Archive for the ‘Holocausto’ Category

[DM / Entretenimento] Hoje na História


7 de julho é o 188º dia do ano no calendário gregoriano (189º em anos bissextos)

EVENTOS HISTÓRICOS
1456 – Joana d’Arc é absolvida (após ter sido executada). – Joana d’Arc ( 1412 – 30 de maio de 1431), cognominada “A Donzela de Or­léans” e também conhecida como Joana d’Arc, a ruiva é uma heroí­na francesa e santa da Igreja Cató­lica. É a santa padroeira da França e foi uma chefe militar da Guerra dos Cem Anos, durante a qual to­mou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os Borguinhões e seus aliados ingleses. Foi executada na fogueira, em um auto de fé pelos Borguinhões em 1431. Camponesa, modesta e analfabeta, foi uma már­tir francesa e também heroína de seu povo, reabilitada 25 anos após sua morte, em 1456, pelo Papa Ca­listo III, por considerar seu proces­so inválido, e canonizada em 1920, pelo papa Bento XV.

1515 – As Cortes de Castela de­claram formalmente a anexação do Reino de Navarra à Coroa de Castela.

1520 – Ocorre a Batalha de Otumba. – Por volta de março de 1519, Hernán Cortés, com um exér­cito de conquistadores desembar­cou na costa leste do México. Cortés havia recebido ordens de subjugar a região (na época dominada pelo Império Asteca) em nome do Reino da Espanha. Através de força bruta e manobras politicas, os espanhóis conseguiram firmar alianças com os povos Totonacas e Tlaxcaltecas (inimigos jurados dos astecas) e as­sim reuniram um grande exército e então marcharam rumo a cidade de Tenochtitlan, a maior da região. Em novembro, tropas espanholas adentraram na cidade e foram rece­bidas pelo seu governante, o impe­rador Moctezuma II. Inicialmente, os conquistadores europeus foram bem recebidos e não houve tantos tumultos, contudo tensões entre as partes escalaram e ao fim de junho de 1520 os nativos expulsaram os espanhóis e seus aliados tlaxcalte­cas de Tenochtitlan, no evento que ficou conhecido como La Noche Triste (“A noite triste”). Cortés ini­ciou então uma retirada até Tlax­cala, enquanto suas forças eram importunadas por guerrilheiros as­tecas. Foi então que a liderança as­teca resolveu pega-los enquanto recuavam. Após ser expulso da ci­dade pelos nativos na “Noite Tris­te”, as forças espanholas remanes­centes fugiram para as planícies do vale de Otumba, onde eles encon­traram uma grande tropa Asteca de no mínimo 20.000 combatentes. Os astecas não conseguiram sobrepu­jar o inimigo completamente, ape­sar destes estarem em muito menor número e ainda estarem cansados e famintos. Os espanhóis também usaram muito bem os poucos ca­valeiros que tinham, assustando os astecas com ataques frontais. No fi­nal, os espanhóis e os tlaxcalanos conseguiram botar o exército aste­ca em retirada, após uma violenta batalha. Os conquistadores então se reagruparam e recuperam sua força e mais tarde lançariam no­vas ofensivas em território asteca.

1769 – Guilherme Stephens re­cebe a administração da Fábrica de Vidros da Marinha Grande.

1877 – Parte para Angola, a bor­do do paquete Zaire, a primeira ex­pedição geográfica portuguesa ao sertão africano, chefiada por Ser­pa Pinto e Hermenegildo Capelo.

1942 – Himmler decide dar iní­cio aos experimentos com prisio­neiros em Auschwitz. – Auschwitz (em alemão: Konzentrationslager Auschwitz, pronunciado, também KZ Auschwitz ou KL Auschwitz) é uma rede de campos de concen­tração localizados no sul da Polô­nia operados pelo Terceiro Reich e colaboracionistas nas áreas polo­nesas anexadas pela Alemanha Na­zista, maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. A partir de 1940, o governo de Adolf Hitler construiu vários campos de concen­tração e um campo de extermínio nesta área. A razão direta para sua construção foi o fato de que as pri­sões em massa de judeus, especial­mente poloneses, por toda a Euro­pa que ia sendo conquistada pelas tropas nazistas, excediam em gran­de número a capacidade das pri­sões convencionais até então exis­tentes] Ele foi o maior dos campos de concentração nazistas, consis­tindo de Auschwitz I (Stammlager, campo principal e centro adminis­trativo do complexo); Auschwitz II – Birkenau (campo de extermínio), Auschwitz III – Monowitz, e mais 45 campos satélites. Por um longo tempo, Auschwitz era o nome ale­mão dado a Oświęcim, na Baixa Po­lônia, a cidade em volta da qual os campos eram localizados. Ele tor­nou-se novamente oficial após a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939. “Birkenau”, a tradução alemã para Brzezinka (flo­resta de bétulas), referia-se original­mente a uma pequena vilapolonesa que foi destruída para que o campo pudesse ser construído. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o Reichsführer da SS, deu ordens para que a área dos antigos aloja­mentos da artilharia do exército, no local agora oficialmente nomina­do Auschwitz, ex-Oświęcim, fosse transformada em campos de con­centração.[4] No complexo cons­truído, Auschwitz II – Birkenau foi designado por ele como campo de extermínio e o lugar para a Solução Final dos judeus. Entre o começo de 1942 e o fim de 1944, trens trans­portaram judeus de toda a Europa ocupada para as câmaras de gás do campo.[5]:6 O primeiro comandan­te, Rudolf Höss, testemunhou de­pois da guerra, no Julgamento de Nuremberg, que mais de três mi­lhões de pessoas haviam morrido ali, 2.500.000 gaseificadas e 500.000 de fome e doenças.[6] Hoje em dia os números mais aceitos são em tor­no de 1,3 milhão, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados para Auschwitz e executados foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos ro­menos, 15 mil prisioneiros de guer­ra soviéticos, cerca de 400 Testemu­nhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalida­des. Aqueles que não eram execu­tados nas câmaras de gás morriam de fome, doenças infecciosas, tra­balhos forçados, execuções indivi­duais ou experiências médicas. Em 27 de janeiro de 1945 os campos fo­ram libertados pelas tropas sovié­ticas, dia este que é comemorado mundialmente como o Dia Inter­nacional da Lembrança do Holo­causto, assim designado pela As­sembleia Geral das Nações Unidas, resolução 60/7, em 1 de novembro de 2005, durante a 42º sessão ple­nária da Organização.[9] Em 1947, a Polônia criou um museu no local de Auschwitz I e II, que desde en­tão recebeu a visita de mais de 30 milhões de pessoas de todo mun­do, que já passaram sob o portão de ferro que tem escrito em seu cimo o infame motto “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta). Em 2002, a UNES­CO declarou oficialmente as ruí­nas de Auschwitz-Birkenau como Patrimônio da Humanidade. Os médicos de Auschwitz realizaram uma ampla série de experiências com os prisioneiros, individuais e coletivas. Os doutores Carl Clau­berg e Kurt Heissmeyer são alguns dos mais conhecidos médicos que usaram cobaias humanas para tes­tar novas teses. Clauberg fez expe­riências para testar a eficiência do raio-X como método de esteriliza­ção feminina administrando lar­gas doses de radiação nas prisio­neiras. Ele injetava grandes doses no útero das mulheres para tentar colá-los e impedir a reprodução. A empresa Bayer, grande multina­cional farmacêutica ativa até hoje, então uma subsidiária da IG Far­ben, comprava prisioneiros de Bir­kenau para servirem de cobaias no teste de novas drogas. Heissmeyer, que considerava judeus humanos e cobaias animais de laboratório como a mesma coisa, comandava experiências em crianças e fez di­versas experiências injetando ba­cilos vivos da tuberculose direto no pulmão de prisioneiros, na tentati­va de conseguir uma vacina para a doença. O que mais conseguiu uma infame notoriedade após a guer­ra, porém, foi o Dr. Josef Mengele, conhecido como “Anjo da Morte”; ele tinha uma especial predileção por gêmeos e anões. Mengele fazia cruéis experiências com os primei­ros, como provocar doenças num deles para saber o que acontecia com o segundo ou matando este quando o primeiro morria, para fa­zer autópsias comparativas. Com os anões, costumava provocar-lhes gangrena para estudar os efeitos na carne. A mando de Heissmeyer, ele foi o responsável pela escolha de vinte crianças do campo para serem objeto de “pesquisa científica” no campo de concentração de Neuen­gamme, após as quais foram todas enforcadas em ganchos pendura­dos no teto do porão de uma escola em Hamburgo, junto com as enfer­meiras, todas também prisionei­ras judias, que os acompanhavam.

1947 – Um disco voador, que teria caído na cidade de Roswell, nos Estados Unidos, provocou um dos maiores mistérios do sécu­lo. – O Caso Roswell, ou Inciden­te em Roswell (em inglês: The Ros­well UFO Incident), é um dos casos mais famosos da ufologia mundial, diz respeito a uma série de acon­tecimentos ocorridos em julho de 1947 na localidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Esta­dos Unidos, onde, segundo teóricos da conspiração, um objeto voador não identificado (ou OVNI) teria caído. A versão oficial do governo relata que um balão de vigilância da Força Aérea dos Estados Unidos caiu num rancho na cidade de Ros­well, mas muita gente levantou afir­mações de que o objeto que caiu teria sido de uma nave alienígena. Depois de um pico inicial de inte­resse, militares informaram oficial­mente que a queda apenas tinha sido mesmo de um balão meteo­rológico. O interesse sobre o caso era pouco até os anos 70, quando ufólogos começaram a formar va­riadas teorias da conspiração, afir­mando que uma ou mais naves ex­traterrestres haviam colidido com a superfície terrestre, e que os tripu­lantes alienígenas haviam sido re­cuperados por militares que depois cobriram a situação e tentaram es­conder o que realmente tinha acon­tecido. Nos anos 90, as forças arma­das norte-americanas publicaram relatórios divulgando a verdadeira natureza do balão do Projeto Mogul que caiu. Mesmo assim, o inciden­te de Roswell continua a ser do inte­resse da mídia popular, e persistem a criação de teorias da conspira­ção em torno deste caso. Roswell já foi chamado de “o caso mais co­nhecido, mais investigado e o mais desmascarado envolvendo OVNIs”.

1977 – Inaugurada a TV Ban­deirantes no Canal 7 do Rio de Janeiro começou das 7h00 da manhã.

1978 – Independência das Ilhas Salomão.

2005 – Londres, sofre uma sé­rie de atentados terroristas, com explosões em um ônibus (autocar­ro) e no sistema de metrô (metro).

2007 – O Live Earth é realizado em diversas cidades do mundo si­multaneamente.

2011 – O jornal britâni­co News of The World encerra após o escândalo do seu envol­vimento em escutas telefônicas. – News of the World foi um jor­nal britânico em formato tablói­de, publicado semanalmente aos domingos. Considerado a edição dominical de sua publicação-ir­mã, o The Sun, pertenceu ao gru­po de comunicação social norte­-americano News Corp de Rupert Murdoch. Concentrava sua abor­dagem temática em fofocas so­bre celebridades e notícias po­pulistas abordadas de maneira sensacionalista, e sua predileção por temas relacionados a escân­dalo sexuais lhe trouxe apelidos depreciativos populares, como “News of the Screws” e “Screws of the World”. Manteve uma ven­da média de 2.993.709 cópias por semana (em fevereiro de 2010), o News of the World foi um jor­nal em inglês de maior vendagem no mundo. O editor Andy Coul­son renunciou em 26 de janeiro de 2007 depois de um escânda­lo envolvendo escutas em tele­fones da família real britânica, e foi substituído no cargo por Colin Myler, ex-editor do Sunday Mir­ror que havia trabalhado por mui­to tempo no New York Post. Entre editores célebres do jornal estão Piers Morgan e Rebekah Wade, que substituiu Phil Hall em 2000. Por conta de vários escândalos, o tabloide foi fechado em julho de 2011, após novas denúncias e in­vestigações da Polícia Metropoli­tana de Londres que acredita que até 4.000 pessoas tiveram seus te­lefones grampeados por repórte­res do jornal, entre elas estavam Alex Pereira, primo de Charles de Menezes, morto á tiros pela po­lícia britânica, Coulson, ex-chefe de imprensa do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, Neil Wallis, o ex-diretor-executivo do News entre outras pessoas con­sideradas importantes. Sean Hoa­re, o primeiro a relatar que o editor Andy Coulson tinha conhecimen­to das escutas ilegais foi encontra­do morto na sua casa em Watford em 18 de julho de 2011.

 

 

NASCIMENTOS:

1940 – Ringo Starr vocalista e bateristabritânico.– SirRichardStar­key, Kt, MBE (Liverpool, 7 de julho de 1940), mais conhecido pelo seu nome artístico Ringo Starr, é um mú­sico, baterista, multi-instrumentis­ta, cantor, compositor e ator britâni­co, que ganhou fama mundial como baterista dos Beatles após substituir Pete Best, ficando nos Beatles até a separação do grupo em 1970. Quan­doabandafoiformadaem1960, Starr era membro de outra banda de Liver­pool, Rory Storm and the Hurricanes. Além de atuar como baterista, Starrfoi intérprete de canções de sucesso dos Beatles (em particular, “With a Little HelpfromMyFriends” e“YellowSub­marine”), como co-autor em “What Goes On” e compôs “Don’t Pass Me By” e “Octopus’s Garden”. Ringo é co­nhecido pelo seu estilo seguro de to­car e pelos seus toques de originalida­de. O apelido Ringo surgiu por causa dos anéis que Ringo gostava de usar (ring quer dizer anel em inglês). Ele também é vegetariano, assim como outros integrantes dos Beatles, Paul McCartney e George Harrison. Em 2011, Starr foi eleito o 4º maior bate­rista de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Após a dissolução dos Beatles em 1970, Starr lançou-se em uma carreira solo de sucessos, e for­mou uma banda a All Starr Band, na ativa desde 1989. Em 1966, junto com seus colegas de banda, Ringo foi agra­ciado pela Rainha Elizabeth II com a medalha da Ordem do Império Bri­tânico (MBE), o que não fez dele um “sir”. No dia 20 de março de 2018, cin­quenta e três anos após ter recebido a medalha do Império Britânico, o Du­que de Cambridge concedeu a Ringo Starr o título de Cavaleiro Celibatário do Império Britânico e o nomeou“sir”, em reconhecimento aos “seus servi­ços pela música”.

 

 

MORTES:

1990– Cazuza, cantor e compo­sitor brasileiro(n. 1958).– Agenorde Miranda Araújo Neto, mais conheci­do como Cazuza (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 – Rio de Janeiro, 7 de ju­lho de 1990), foi um cantor, composi­tor, poeta e letrista brasileiro. Primei­ramente conhecido como vocalista e principal letrista da banda Barão Ver­melho,[1] na qual fez bem sucedida parceria com Roberto Frejat, Cazuza posteriormente seguiu carreira solo, sendo aclamado pela crítica como um dos principais poetas da música brasileira. Cazuza também ficou co­nhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em en­trevistas que era bissexual. Em 1989 declarou ser soropositivo(termousa­do para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da Imu­nodeficiência Adquirida), e morreu em 1990, no Rio de Janeiro. Em ou­tubro de 2008 a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo re­sultado colocou Cazuza na 34ª posi­ção. Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamen­to alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficouinternadoatémarçode1990vol­tando assim para o Rio de Janeiro. No dia 7 de julho de 1990, Cazuza morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro com­pareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, co­berto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi enterra­do no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de már­more do túmulo aparece o título de seu último grande sucesso, “O Tem­po Não Para”, e as datas de seu nasci­mento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codino­me.[7] No ano seguinte, foi lançado o álbum póstumo Por aí.

2006 – Syd Barrett, cantor, pro­dutor, guitarrista e pintor britânico (n. 1946). Roger Keith Barrett, mais conhecido como SydBarrett(Cam­bridge, 6 de janeiro de 1946 – Cam­bridge, 7 de julho de 2006) foi um can­tor, produtor, guitarrista e pintor inglês, mais lembrado como um dos funda­dores do PinkFloyd. Vieram de Barrett as principais ideias musicais e estilísti­cas daquela que, então, era uma ban­da de rock psicodélico, assim como o nome do grupo. Todavia, especulações sobre sua deterioração mental, agrava­da pelo exagerado uso de drogas, le­varam à sua saída da banda, em 1968. Além de ser um dos pioneiros do rock psicodélico, com as suas expressivas linhas de guitarra e composiçõesima­ginativas, Barrett também foi um dos pioneiros do space rock e do folk psi­codélico. Esteve ativo enquanto mú­sico por apenas sete anos, gravando, com o Pink Floyd, quatro singles, dois álbuns e diversas músicas não lança­das; como artista solo, lançou um sin­gle e três álbuns, até entrar em reclusão autoimposta, queduroumaisdetrinta anos. Em sua vida pós-música, ele con­tinuou pintando e se dedicou à jardi­nagem. Nunca mais voltou a público. Barrett morreu em 2006, por compli­cações advindas de Diabetes. Diversas biografias foram escritas sobre ele des­de os anos 80, e o Pink Floyd escreveu e gravou inúmeros tributos a ele após sua saída do grupo, sendo o mais co­nhecido dele so álbumWishYouWere Here, de 1975. Em 1996, ele foi induzi­do ao Hall da Fama do Rock and Roll, como membro do Pink Floyd.

Link original: https://www.dm.com.br/entretenimento/2018/07/hoje-na-historia-159.html

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[Correio do Povo de Alagoas] Polônia: um roteiro pela Cracóvia e os campos de Auschwitz e Birkenau


Visitar os campos de concentração criados pelos nazistas é lembrar de nunca mais esquecer as atrocidades cometidas pelo ser humano

Viajar é sempre uma experiência transformadora e tem variados fins. Pode-se viajar por motivos de descanso, iniciação e aprendizado sobre uma cultura específica ou mesmo por curiosidade e importância hitórica do lugar.

Um exemplo claro disso é visitar os campos de concentração criados pelos nazistas. A maioria estão concentrados na Polônia e Alemanha. Seu objetivo era o extermínio ou concentração e trabalhos forçados de grupos étnicos como (judeus, ciganos, polacos, sintis, yeniches), políticos (anarquistas, comunistas), homossexuais e minorias religiosas (Testemunhas de Jeová).

Cracóvia (Polônia)
Cracóvia é a terceira maior cidade da Polônia, e há muito tempo foi capital do país. Localiza-se no sul da Polônia e as margens do rio Vístula. Apesar de possuir um centro histórico relativamente pequeno, possui interessantes pontos turísticos para conhecer.

O centro histórico de Cracóvia e o Castelo Wawel estão na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1978. Tida como uma das mais bonitas cidades da Europa, sua praça central, a Rynek G?ówny, está entre as maiores europeias. É uma cidade muito procurada por turistas, principalmente pela sua proximidade ao Campo de Concentração de Auschwitz, que fica a aproximadamente 70 Km de distância.

Pouco bombardeada durante a 2ª Guerra Mundial, conseguiu conservar boa parte de suas belas construções.

Cracóvia – Auschwitz por conta própria
Auschwitz localiza-se a cerca de uma a uma hora e meia de carro a partir de Cracóvia, numa área conhecida pelos poloneses como Oswiecim (Auschwitz foi o nome dado pelos nazistas) e, na verdade, é um complexo formado por dois campos de concentração: Auschwitz I e Auschwitz II (ou Birkenau), distantes cerca de 3,2 km um do outro.

Vários hotéis e agências de viagem em Cracóvia oferecem o passeio para os campos de concentração, incluindo o transporte de ida e volta. Mas, obviamente, o valor a ser pago será maior do que o custo para aqueles que decidirem ir e voltar por conta própria.

A primeira coisa que você precisa fazer é acessar o site oficial de Auschwitz para efetuar a sua reserva, escolhendo o dia e horário exato da sua visita. a depender do horário, haverá dois tipos de tours, um individual sem educador e um tour guiado (com duração de 3,5 horas) em um idioma específico (há opções em inglês, polonês, espanhol, alemão e francês).

Lembrando que o tour individual é gratuito. Caso você opte por um tour guiado, terá que pagar 40 PLN. Uma vez realizando a reserva online, você receberá um e-mail de confirmação com o ingresso em anexo. Basta imprimi-lo e comparecer, no local, na hora exata da reserva.

Ônibus para Auschwitz
Para ir de Cracóvia até o campo de concentração de Auschwitz, você deverá pegar um ônibus no principal terminal rodoviário da cidade, em ‘Krakow Glówny’, co saída de ônibus a cada 30 minutos.

Como falamos ali em cima, já que o trajeto é de mais ou menos uma hora e meia, convém comprar os bilhetes do ônibus para 2 horas antes do horário marcado para visitação em Auschwitz.

O bilhete para o ônibus deve ser comprado no primeiro andar da estação. Se o atendente não entender do que você está falando, mostre a palavra ‘Oswiecim’, que é como os poloneses chamam o local onde se encontram os campos de concentração.

Não é possível comprar a passagem de volta no terminal. Pra isso você deve falar diretamente com o motorista ao embarcar no ônibus de volta em Auschwitz.

Ao chegar ao destino (Aushwitz I), decore o ponto de descida. Há dois motivos para isso: primeiro porque será neste mesmo ponto onde você pegará o ônibus para seguir para Auscwitz II, após conhecer Aushwitz I; segundo porque será também neste ponto onde você pegará o ônibus de volta para Cracóvia.

Logo que descer do ônibus, você verá, em um poste, uma placa com os horários de saída dos ônibus para Cracóvia. Fotografe-a para programar o seu horário de retorno.

Após visitar o campo de Aushwitz I, você deve pegar o ônibus escrito ‘Birkenau’, que tem saídas a cada 10 a 15 minutos, aproximadamente e é gratuito. Após terminar o passeio em Biekenau, pegue novamente o ônibus que faz o trajeto entre os campos e retorne para Auschwitz I. Agora é só esperar o ônibus que retornará para Cracóvia no mesmo ponto.

Como se preparar?
Nos campos de concentração existem grandes espaços abertos. Isso significa que você vai passar um bom tempo andando debaixo de sol, chuva ou neve. Vá com roupas adequadas pra o clima, sapatos confortáveis e carregando pouca tralha. Vale levar uma garrafa d’água, óculos escuros e talvez algo pra comer, porque as cafeterias ficam na entrada dos memoriais.

Link original: http://correiodopovo-al.com.br/noticia/2018/07/02/polonia-um-roteiro-pela-cracovia-e-os-campos-de-auschwitz-e-birkenau

[Brasil Escola] Cinco fatos sobre a Segunda Guerra Mundial


A Segunda Guerra Mundial foi o maior evento que aconteceu ao longo do século XX. Deixou um rastro de destruição e morte ao longo dos anos do conflito.

Tropas aliadas desembarcando nas praias da Normandia durante o Dia D, em 1944

Tropas aliadas desembarcando nas praias da Normandia durante o Dia D, em 1944

A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade em questões de intensidade, recursos financeiros e humanos mobilizados e pela quantidade de vítimas. Ao longo dos seis anos de conflito, a violência espalhou-se por diferentes continentes, resultando na morte de aproximadamente 70 milhões de pessoas.

Grandes destaques dos anos da Segunda Guerra Mundial foram a construção de campos de concentração pela Alemanha Nazista, sobretudo na Polônia, que tinham o objetivo de escravizar e exterminar judeus, ciganos, testemunhas de jeová, homossexuais etc. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, foram utilizadas pela primeira vez armas atômicas, lançadas pelos EUA contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

A respeito da Segunda Guerra Mundial, separamos algumas curiosidades e fatos pouco explorados:

1) Campos de concentração nos EUA
Durante a Segunda Guerra Mundial, foram criados nos Estados Unidos dez campos de concentração em diferentes partes do país para abrigar a população de nipo-americanos. A construção desses campos de concentração foi resultado da histeria de guerra que fortaleceu a xenofobia contra cidadãos de descendência japonesa.

A xenofobia contra cidadãos nipo-americanos era algo que existia nos Estados Unidos pelo menos desde o início do século XX e fortaleceu-se após os Estados Unidos terem sido atacados pelo Japão em Pearl Harbor, no ano de 1941. Ao todo, mais de cem mil pessoas foram realocadas nesses campos de concentração e encontraram péssimas condições de vida nesses locais. O último campo de concentração nos Estados Unidos foi desativado em 1946.

2) Unidade 731
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão, orientado pelo seu nacionalismo xenófobo e seu militarismo radical, cometeu uma série de crimes de guerra. Um dos locais onde várias pessoas foram vítimas da brutalidade cometida pelo exército japonês foram as instalações da Unidade 731. Essa unidade foi criada com o nome de “Unidade de Proteção Epidêmica e Abastecimento de Água do Exército Kwangtung” e tinha como função primordial fazer o controle de qualidade da água utilizada pelo exército japonês baseado na China.

No entanto, secretamente, a Unidade 731 foi utilizada pelo exército japonês para promover uma série de estudos macabros em cobaias humanas vivas e promover estudos para o desenvolvimento de armas químicas e biológicas. Assim, conforme afirmação do historiador Max Hastings:

Milhares de chineses capturados foram assassinados em testes feitos na base da unidade, perto de Harbin, muitos submetidos a vivissecção sem o benefício de anestésicos. Algumas vítimas eram amarradas em estacas para que bombas de antraz fossem detonadas à sua volta. Mulheres eram infectadas com sífilis em laboratório; civis da região eram sequestrados e injetados com vírus fatais|1|.

Os envolvidos com os experimentos da Unidade 731 não foram punidos como criminosos de guerra como parte de um acordo realizado entre os EUA e os médicos.

3) Traidor Quisling
Em abril de 1940, os nazistas colocaram fim a meses de marasmo e iniciaram a invasão da Noruega. A invasão da Noruega havia sido autorizada após adiamento duplo da operação que conduziria a invasão da Holanda, Bélgica e França. Assim, a Noruega surgiu como alternativa para que os nazistas tivessem o controle sobre uma posição estratégica de apoio aéreo e que lhe garantiria acesso à produção de ferro da Suécia.

A invasão da Noruega pelos nazistas aconteceu após Hitler ter sido convencido pelo almirante Erich Raeder e pelo norueguês pró-nazista Vidkun Quisling. Quando os nazistas invadiram a Noruega, Quisling tornou-se chefe do governo colaboracionista por um breve tempo e a atuação de Quisling em convencer Hitler a invadir seu próprio país fez com que seu sobrenome “Quisling” se transformasse em um substantivo na língua inglesa para se referir a pessoas traidoras ou que se voltam contra seu próprio país.

4) O massacre dos judeus de Kiev
Um dos episódios mais tristes de toda a Segunda Guerra foi o holocausto, responsável pela morte de 6 milhões de pessoas, na maioria de origem judia. Ao longo da guerra, os nazistas criaram diferentes mecanismos e formas de encontrar e exterminar os judeus, sobretudo no Leste Europeu. Em um primeiro momento, os nazistas utilizavam-se do Einsatzgruppen, esquadrões da morte responsáveis por localizar e executar todos os judeus das áreas que atuavam.

Um evento particular relacionado com a atuação do Einsatzgruppen aconteceu na cidade de Kiev, à época pertencente à União Soviética (atual Ucrânia). Logo após a conquista da cidade, um prédio ocupado pelos nazistas foi atacado a bomba, o que enfureceu os nazistas. Como represália, o comando nazista local autorizou a execução de todos os judeus que ainda habitavam em Kiev.

Os relatos contam que os nazistas reuniram uma multidão de judeus em uma parte da cidade e iniciaram um fuzilamento que, durante 36 horas, foi responsável pela morte de mais de 33 mil pessoas. Esse evento conhecido como “Massacre de Babi Yar” foi um dos maiores massacres que aconteceram durante a guerra, e os relatos contam que o local onde os corpos foram enterrados minou sangue durante meses.

5) Canhões gigantescos
Durante os anos do conflito, a máquina de guerra nazista trabalhou de maneira obstinada no desenvolvimento de armamentos mais eficazes para utilizar na guerra. A megalomania e a engenhosidade dos nazistas fizeram com que eles construíssem os maiores canhões que foram utilizados durante a Segunda Guerra Mundial.

Os canhões receberam o nome de Schwerer Gustav e Dora, e sua construção foi um pedido do comando nazista para que a Krupp – indústria de armamentos – construísse uma arma capaz de destruir as fortificações francesas da Linha Maginot. Os empenhos da Krupp levaram à construção desses dois canhões, que, nas palavras de um general nazista, eram uma “peça de engenharia extremamente impressionante, mas absolutamente inútil”|2|.

O Schwerer Gustav particularmente foi utilizado durante o cerco a Sebastopol, cidade soviética localizada na região da Crimeia em um combate que resultou na morte de 25 mil alemães e no uso de cinquenta mil toneladas de munição de artilharia|3|.

As atribuições do Schwerer Gustav eram:

  • Peso: 1350 tonelada
  • Cumprimento: aproximadamente 47 metros
  • Tripulação: 4.000 homens responsáveis pela montagem dos trilhos e manejo do canhão
  • Calibre: 800 milímetros
  • Peso dos projéteis: 7 toneladas
  • Alcance do disparo: 39 km a 47 km de distância
  • Cadência dos disparos: 1 disparo a cada 45 minutos, com máximo de 14 disparos por dia.

 

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012 p. 448.
|2| Idem, p. 319.
|3| Idem, p. 320.

Por Daniel Neves
Graduado em História

Link original: http://brasilescola.uol.com.br/historiag/cinco-fatos-sobre-segunda-guerra-mundial.htm

[G1] ‘Colhíamos grama para minha mãe fritar com gordura’, diz sobrevivente do Holocausto radicado no Brasil


Romeno Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial.

Por BBC

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

O romeno Joshua Strul tinha oito anos quando sua infância foi abreviada.

Em outubro de 1941, tropas aliadas aos nazistas chegaram à cidade de Moinești, na Romênia, onde ele, seus pais e seis irmãos ─ todos judeus ─ viviam.

Em poucas horas, a família foi despojada de todos os seus bens.

“Até então, tinha uma infância feliz e tranquila. Estudávamos, íamos à sinagoga e brincávamos como todas as crianças. O convívio com os católicos era pacífico”, recorda ele, atualmente com 85 anos, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“Mas o nazismo ganhava força na Europa e, quando as tropas chegaram à cidade, não tardou para perdemos tudo”, acrescenta.

Radicado em São Paulo desde a década de 1950, Strul é sobrevivente do Holocausto, como ficou conhecido o assassinato em massa de milhões de judeus, bem como homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová e outras minorias, durante a 2ª Guerra Mundial, a partir de um programa de extermínio sistemático patrocinado pelo partido nazista.

Foi o maior genocídio do século 20 – uma ferida aberta que o tempo ainda não curou. Isso talvez explique a riqueza de detalhes com que Strul ainda relata sua experiência, pontuada por um sotaque ainda carregado, apesar da idade avançada.

 Joshua conheceu Manuela em um baile de Carnaval no Rio, em 1969 (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Joshua conheceu Manuela em um baile de Carnaval no Rio, em 1969 (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“Meu pai tinha uma loja de cereais. Perdemos tudo. Nos tiraram o comércio e a nossa casa. Minha família, assim como todos os judeus da cidade, foi levada a uma cidade próxima, Bacău, onde nos confinaram em um gueto”, diz.
Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil) Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

 Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Fome
Ali todos os judeus viviam em barracas de madeira – cobertas com folhas de zinco. Privados de sua liberdade, eram obrigados a ostentar uma estrela amarela nas roupas como identificação.

“No verão, era insuportavelmente quente. No inverno, um frio glacial”, conta. A fome também era uma constante.
Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil) Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

 Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

  "A migalha de pão significava a vida ou a morte", diz Strul (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“A migalha de pão significava a vida ou a morte”, diz Strul (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“A migalha de pão significava a vida ou a morte. Colhíamos grama para minha mãe fritar com gordura de ganso. Foi assim que sobrevivemos”, diz.

“Meu irmão caçula, no entanto, não conseguiu enfrentar as condições adversas e morreu aos dois anos.”

‘Providência divina’
Por uma “providência divina”, como recorda Strul, a família não foi deportada para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, um dos principais locais de extermínio de judeus durante a guerra.

Em 1944, a Romênia foi libertada por tropas soviéticas, mas o pesadelo ainda não tinha terminado. “Voltamos à nossa cidade-natal e nossa casa estava completamente depenada. Tudo nos foi roubado”, lamenta.

  "Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo", diz Strul, após fim da 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ / BBC)

“Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo”, diz Strul, após fim da 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ / BBC)

Com muito esforço, a família reconstruiu pouco a pouco a vida que tinha antes da guerra. Mas em 1947 os comunistas chegaram ao poder na Romênia. Propriedades particulares foram nacionalizadas e, de patrão, o pai de Strul se tornou empregado.

“Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo.”

Em 1950, a família decidiu fazer as malas para um Estado recém-fundado, Israel, já que um dos irmãos de Strul havia emigrado para o país quatro anos antes e lutado na guerra de independência.

 Strul morou em Israel entre 1950 e 1955 (Foto: Gui Christ / BBC)

Strul morou em Israel entre 1950 e 1955 (Foto: Gui Christ / BBC)

Mudança para o Brasil
Mas o futuro parecia mais promissor fora do Oriente Médio.

Por meio de um conhecido da família, que já havia se estabelecido no Brasil, os Strul embarcaram em um navio rumo a uma terra então totalmente desconhecida.

“Foi uma viagem longa, na 3ª classe do navio, porque a 4ª não existia”, brinca Strul. “Chegamos com uma mão na frente e outras atrás, não falávamos a língua e conhecíamos muito poucas pessoas.”

O recomeço foi difícil. Sem educação formal, Strul começou a trabalhar como ambulante, vendendo roupas porta em porta.

Anos depois, já estabelecido, abriu sua loja de móveis na Zona Norte de São Paulo, de onde tirou o sustento para criar seus quatro filhos (“todos com formação acadêmica”, destaca). Strul também tem dez netos.

Hoje aposentado, vive com a esposa Manuela, de 74 anos (o casal se conheceu em um baile de Carnaval no Rio de Janeiro em 1969), vai à sinagoga pela manhã e dedica-se a manter viva a lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos.

 Strul trabalhou como ambulante quando chegou ao Brasil (Foto: Gui Christ / BBC)

Strul trabalhou como ambulante quando chegou ao Brasil (Foto: Gui Christ / BBC)

“Quero muito agradecer ao povo brasileiro por nos ter acolhido. Devo tudo a esse país. Amo este lugar.”

Strul também diz ter tentado, por diversas maneiras, reaver a propriedade da família na Romênia, ainda sem sucesso.

“Há 20 anos, tento receber uma indenização, mas não consigo. Tenho até hoje a escritura da minha casa, mas minha casa continua confiscada”.

 Família se mudou para Israel após ditadura comunista na Romênia (Foto: Gui Christ / BBC)

Família se mudou para Israel após ditadura comunista na Romênia (Foto: Gui Christ / BBC)

 Atualmente aposentado, Strul dedica-se a manter viva lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos (Foto: Gui Christ / BBC)

Atualmente aposentado, Strul dedica-se a manter viva lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos (Foto: Gui Christ / BBC)

Memória
Todos os anos, no dia 27 de janeiro, a comunidade judaica celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A data marca a libertação do maior campo de extermínio nazista, Auschwitz-Birkenau, por tropas soviéticas. No local, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram mortas.

No Brasil, a data será lembrada em evento promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pela Congregação Israelita Paulista (CIP), no domingo, 28 de janeiro, na Sinagoga Etz Chaim em São Paulo.

No hall, acontecerá a exposição “Além do Dever – Diplomatas reconhecidos como Justos entre as Nações”, produzida pelo Yad Vashem (Museu do Holocausto de Israel).

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é celebrado desde 2005, após uma resolução da ONU.

Link original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/colhiamos-grama-para-minha-mae-fritar-com-gordura-diz-sobrevivente-do-holocausto-radicado-no-brasil.ghtml

[O GLOBO] Para que nunca mais haja Holocausto


Volta e meia ressurgem sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos de comportamento e ideologias sectárias, que formaram o caldo de cultura do qual o nazismo

por Teresa Bergher

Há 73 anos, no dia 27 de janeiro de 1945, tropas da União Soviética, em sua avassaladora ofensiva em direção a Berlim, o centro do poder nazista, invadiram e libertaram o complexo de 48 campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, revelando ao mundo cenas de horror que, ainda hoje, desafiam sensibilidades e mostram do que é capaz o ódio quando transformado em política de Estado. Foram necessários, porém, 60 anos de exibição das atrocidades ali praticadas para que a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2005, aprovasse resolução declarando aquela data o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Infelizmente, a natureza humana, até num gesto involuntário de autoproteção, tende a eliminar gradualmente da memória as situações desagradáveis. O mundo inteiro se chocou quando, diante do Tribunal de Nuremberg, que julgava os chefões nazistas, o primeiro comandante alemão de Auschwitz, Rudolf Hoess, declarou que só ali, nas câmaras de gás e por maus tratos, haviam morrido três milhões de pessoas. Somados, os “campos da morte” do nazismo, espalhados por nações ocupadas e na própria Alemanha, perseguiram e assassinaram cruelmente seis milhões de judeus, entre eles, 1,5 milhão de crianças e outras minorias como ciganos, homossexuais, deficientes físicos, negros e Testemunhas de Jeová. Mas, gradualmente, a lembrança dessa gigantesca tragédia, mesmo constantemente reprisada por dezenas de livros e documentários de cinema e televisão, vai-se esmaecendo, apesar da decisão da ONU, que visava exatamente ao não esquecimento, para que a menção constante aos horrores mantivesse presente a necessidade de evitar a sua repetição.

Não se sabe se o escritor colombiano Gabriel García Márquez pensava nisso quando cunhou a linda frase “É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”. Auschwitz e outras horrendas lembranças do Holocausto podem, eventualmente, escapar das memórias. Porém, jamais deixarão os corações, não apenas de quem viveu a tragédia através da perda de famílias e amigos, mas, especialmente, de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, geração após geração, as imagens da perversidade humana levada aos seus extremos. Dois anos após a guerra, a Polônia, uma das maiores vítimas das atrocidades, criou, ali mesmo, o Museu do Holocausto. Desde então, mais de 30 milhões de visitantes já passaram pelos portões de ferro da entrada, encimados pela infame frase “O trabalho liberta”.

Mas, acredito, é muito pouco, e, insisto nisso, a única forma de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-las incessantemente, mês após mês, ano após ano. Além do mais, porque, volta e meia, ressurgem, no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos de comportamento e ideologias sectárias, que formaram o caldo de cultura do qual o nazismo se alimentou e cresceu até deflagrar a guerra em grande escala e seu cortejo de horrores. Na Áustria, a extrema-direita xenófoba já chegou ao poder e exige intensa vigilância das organizações dedicadas à proteção dos direitos humanos. Mesmo na rica e poderosa Alemanha, que se supunha exorcizada do demônio do racismo, ressurgem, vigorosas, organizações de pensamento similar ao da era hitlerista que, igualmente, requerem vigilância das forças democráticas e moderadas.

A lembrança de tanta dor e sofrimento, além dos corações e das mentes, precisa ser, também, incorporada materialmente ao dia a dia de cada um de nós. Esse é o sonho que me anima quando, junto com a prefeitura do Rio e outros setores da sociedade, nos empenhamos na construção de um monumento às vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado, dedicado à preservação da memória daquele período de trevas. São Paulo e Curitiba já têm o seu, e o Rio não ficará, também, sem render tributo a tantos milhões de pessoas que perderam as vidas cruelmente e que não podem ser esquecidas. Não descansarei enquanto esse sonho, idealizado há 20 anos pelo deputado Gerson Bergher, não se concretizar.

Teresa Bergher é vereadora (PSDB) no Rio e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Link original: https://oglobo.globo.com/opiniao/para-que-nunca-mais-haja-holocausto-22308041

[Jornal Boa Vista] Como foi chegar até aqui: A Tenda Branca, o lançamento


Baseado numa história real, o livro trata de amor, superação e a busca pela felicidade, onde quer que ela esteja

Por Salus Loch

Foram cerca de dez segundos de espera pendurados por um frio na barriga.

Quando o ‘sim’ veio, agradeci, respirei fundo e passei para a próxima pergunta.

O desafio estava lançado.

Assim, em meio à entrevista com Magdalena Guitta Wein e, após o ‘sim’ recebido – autorizando que aquela conversa tomasse outras dimensões – nasceu A Tenda Branca, romance baseado na história de vida da guerreira Guitta, sobrevivente do Holocausto Nazista durante a II Guerra Mundial e que hoje, aos 89 anos, mora em Florianópolis/SC.

De lá para cá foram dois anos de pesquisas, viagens – intercalando Lima, no Peru, com o Litoral Catarinense –, incertezas, apoios sinceros, erros, acertos, escrita, escrita, escrita e aprendizados sobre a condições humana.

Não foi fácil, confesso.

Escrever não é fácil.

Mas, aqueles que escolhem tal caminho como ofício (no meu caso, o jornalismo) precisam ter coragem, e seguir.

A coragem, que perpassa a trajetória de Guitta, foi encontrada na magnitude da história que se revelou sem pressa à minha frente, nos seguidos encontros com a protagonista da obra.

E com este espírito, os obstáculos foram vencidos, um a um, até chegar aqui: o lançamento oficial de A Tenda Branca – que acontece neste sábado, 28, a partir das 15h na Livraria Bankath, no Master Sonda Shopping de Erechim, momento para o qual convido amigos e leitores deste espaço.

Busca pela felicidade, onde quer que ela esteja

A Tenda Branca, no entanto, é mais do que um passeio histórico por um dos momentos mais tristes e deprimentes da humanidade – o Holocausto, patrocinado pelo governo nazista, quando 6 milhões de judeus foram mortos, somando-se à eliminação de milhões de outras pessoas e categorias consideradas indignas de vida por Hitler e seus seguidores, nos quais destacavam-se comunistas, homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová, pessoas com deficiência e outras minorias.

A obra, no entanto, trata, fundamentalmente de amor, superação e a busca pela felicidade, onde quer que ela esteja.

Foi isso que fez Guitta seguir logo após ser separada para sempre de seus pais quando desembarcou em Auschwitz-Birkenau, numa manhã cinzenta do dia 6 de maio de 1944 – trecho do livro que faço questão de reproduzir aqui:

A separação
Era difícil saber quantas pessoas se aglomeravam no vagão. Cento e cinquenta. Duzentas, talvez.

Famílias inteiras se amontoavam num espaço que, aparentemente, não comportava nem metade daquela legião de homens, mulheres, crianças e idosos. Faltava espaço, sobravam incertezas.

À noite, a temperatura amena do dia abria espaço para o ar gelado que cortava as narinas e era incapaz de afastar o cheiro de urina e das fezes que, a partir do segundo dia, havia preenchido o local. Baldes faziam as vezes das latrinas. Peças de vestuário eram utilizadas para as mínimas exigências de higiene pessoal. Banho? Sem chance.

Pior do que aquele odor, só o cheiro do medo que acompanhava a todos.

Nas madrugadas, ombros, pernas e abraços substituíam as camas que as famílias haviam deixado para trás no trajeto entre o gueto e a escuridão. Não havia como escapar daquela sensação de impotência, sujeira e temor rumo ao nada.

No comboio de Guitta, um senhor de costas encurvadas e olhar cansado afirmava que eles estavam sendo transportados para uma fábrica de tijolos na Alemanha – onde a vida melhoraria. Ary, que àquela altura seguia grudado a Guitta, duvidou da informação.

– Ele não sabe o que está falando, emendou Ary. O rabino Isaac disse que estamos sendo levados para um campo nazista. Temo que ele esteja certo.

Guitta, até então, desconhecia o que seria um campo nazista.

O desembarque em Auschwitz-Birkenau, 72 horas depois, mostrou que o homem das costas curvas estava errado, e Ary certo. Infelizmente.

Às 5h54min do dia 6 de maio de 1944, Magdalena Guitta Wein chegou com a família no mais célebre e cruel campo de extermínio criado pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, Auschwitz-Birkenau, no sul da ocupada Polônia.

Pai, mãe, os dois irmãos, quatro tios, três tias, cinco primos, os avós maternos e Ary desembarcaram com ela após a viagem que parecia não ter fim.

Enjoos. Solavancos. Angústias. Fome. Frio.

Com o trem parado no fim de uma linha precedida por luzes brancas e vermelhas ao longo de dezenas de postes que conduziam os vagões para Auschwitz-Birkenau, Guitta puxou o braço da mãe e, mais cedo do que deveria, comemorou.

A verdade é que não sabiam onde estavam nem o motivo pelo qual haviam sido levados àquela grande área descampada, com arames que cercavam o local e emprestavam ao ambiente um aspecto funesto em meio aos latidos dos cães.

Havia inúmeros barracões e alguns prédios com chaminés ao longe. Era tudo muito espaçado, bem maior do que o gueto, e trazia uma diferença peculiar. No ar, o cheiro que soprava com a brisa lembrava algo queimado. Forte. Amargo. Estranho.

Ao buscar amparo na mãe, a fim de saber o que era aquilo e onde haviam chegado, Guitta ouviu o que, desde os 13 anos, já se acostumara a escutar: é a guerra, filha. É a guerra. Ficará tudo bem. Fique de mãos dadas com seus irmãos e silêncio, por favor.

Com armas e chicotes em punho e gritos inteligíveis, soldados alemães fiscalizavam o serviço executado por prisioneiros de Auschwitz que empurravam os recém-chegados para fora do trem. À frente de Guitta um senhor que já deveria ter passado dos 80 anos caiu e se estatelou no chão ao descer. Um primo dela, Janus, foi tentar ajudá-lo. Não teve tempo. Um oficial da SS lhe desferiu uma coronhada que o fez apagar de pronto. Gotas de sangue do nariz do rapaz mancharam o vestido bege da mãe do próprio Janus, a menos de dois metros de Guitta. Aturdido, o pai do jovem pegou o filho no colo em silêncio, enquanto a mãe continha o choro. Ambos pareciam entender que manter a boca fechada era o melhor a fazer.

Ao mesmo tempo, outro oficial da SS, com uma grande cicatriz abaixo do olho direito, se dirigiu para o velho caído, o agarrou pelo braço e o fez ficar de pé.

Com o olhar, o pobre senhor parecia suplicar. Parecia pedir perdão por sua fraqueza. Por sua idade. Por atrapalhar a fila que estava sendo formada.

Foi inútil.

O tiro que atravessou o lobo frontal fez o corpo desabar sem força. Disforme. Apagado.

O estampido da bala cortou o ar e deixou ainda mais cinza aquela manhã.

Horrorizados, os grupos próximos mesclaram gritos abafados com choros, gemidos e suspiros.

Guitta passou pelo filete de sangue que se formara ao lado do corpo inerte do velho, mas não teve coragem de fitar a cena. Estremecida, segurou firme a mão do pai e do irmão mais velho. Logo atrás, ouviu a irmã soluçar e se virou no momento em que a mãe acariciava os cabelos da pequena. Ela já havia perdido Ary de vista – que fora arrastado para uma fila separada.

– Me aguarde Guitta, vou voltar para te buscar, gritou o rapaz numa última tentativa de contato, que não teve resposta.

Súbita e definitivamente, o pai e o irmão de Guitta também foram empurrados para uma fila distante. Daquele momento em diante jamais voltaria a abraçar o pai e o irmão, nem o avô, primos ou os tios que tomaram o mesmo caminho. Na fila de Guitta restaram apenas as mulheres, incluindo sua mãe, a irmã, a avó, primas e tias.

Aos empurrões, Guitta ainda tentou voltar para perto do pai, mas foi repelida por um soldado que a chamou de vadia, ou algo do tipo. Vencida pela ameaçadora postura do oficial, manteve contato visual com Sandor, e conseguiu ouvir a mãe dizendo: volte para o seu lugar, querida. Vai ficar tudo bem.

Tentando não perder o pai de vista enquanto as filas se afastavam, Guitta lembrou da festa de 70 anos da avó Patrícia, dois anos atrás, às margens do Mar Negro, no litoral romeno, com direito a banho de lama medicinal e comida farta. Aquela havia sido a última vez que estavam todos reunidos para festejar. A felicidade era genuína. E saudosa.

Depois veio o Gueto. O confinamento. Os choros. A insegurança. O trem. O frio. A fome. A coronhada no Janus. O velho morto. A iminente separação.

Parecia tudo tão rápido, e triste.

Com os olhos marejados, ela queria acreditar que as palavras da mãe fossem verdadeiras. Que ficaria tudo bem.

Acabou perdendo o pai e voltou-se para a mãe e a irmãzinha, que haviam ficado cinco passos atrás na fila. Retornou para perto delas e logo em seguida foi indicada, por ordem de um homem alto e de aparência soturna – mais tarde descobriria que o nome do médico era Josef Mengele –, para ingressar numa nova fila. Desta vez, porém, as únicas que lhe acompanharam foram as primas, Henrieta e Maria, e a tia Cinca.

Guitta buscou a mãe e a irmã com os olhos e a primeira lhe retribuiu sorrindo com lágrimas que desciam devagar num rosto ainda bonito, mas marcado por rugas que haviam se multiplicado nos últimos meses. Rosália deu um breve adeus com a mão direita. A irmã, no colo da mãe, lançou em direção à Guitta um beijo, que fez sua diminuta boca parecer um pequeno pirulito em forma de coração.

A cabeça de Guitta girava. Ela chorava. Queria voltar para perto de Eva. Abraçar a irmã e a mãe. Deu um passo na direção delas e foi violentamente impedida por mãos fortes e enluvadas que seguraram seus ombros. Então ouviu alguém, ao longe, chamar seu nome. Era Sandor, seu pai. Procurou pelo destino da voz e viu a mão dele erguida. Ela viu também o espanto escancarado nos olhos do homem que fora sempre tão forte. Mesmo aos empurrões, ele fez um meneio com a cabeça, como que encorajando a filha a continuar.

Glen, que seguia anotando tudo de cabeça baixa num misto de indignação, sofrimento e raiva, de repente, sentiu a sala silenciar.

Encarou Guitta e viu que os olhos da entrevistada estavam úmidos e a boca formava uma parábola negativa e triste.

Ao redor da mesa todos estavam emocionados. O sonho que o jornalista tivera na noite anterior era real e mais triste do que imaginava – especialmente pelo desfecho que acabara de transcrever.

Depois de uma longa pausa, e de um suspiro que mais parecia um grito de dor vindo da alma, Guitta continuou.

– Não houve despedidas naquele dia. Apenas tive tempo de abanar de volta para minha mãe e para Eva, e rezei – esperando que, de alguma forma, conseguisse cumprir a promessa de jamais me separar de Eva. Também procurei pelo papai e não o vi mais. Fiquei atordoada e desesperada. Esperava que pudesse voltar a vê-los logo.

Isso, porém, jamais aconteceria.


A entrevista
Aproveito o espaço para reproduzir, também, trechos da primeira entrevista com Guitta, em setembro de 2015 – momento no qual surgiu a ideia de escrever o livro.

Perseguição
‘O clima hostil sentido desde o início da Segunda Guerra, para nós judeus, não era novidade. Porém, as coisas foram piorando com o tempo. Não era mais questão apenas de estudar numa escola separada dos cristãos, ou vestir roupas com uma estrela amarela. Bem que pessoas ligadas aos alemães avisaram nossa família para fugirmos enquanto era tempo. Não levamos a sério. Resultado: acabamos no gueto de Satu Mare, na Romênia, logo depois do ano novo de 1942. Nossa grande casa no centro da cidade, que antes era ocupada apenas por nós cinco (Guitta, o pai, a mãe, e os dois irmãos), ficou para trás e passamos a dividir, no gueto, uma casa com outras seis famílias. O conforto se foi; o medo apareceu. Meu pai, minha mãe, meu irmão mais velho e eu fomos obrigados a fazer trabalhos forçados, e olha que eu não tinha nem 15 anos na época. Foi uma reviravolta gigante em nossas vidas. Naquele momento parecia que eu havia perdido tudo: a liberdade, a infância, o futuro. Mas o pior estava por vir: Auschwitz-Birkenau’.

Trabalhos forçados
‘Entre os diversos tipos de trabalhos forçados aos quais fui submetida durante o período da guerra, fiquei com várias marcas e lembranças. Certa vez uma fábrica, na qual trabalhávamos na reconstrução, foi bombardeada. As bombas começaram a explodir ao nosso redor. Escapei da morte por milagre. Foi um choque incrível. Porém, nem bem me recompus do pavor e tive que recolher os corpos daqueles que morreram no ataque. Éramos descartáveis, mera mão-de-obra barata nas mãos dos alemães. Eu, todavia, trabalhava direitinho porque só assim tinha uma chance de permanecer viva. Naquela época ainda tinha esperança de rever minha família. Só fiquei sabendo da morte deles quando voltei para a Romênia, no fim da guerra’.

O caminho das Américas
‘Atravessamos a Europa no fim da década de 1940 e chegamos a Lima, no Peru – onde uma prima do meu marido já estava estabelecida. Lá, comecei uma vida nova e pródiga. Abrimos, numa garagem, uma fábrica de confecções. Eu saia vender os produtos nos povoados e vilas da capital peruana. Hoje, o empreendimento é uma multinacional. Sinto orgulho disso, embora esteja, involuntariamente, afastada dos negócios. Sinto orgulho de ter construído algo grande praticamente do nada, mostrando aos nazistas que nos tratavam como animais que, com força de vontade e trabalho, se podia – e ainda se pode, claro – fazer muita coisa boa e com resultados positivos, seja no aspecto financeiro, seja no campo da realização pessoal’.

Felicidade
‘Se os negócios com a empresa iam bem, no campo afetivo algumas coisas mudaram. O tempo passou e a relação com meu marido esfriou. Acabei deixando Lima e a empresa para trás e vim residir em São Paulo com um novo amor. Um italiano que me conquistou ainda em Lima. Nossa vida no Brasil foi boa, posso dizer. E hoje, com ambos os homens da minha vida mortos, estou aqui, em São José, Santa Catarina morando perto da minha filha e de uma das minhas netas, já que a outra mora na Guatemala (no dia da entrevista, a neta ‘guatemalteca’ estava visitando a mãe e a avó, no Brasil). Elas são minha razão de viver, e é por isso que afirmo: hoje, tenho perto de mim tudo o que eu preciso. Poderia ter sido diferente? Claro que poderia, mas não foi. A Guerra deixou marcas, é óbvio, mas consegui me levantar. Você pede para que eu deixe uma mensagem para quem for ler essa nossa conversa. Escreve aí, então: temos que correr atrás dos nossos objetivos, não importa a idade ou a situação na qual possamos nos encontrar. A vida é valiosa demais para abrirmos mão de nossa liberdade e de nossos sonhos. Seja feliz, não importa onde nem com quem. Gostou?’.
Gostei.

Gratidão
É preciso agradecer, ainda, aos parceiros nesta jornada – com destaque para meus pais, Valdemar Artur e Marilene Loch; Guitta e seus familiares; além dos amigos Alcides Mandelli Stumpf (que assina o prefácio da obra) e Nilson Luiz May, proprietário da editora Scriptum Produções Culturais, de POA – que acreditou na proposta.

À autora da capa, Ananda Kuhn (minha prima), ao Varella, da Gráfica All Print, aos colegas de imprensa pela divulgação graciosa e a Marilene Rigo e diretores do Caol (entidade com a qual fiz parceria para destinar um percentual de cada livro comercializado), estendo minha gratidão. Obrigado, de coração.


O primeiro livro
Com a proposta de divulgar a história de Guitta e alertar para os riscos do pensamento reacionário/sectário, tenho realizado palestras em Erechim e região. Numa destas oportunidades, a convite do amigo Neivo Fabris, participei esta semana de bate-papo no Colégio Estadual Antônio Scussel em Getúlio Vargas. E lá algo gratificante aconteceu. Ao final dos colóquios, o jovem William, de 16 anos, chegou ao meu lado, adquiriu um exemplar da obra, e tascou: ‘depois de ouvir a história, confesso que este é o primeiro livro que tive vontade de comprar’. Emocionei-me com William; torço que seja o primeiro de muitos – de ambos.

Link original: http://jornalboavista.com.br/27102017como-foi-chegar-ate-aqui-a-tenda-branca-o-lancamento

[archdaily] Monumento Nacional do Holocausto projetado pelo Studio Libeskind é inaugurado em Ottawa, Canadá


Por Patrick Lynch | Traduzido por Romullo Baratto

 © Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

© Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

O Monumento Nacional Canadense do Holocausto, projetado pelo Studio Libeskind, foi inaugurado em Ottawa, homenageando “os milhões de homens, mulheres e crianças inocentes que foram assassinados pelo regime nazista e reconhecendo os sobreviventes que conseguiram eventualmente fazer do Canadá seu novo lar”.

Localizado em um terreno de 3.200 metros quadrados em frente ao Museu da Guerra Canadense, o monumento de concreto feito in loco evoca a forma da estrela de Davi de 6 pontas, desconstruída para criar um “ambiente experiencial” rico em simbolismos.

 © Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

© Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

 © Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

© Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

© Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

© Doublespace. Courtesy of Studio Libeskind

“A estrela continua a ser o símbolo visual do Holocausto – um símbolo que milhões de judeus foram obrigados a usar pelos nazistas para identificá-los como judeus, excluí-los da humanidade e marcá-los para o extermínio”, explicam os arquitetos. “Os espaços triangulares são representativos dos emblemas que os nazistas e seus colaboradores usavam para rotular homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová e prisioneiros políticos e religiosos.”

Dois planos estabelecem caminhos simbólicos e circulatórios através da estrutura: um plano ascendente que “aponta para o futuro”, e um plano descendente que leva aos espaços interiores contemplativos. Os ambientes específicos do programa estão localizados dentro dos seis triângulos de concreto, incluindo um espaço de interpretação educacional que descreve a história do Canadá e do Holocausto, três espaços de contemplação, um espaço de encontro central e o “Voo do céu” semelhante a uma catedral que abriga a Chama da Lembrança, em eterna combustão”

Murais de Edward Burtynsky são expostos nas paredes de cada espaço triangular, transportando os visitantes para as assustadoras paisagens do Holocausto. Dialogando com os edifícios do Parlamento, a “Escada da Esperança” leva os visitantes do espaço de encontro central para a praça superior. Ao redor do monumento, uma paisagem rochosa repleta de árvores de coníferas crescerá à medida que a estrutura envelhece, representando a passagem do tempo e a contribuição dos sobreviventes para a cultura e a sociedade do Canadá moderno.

“É extremamente importante ter projetado e realizado este monumento com uma equipe incrível”, disse o arquiteto Daniel Libeskind.

“Este monumento não só cria um espaço público muito importante para a lembrança daqueles que foram assassinados no Holocausto, mas também é um constante lembrete de que o mundo de hoje está ameaçado pelo antissemitismo, pelo racismo e pelo fanatismo. O Canadá apoia os valores democráticos fundamentais das pessoas, independentemente da raça, classe ou credo, e esse monumento nacional é a expressão desses princípios e do futuro.”

O Studio Libeskind foi selecionado para o projeto através de uma concorrência internacional com outros cinco reconhecidos escritórios. Veja as demais propostas aqui.

Saiba mais sobre o Memorial aqui.

Link original: http://www.archdaily.com.br/br/881084/monumento-nacional-do-holocausto-projetado-pelo-studio-libeskind-e-inaugurado-em-ottawa-canada