos.

Carlos Manuel Matos, um homem da área das ciências nascido em 1971, foi ordenado padre aos 31 anos, tendo iniciado as suas funções na capelania em 2008. O seu dia-a-dia é preenchido a escutar os doentes que pedem assistência espiritual, porque muitos só querem mesmo conversar, sem nunca julgar.

“Toda a gente tem direito à assistência religiosa independentemente da sua fé, credo e filosofia, de ser ou não casado ou de ter uma orientação sexual diferente”, disse registando que por vezes é na dor, no sofrimento, na doença que surge a procura de Deus, registando assim a sua capelania um aumento.

“Tem havido um aumento? Sim tem. As pessoas procuram por uma questão religiosa mas mesmo os que não têm formação cristã procuram alguém que os escute. Há um trabalho de humanização da saúde com o contributo da assistência religiosa.

Para o padre Fernando Sampaio, coordenador das capelanias hospitalares e há 30 a fazer assistência espiritual aos doentes, é difícil perceber nos hospitais se há aumento ou diminuição da religiosidade.

O que é possível, adianta, é aferir que há encontros e desencontros com a fé em momentos de dor.

“Há pessoas que, nos hospitais, às vezes zangam-se com a religião, zangam-se com Deus e tem receio da visita do padre. Outras que não vivem a fé na sua vida mas quando chegam ao hospital lembram-se. Há uma ambivalência face ao sofrimento, mas a aproximação é muito maior do que a rejeição”, exemplificou.

Contudo, observa, é notória uma maior expressão da religiosidade no norte do país. No Sul já não é tanto assim e existem até alguns preconceitos até porque nem sempre, adianta, a fé é bem recebida nos hospitais.

Questionado sobre a vinda do papa a Portugal e se de alguma forma contribuirá para aumentar o número de católicos no país, o padre Sampaio, que também fará a sua peregrinação a Fátima responde: “É possível que toque alguns, mas não estou convencido que aumente”.

O papa Francisco visita Fátima, a 12 e 13 de maio, para canonizar os dois pastorinhos Jacinta e Francisco no centenário das “aparições” na Cova da Iria, em 1917.

Link original: http://www.dn.pt/lusa/interior/entrevista-papa-o-capelao-de-s-jose-que-nao-gosta-de-medir-a-vivencia-religiosa-6254404.html

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