Archive for the ‘Holocausto’ Category

[Brasil Escola] Einsatzgruppen: os grupos de extermínio nazistas


A ação do Einsatzgruppen, os grupos de extermínio nazistas, foi responsável pela morte de milhares de pessoas, sobretudo judeus, nas regiões conquistadas no Leste Europeu.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas cometeram um dos maiores genocídios da história da humanidade: o holocausto. Ele promoveu, principalmente, a perseguição de judeus na Europa. No entanto, é importante ressaltar que outras minorias foram perseguidas pelos nazistas durante as décadas de 1930 e 1940, como as testemunhas de Jeová e os ciganos.

Essa ação contra os judeus fazia parte da retórica e da ideologia promovida por Hitler desde a década de 1920 e resultou em uma perseguição gigantesca por várias partes da Europa. Os planos do líder alemão para esse povo era o extermínio total após o término da Segunda Guerra.

No entanto, Hitler foi convencido por Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich a impor a Solução Final com a guerra em curso. A Solução Final era o termo usado pelos nazistas para definir o plano de extermínio dos judeus da Europa. A política de Himmler e Heydrich consistia em executar aqueles que não pudessem trabalhar e escravizar até a morte os que tivessem condição de trabalho.

Uma das etapas do holocausto promovido pelos nazistas foi a atuação de esquadrões da morte chamados de Einsatzgruppen, que significa “força-tarefa” em alemão. Esse grupamento havia sido criado pela Alemanha nazista em 1938 durante a anexação da Áustria (chamada de Anschluss).

A partir de 1939, o Einsatzgruppen foi colocado sob a liderança de Reinhard Heydrich. Com o início da guerra, esse grupamento tinha como missão promover a pacificação da retaguarda à medida que o exército alemão avançava territorialmente. O Einsatzgruppen era formado por membros da Gestapo, do Exército e da SS.

Atuação no Leste Europeu

Com a invasão da Polônia, o Einsatzgruppen ficou responsável por eliminar a intelligentsia polonesa – ação semelhante à da União Soviética no Massacre de Katyn. A intenção disso era de, a partir da eliminação da classe culta polonesa, tornar a sociedade local incapaz de resistir ao processo de escravização imposto pelos nazistas. O historiador Timothy Snyder afirma que, nessa missão contra a intelligentsia polonesa, o Einsatzgruppen matou cerca de 61 mil pessoas|1|.

Posteriormente, o Einsatzgruppen ficou responsável por executar a ordem definida por Hitler contra os judeus: o extermínio. Assim, na Polônia, nos países bálticos e nos territórios conquistados pela Alemanha na União Soviética, esse grupamento contribuiu para a morte de milhares de judeus.

A atuação do Einsatzgruppen consistia em invadir vilas e locais habitados por judeus. Primeiramente, eles eram despojados de todas as suas posses para, em seguida, serem executados de maneiras distintas, porém, a principal forma de execução usada era o fuzilamento.

A ordem para executar os judeus foi dada por Heinrich Himmler conforme o mandado transmitido por Adolf Hitler. Abaixo segue o relato de Timothy Snyder acerca da atuação do Einsatzgruppen a partir de 1941:

Em julho de 1941, Himmler fez uma viagem particular por todo oeste da União Soviética a fim de transmitir a última informação: mulheres e crianças judias deviam ser eliminadas junto com os homens judeus. As forças terrestres reagiram rapidamente. O Einsatzgruppe C, que acompanhava o Grupo de Exércitos do Sul na Ucrânia, tinha sido mais lento do que o Einsatzgruppe A (países bálticos) e o Einsatzgruppe B (Vilnius e Bielorrússia) para realizar os fuzilamentos coletivos de judeus. Mas depois, com o incentivo de Himmler, o Einsatzgruppe C eliminou cerca de 60 mil judeus em agosto e setembro. Foram fuzilamentos organizados, não pogroms|2|.

A função do Einsatzgruppen no extermínio de judeus foi fulminante. Um exemplo disso é o Massacre de Babi Yar, no qual o Einsatzgruppen C executou cerca de 33 mil judeus em aproximadamente 36 horas. A atuação desse grupamento acabou sendo progressivamente substituída pelo uso dos campos de concentração a partir de 1942. Os historiadores estimam que as ações nazistas contra os judeus (incluindo a ação do Einsatzgruppen) causaram a morte de 1 milhão de pessoas até dezembro de 1941|3|.

|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 166.
|2| Idem, p. 247.
|3| Idem, p. 270.

Por Daniel Neves
Graduado em História

Link original: http://brasilescola.uol.com.br/historiag/einsatzgruppen-os-grupos-exterminio-nazistas.htm

Câmara relembra o dia da vitória e o Holocausto da 2ª Guerra Mundial


Legislativo ressaltou a campanha vitoriosa contra a Alemanha de Hitler em 1945 e fez reverência à memória das vítimas do genocídio

por redação/ Guia Taubaté

A Câmara de Taubaté realizou na última segunda-feira, 8 de maio, uma homenagem ao dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial e reverência à memória das vítimas do Holocausto. O vereador Orestes Vanone (PV) foi o orador.

Depois de seis anos, em 8 de maio de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, com a derrota dos nazistas que dominavam grande parte do continente europeu na época. A data conhecida como dia da Vitória, remetendo ao fim da Segunda Guerra Mundial.

O vereador lembrou a participação do Brasil na Guerra. Getúlio Vargas, que era o presidente da época, negociou a entrada do Brasil, que só seria possível se fosse instalada no país a Companhia Siderúrgica Nacional, hoje localizada em Volta Redonda (RJ). Foram 25 mil homens e mulheres brasileiros para defender os interesses do mundo na Itália.

O Holocausto, lembrado na sessão, foi uma prática de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante os anos de governo nazista de Adolf Hitler que resultou no assassinato em massa de cerca de 11 milhões de pessoas pelo regime durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo a ideologia nazista, o povo legitimamente alemão era descendente dos arianos, um antigo povo que tinha pele branca e originou a civilização europeia. Os maiores culpados pelos nazistas de impedirem esse processo de eugenia eram os ciganos e principalmente, os judeus. Sendo assim, para que a supremacia racial ariana fosse conquistada pelo povo alemão, o governo de Hitler passou a pregar o ódio contra esse povo.

No início da Segunda Guerra, o governo nazista criou campos de concentração onde os judeus e ciganos eram forçados a viver e trabalhar em condições insalubres, com péssima alimentação, sofrendo torturas e eram utilizados como cobaias em experimentos científicos. Os homossexuais, opositores políticos de Hitler, doentes mentais, pacifistas, eslavos e grupos religiosos, tais como Testemunhas de Jeová, também sofreram com os horrores do Holocausto.

Link original: http://guiataubate.com.br/noticias/2017/05/camara-relembra-o-dia-da-vitoria-e-o-holocausto-da-2-guerra-mundial

Extermínio de minorias na 2ª Guerra Mundial é tema de exposição em Fortaleza


“Trata-se de um alerta, para que esse tipo de acontecimento jamais volte a se repetir”, afirma o vice-presidente da Sociedade Israelita do Ceará

 Exposição Fotográfica “Do Holocausto à Libertação” acontece entre os dias 11 e 26 de março. (FOTO: Divulgação)


Exposição Fotográfica “Do Holocausto à Libertação” acontece entre os dias 11 e 26 de março. (FOTO: Divulgação)

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará receberá, desta quinta-feira (11) até o dia 26 de maio, a Exposição Fotográfica “Do Holocausto à Libertação”, que reúne 160 fotos e documentos que retratam a história de tortura e sofrimento vivida durante a Segunda Guerra Mundial. A visitação é gratuita aberta ao público.

No período, foram assassinados judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, comunistas, homossexuais, negros, deficientes físicos e mentais e outras minorias, desde 1933, com a ascensão do nazismo na Alemanha, até 1945, com o fim da Guerra. Foi exterminado um terço dos judeus que viviam no mundo: 6 milhões de pessoas, entre elas um milhão e meio de crianças, a maioria sucumbindo nas câmaras de gás dos campos de extermínio.

“A exposição tem um caráter educacional, com o objetivo de mostrar para as gerações atuais uma triste realidade da humanidade que aconteceu há pouco mais de 80 anos e que as gerações atuais desconhecem. Trata-se de um alerta, para que esse tipo de acontecimento jamais volte a se repetir com o povo judeu ou com qualquer outro povo na face da terra”, afirma o Vice-presidente da Sociedade Israelita do Ceará, Marcus Strozberg.

O extermínio ganhou destaque na história da humanidade por seu caráter de política oficial de um Estado constituído e reconhecido pela comunidade das nações, além dos métodos “científicos” e “industriais” nela empregados.

A Exposição é realizada pela Sociedade Israelita do Ceará e exibe fotografias e documentos em ordem cronológica, como um retrato do crime contra a humanidade cometido no genocídio chefiado por Adolf Hitler.

Serviço:
Exposição Fotográfica “Do Holocausto à Libertação”
Hall da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará
De 11 a 26 de Maio de 2017
9h às 17h, de segunda a sexta

Link original: tribunadoceara.uol.com.br/noticias/cotidiano-2/exterminio-de-minorias-na-2a-guerra-mundial-e-tema-de-exposicao-em-fortaleza/#&gid=1&pid=1

Rússia tenta proibir as Testemunhas de Jeová, como a Alemanha nazista fez antes da Segunda Guerra Mundial (Inglês)


O Ministério da Justiça da Rússia diz que as Testemunhas de Jeová são “terroristas”;
Tribunal Supremo da Rússia para decidir se a proscrição da religião – mais uma vez

 A Alemanha nazista perseguiu as Testemunhas de Jeová, como a Rússia está começando a fazê-lo - mais uma vez. Foto: Getty Images-gettyimages.com, usado com permissão.


A Alemanha nazista perseguiu as Testemunhas de Jeová, como a Rússia está começando a fazê-lo – mais uma vez. Foto: Getty Images-gettyimages.com, usado com permissão.

O site do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos , de Washington, DC, expressa profunda preocupação com o tratamento dado pelo governo russo às Testemunhas de Jeová . Em andamento desde 5 de abril, o #Ministry of Justice da Rússia está pedindo ao seu Supremo Tribunal que proíba as Testemunhas de Jeová, permitindo sua prisão e prisão eo confisco de sua propriedade usada na adoração. A diretora do Museu do Holocausto, Sara Bloomfield, não compara os crimes da Rússia contra a humanidade com a nazista alemã , mas estabelece um claro paralelo: O que acabou como o vergonhosamente assassino de pelo menos 1.400 Testemunhas de Jeová em prisões e campos de concentração começou quando o nazista Declarou as Testemunhas de Jeová uma ameaça à segurança da Alemanha e os perseguiu viciosamente. É o que a Rússia está fazendo hoje.

História pesada
O Dr. Mark Elliott, editor fundador do “East-West Church and Ministry Report” da Kentucky’s Asbury University, diz que em 1951-52 a União Soviética exilou cerca de 7.000 Testemunhas de Jeová para a Ásia Central e Sibéria . Imagine a cena: Você está em casa, dormindo, e de repente acordar com uma sacudida. É 2:00 da manhã Alguém está batendo em sua porta. Bem desperto, toda a sua família vê os oficiais armados empurrar o seu caminho para a sua casa e ordená-lo a empacotar – você tem duas horas. Você joga alguns pertences e roupas em uma mala e é escoltado para um trem de espera, que o transporta a milhares de quilômetros de casa.

Estado pede desculpas e, em seguida, ataca
Décadas depois, você e sua família podem voltar para sua cidade natal. Na década de 1990, você é exonerado como vítimas inocentes da repressão e recebe um certificado como um pedido de desculpas. Agora, 20 anos depois, oficiais armados invadem e revistam sua casa, assustando você e seus filhos. Encontrando um livro de histórias da Bíblia para crianças que você esqueceu de descartar, os funcionários latem que você está na posse de literatura extremista e levá-lo para a sede da polícia. Polícia duramente interrogá-lo, acusá-lo de extremismo, criminalmente reservar você e até mesmo levá-lo à prisão. O governo havia acrescentado esse livro em 2009 a uma lista de publicações “extremistas” proibidas. Um livro de histórias da Bíblia para crianças com conteúdo extremista!
Legislação anti-extremista mal aplicada
Você agora vê quão frágil esses certificados de exoneração são. Você é novamente caluniado como um perigo para a nação e seus cidadãos. Desta vez, você e sua família são extremistas, até terroristas . A legislação anti-extremista da Rússia -desenhada vagamente e imprecisamente há vários anos- está sendo mal aplicada à adoração de Deus à sua família, que agora é supostamente um ato criminoso.

Invasões da igreja
O YouTube tem muitos vídeos de câmeras de segurança que capturam as autoridades russas em flagrante , no ato de entrar em Salões do Reino (lugares de culto das Testemunhas de Jeová) no fundo da noite, mantendo publicações “proibidas” como aquele livro de histórias bíblicas. Eles planta-los nas instalações e sair. No dia seguinte, oficiais armados e mascarados invadem seu Salão do Reino, interrompem serviços religiosos, maltratam e ameaçam vocês e outros membros da congregação, e buscam as instalações. Veja e veja! Eles descobrem publicações “ilegais” – livros ou folhetos baseados na Bíblia sobre como viver uma vida limpa e respeitável – que supostamente violam a legislação destinada a prevenir o terrorismo . Eles não acham kits de fabricação de bombas, nem explosivos, nem armas, nem planos secretos de ataque … No entanto, os funcionários confiscam o prédio, e na próxima semana seu local de culto é agora um estacionamento de propriedade do governo.

O site diz a todos
O site oficial das Testemunhas de Jeová (jw.org) contém muitas provas de vídeo, depoimentos em vídeo de adoradores abusados, até mesmo entrevistas com especialistas não-testemunhas como o Dr. Elliott, que criticam o que o governo da Rússia está fazendo a esse grupo religioso – enganando ninguém. O processo criminal de Moscou contra as Testemunhas de Jeová retoma o dia 12 de abril.

Link original: http://us.blastingnews.com/world/2017/04/russia-tries-to-ban-jehovahs-witnesses-like-nazi-germany-did-before-wwii-001618271.html

Olga Benario serviu à SS como blockova no campo de concentração nazista de Ravensbrück


Por Euler de França Belém

Mesmo tendo trabalhado para os nazistas, a mulher de Luiz Carlos Prestes não agia de modo cruel com as prisioneiras. A comunista procurava protegê-las

Olga Benario foi entregue pelo governo de Getúlio Vargas aos nazistas, em 1936, e morreu, possivelmente gaseada, em 1942, no manicômio de Bernburg, na Alemanha. Ela deixou uma filha, a doutora em história Anita Leocádia Prestes

Olga Benario foi entregue pelo governo de Getúlio Vargas aos nazistas, em 1936, e morreu, possivelmente gaseada, em 1942, no manicômio de Bernburg, na Alemanha. Ela deixou uma filha, a doutora em história Anita Leocádia Prestes

A alemã Olga Benario Prestes (1908-1942), agente de Ióssif Stálin, acompanhou o capitão Luiz Carlos Prestes ao Brasil para or­ganizar a revolução comunista nos trópicos. Entretanto, o Partido Comu­nis­ta havia dado informações falsas aos líderes da União Soviética, pois não havia a mínima estrutura organizacional para derrubar o presidente Getúlio Vargas e tomar o poder, nos moldes da Revolução de 1917 na Rússia. O golpe manqué de 1935, conhecido como Intentona Comu­nista, resultou na prisão de vários comunistas, inclusive de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario. Nesse período, Getúlio Vargas e alguns de seus aliados, como Filinto Müller, Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, mesmerizados pelo führer da Alemanha, Adolf Hitler, entregaram a judia e comunista Olga Benario aos nazistas. A história está contada em dois livros, “Olga” (Companhia das Letras, 328 páginas), do brasileiro Fernando Morais, e “Olga Benario — A História de uma Mulher Corajosa” (Alfa-Omega, 304 páginas, tradução de Reinaldo Mestrinel), da alemã Ruth Werner.

Olga Benario foi levada para Ravensbrück, o campo de concentração exclusivo para mulheres (“a capital dos crimes contra as mulheres”; por lá passaram cerca de 130 mil pessoas do sexo feminino), situado na Alemanha, e lá teve sua filha, Anita Leocádia Prestes — nascida em novembro de 1936; mais tarde, historiadora radicada no Rio de Janeiro, autora de vários livros —, e, em seguida, foi assassinada pela SS. O livro “Ravensbrück — A História do Campo de Concentração Nazistas Para Mulheres” (Record, 922 páginas, tradução de Cristina Ca­valcanti), da jornalista e escritora inglesa Sarah Helm, apresenta novas informações sobre a vida da comunista no campo e a respeito de sua morte.

Filha da classe média, Olga Benario rebelou-se aos 14 anos e fugiu de casa, tornando-se marxista e integrante de uma célula comunista. Ativa e corajosa, liderou um movimento para libertar um comunista, em 1928, livrando-o da morte certa. No ano seguinte, os comunistas alemães levaram-na para Moscou, para treiná-la como agente bolchevique de elite. Da União Soviética, foi enviada pelo Comintern (a organização comunista internacional) para o Brasil, ao lado de Luiz Carlos Prestes, para organizar a revolução que, do país, se espalharia pela América Latina, como um rastilho de pólvora. Eram precursores do argentino Che Guevara.
O governo de Getúlio Vargas, com informações da Inteligência inglesa, desbaratou o golpe comunista e prendeu Olga Benario e Luiz Carlos Pres­tes. Sarah Helm sustenta que Elise Ewert e Olga Benario foram enviadas a Hitler “como presente”. Em Sou­tham­pton, comunistas tentaram resgatá-la, mas a Inteligência britânica impediu.

Do porto de Hamburgo, Olga Be­na­rio foi encaminhada para a prisão de Barnimstrasse, em Berlim. Nesta penitenciária, deu a luz Anita Leocádia Pres­tes. A esquerda desencadeou um mo­vimento transnacional para libertá-la. “O caso atraiu ampla atenção, principalmente porque o pai da bebê era o famoso Luiz Carlos Prestes. A coragem de Olga e sua beleza morena e graciosa contribuíram para a comoção que a história provocou”, relata Sarah Helm.
A cúpula da Gestapo tentou entregar Anita Leocádia para sua avó materna, Eugenia Benario, que não quis cuidar da bebê. “Himmler então permitiu que a mãe de Prestes, Leocádia, levasse Anita, e em novembro de 1937 a avó brasileira foi buscar a bebê na prisão de Barnimstrasse.” Olga Benario, que ficou na cadeia, escreveu para a mãe de Luiz Carlos Prestes: “Perdoe-me pelo estado das coisas de Anita. Você recebeu a minha descrição da sua rotina e da sua tabela de peso? Fiz a tabela o me­lhor que pude. Os seus órgãos in­ternos estão bem? E os ossos — as suas perninhas? Talvez, no primeiro ano de vida, ela sofra devido às circunstâncias extraordinárias da minha gravidez”.

Durante a construção de Ra­vensbrück, várias mulheres foram trancafiadas em Lichtenburg. Entre elas, levada pela Gestapo, estava Olga Benario, vista como uma participante, já lendária “dos dias gloriosos da resistência comunista”. Tida como uma guerreira fria e determinada, estava alquebrada pela separação da filha. As camaradas comunistas tentaram confortá-la dando-lhe pequenos presentes. O poderoso chefão de Lichtenburg, Max Koegel, espancava as mulheres com frequência. As testemunhas de Jeová, resistentes às ordens nazistas, eram as mais agredidas pelos guardas. “No outono de 1939, elas eram mais da metade das mulheres no campo.”

Anita Leocádia Pretes, filha de Olga Benario, com o pai, Luiz Carlos Prestes, aos 9 anos de idade

Anita Leocádia Pretes, filha de Olga Benario, com o pai, Luiz Carlos Prestes, aos 9 anos de idade

Ravensbrück era uma aldeia, no subúrbio de Fürstenberg, a 80 quilômetros de Berlim, com acesso fácil por ferrovia e rio. A construção do campo na região foi uma decisão de Heinrich Himmler, que considerou até a beleza do lugar. Enquanto os nazistas edificavam-no, Olga Benario ainda tinha esperança de que pudesse ser liberada. A mãe, Leocádia, e a irmã, Lygia, de Luiz Carlos Prestes organizaram uma cruzada mundial por sua libertação.
Numa carta para Luiz Carlos Prestes, Olga Benario diz: “A primavera por fim chegou e as pontas verdes-claras das árvores observam inquisitivamente por cima do pátio da prisão. Mais do que nunca desejo um pouco de sol, beleza e sorte. Algum dia estaremos reunidos com Anita-Leocádia, felizes os três? Perdoe-me por pensar assim, sei que preciso ser paciente”.

As primeiras prisioneiras chegaram a Ravensbrück em 15 de maio de 1939. Eram 867 mulheres. Os nazistas registravam-nas como prostitutas, mendigas, delinquentes, lésbicas, criminosas contumazes, prisioneiras políticas, testemunhas de Jeová, judias, ciganas. O tratamento no campo era brutal. As judias, sobretudo as comunistas, que eram mais rebeldes e articuladas, sofriam com frequência na solitária. Ilse Gostynski viu Olga Benario no campo, depois que ela deixou a solitária, e contou que era “uma jovem muito bela, muito inteligente. Em Ravensbrück foi maltratada, não tinha quase nada para comer”. Solidária, Hanna Sturm deu-lhe biscoitos e pão que arrecadou com outras presas.

Logo depois, Ilse Gostynski foi solta pelos nazistas e sobreviveu. Sarah Helm informa que “talvez o aspecto ‘normal’ mais surpreendente do campo fosse que, mesmo com o aumento da brutalidade, as prisioneiras eram soltas regularmente”. Em julho de 1939, as prisioneiras deram pela falta de Olga Benario. “Ela provavelmente deixou o campo em julho de 1939 não para ser interrogada, mas porque a Gestapo tinha concordado em libertá-la. A prova de que estava a ponto de ser solta provém em parte de um informe da Gestapo sobre as circunstâncias da sua saída de Ravensbrück”, anota a autora do livro. A comunista estava bem vestida, com roupas civis, o que era um prenúncio de que seria libertada.

Leocádia e Lygia Prestes continuaram a batalha internacional pela libertação de Olga Benario. Depois de enviar várias cartas ao governo alemão, as brasileiras recebem uma mensagem do escritório de emigração judeu-alemão, que informava que “a Gestapo es­tava disposta a libertar Olga ‘com a condição de que ela emigre imediatamente para ultramar’”. Elas foram in­formadas de que deveriam solicitar “um visto para Olga ‘ao México o mais rápido possível”. Leocádia conseguiu um visto mexicano e o enviou para a Alemanha. O governo alemão não acusava o recebimento do visto, que havia sido enviado via Estados Unidos.

À espera da “salvação”, Olga Benario recomenda que Leocádia Prestes vista Anita Leocádia Prestes com roupas comuns. “Ela não deve pensar que é especial”, ordena a comunista ortodoxa.

Em agosto de 1939, antes do início da Segunda Guerra Mundial, Olga Benario, presa em Berlim, espera pelo visto de emigração. Ao ler num jornal alemão que a batalha era iminente, quedou-se desanimada. “Não se zangue comigo, mas estou profundamente pessimista”, escreveu para Leocádia Prestes, em 15 de agosto. Em Ra­vensbrück, Hanna Sturm foi espancada e torturada porque, com suas camaradas, recitou trechos das obras do russo Liev Tolstói, autor dos romances “Guerra e Paz” e “Anna Kariênina”.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1º de setembro de 1939, Olga Benario retorna para Ra­vensbrück, em 8 de setembro. Apesar de o visto mexicano ter finalmente chegado, não havia mais como sair da Alemanha. “Considerada menos ame­açadora (por motivos não explicados), as condições do seu confinamento passaram a ser menos severas do que antes; Olga tinha água e comida regularmente e podia receber correspondência”, regista Sarah Helm. Hanna Sturm passava fome na solitária e foi alimentada pela solidária Olga Benario.

Olga, a blockova
Prisioneiras eram recrutadas, em Ravensbrück, para ajudar na administração do campo. Presas eram escaladas como blockovas, chefe de bloco, e stubovas, chefe de alojamento, para “ajudar a SS” a controlar as demais presas. Margot Kaiser era lagerälteste, ou prisioneira chefe, e matou “ao menos dez mulheres a pancadas”. Detentas chegaram a disputar os cargos porque recebiam “roupas melhores, mais comida e uma cama própria”.
Como o bloco das judias era caótico — eram 10% do total de mulheres, mas estavam entre as mais maltratadas —, a nazista Johanna Langefeld procurou recrutar uma blockova ativa e durona.

Johanna Langefeld detestava os judeus, mas Olga Benario, “uma figura bela e atraente até mesmo de uniforme listrado”, agradou-a. “Tirou-a da fila, ordenou que ficasse atentamente na posição de sentido e anunciou que ela seria a nova blockova do bloco das judias. Até então, a nenhuma prisioneira política — judia ou não judia — tinha sido ofertado o cálice envenenado do comando das companheiras presas.” A companheira de Luiz Carlos Prestes era a exceção.

Por que Olga Benario, uma judia co­munista, foi escolhida para ser uma agente da SS, uma blockova, em outubro de 1939? Sarah Helm assinala que não se sabe, porque “a SS queimou todos os documentos sobre a indicação de kapos e outras informações sobre prisioneiras que trabalharam” como auxiliares dos nazistas na administração de Ra­vensbrück. Os relatos das prisioneiras, avalia a pesquisadora, são insuficientes.

O fato é que, como blockova, Olga Benario esteve a serviço da SS no campo de Ravensbrück. Sarah Helm sublinha que sua função era “pôr em prática as ordens da SS”. A informação, incômoda para a esquerda, tem sido relativizada pelos historiadores comunistas. “Para ‘dourar a pílula’ da indicação de Olga”, historiadores de esquerda “omitiram que o trabalho vinha com privilégios e inventaram que assumi-lo não indicava colaboração, e sim que a SS não já não tinha como dobrá-la”, escreve Sarah Helm.

Olga Benario, relata Sarah Helm, estava alquebrada, desesperançada. Suas camaradas comunistas, como Hanna Sturm e Joska Jaburkova, estavam devastadas. “E a fé em Stálin havia sido abalada com a notícia do pacto com Hitler. Olga também tinha uma dor particular. Há anos ela havia rejeitado a condição de judia, mas agora tudo o que lhe acontecia derivava dessa condição.”

O livro da jornalista Sarah Helm, com quase mil páginas, é um poderoso resgaste da história do campo de concentração de Ravensbrück, “a capital dos crimes contra as mulheres”. Olga Benario, casada com o brasileiro Luiz Carlos Prestes, esteve na unidade nazista

O livro da jornalista Sarah Helm, com quase mil páginas, é um poderoso resgaste da história do campo de concentração de Ravensbrück, “a capital dos crimes contra as mulheres”. Olga Benario, casada com o brasileiro Luiz Carlos Prestes, esteve na unidade nazista

Ao contrário dos historiadores de esquerda, Sa­hah Helm sugere que “Ol­ga poderia ter recusado o trabalho de blockova; ela de­monstrara ser capaz de de­safios semelhantes no passado”. A pesquisadora res­salva: “Mas aquilo tinha sido antes de se tornar mãe. Caso recusasse, poderia ser fuzilada ou trancafiada em um bunker sem re­ceber correspondência, sem notícias de Anita. Se hou­vesse outra chance de emigrar, ela ficaria sem saber”.

Como blockova, Olga Benario podia ler jornal “e circular e ver as amigas”. Ela escreveu para Luiz Carlos Prestes: “As poucas semanas em Berlim me fizeram recordar que o mais difícil é estar só. Aqui tenho camaradas que
se preocupam com o que como. Você caminha [ele estava numa solitária] — faz exercícios? Fico deprimida ao pensar que você está só. Sonho sempre com você e a pequena [Anita], mas pela manhã o despertar é amargo”.

Como blockova, Olga Benario acordava as detentas, sacodindo as que não queriam se levantar, informando-as que, se não o fizesse, apanhariam das guardas. Ela grita: “Para fora, para fora”. É o sinal para as prisioneiras saírem para trabalhar. Entre suas funções estava a de servir a sopa e contar as mulheres. As exaustas caem e são espancadas. “Olga fica de pé e assiste à cena em que a guarda Fraede as espanca.” Sarah Helm não apresenta evidências de que Olga Benario, a serviço da SS em Ravensbrück, agisse com brutalidade com as prisioneiras; pelo contrário, procurava ajudá-las, orientando-as a escapar da violência das guardas. “Circulando pelos blocos, Olga chega a conhecer melhor as mulheres e elas passam a conhecê-la e a esperar suas visitas; até as ‘burguesas’ vienenses param de chamá-la de vermelha e vaca bolchevique porque ela as ajuda, ensina-as a comer devagar para matar a fome e a se despiolharam entre si. ‘Não desistam’, diz. ‘Juntem-se para ficar aquecidas’.”

Como blockova, Olga Benario tem direito a papel e, a partir de informações colhidas no jornal nazista “Völkischer Beobachter”, “desenha mapas em miniatura para as mulheres acompanharem o avanço da guerra”. Sarah Helm revela que desenhava “muito bem e as mulheres do bloco” admiravam seu talento.

Protesto e morte
Em novembro de 1939, as prisioneiras judias foram isoladas. “As portas foram travadas e as janelas tapadas com tábuas.” Por isso as cartas de Olga Benario cessaram. A guarda Emma Zimmer castigava as presas de maneira impiedosa. “Quase enlouquecemos de terror”, relatou a sobrevivente Ida Hirschkron. “O pesadelo se estendeu por três semanas, e certamente teria durado mais se Olga não tivesse agido. ‘Então a nossa blockova Olga Benario-Prestes ousou pedir a Zimmer que pusesse fim àquela situação insuportável’. Aquilo foi de um atrevimento sem precedentes. Até então, nenhuma prisioneira, e certamente nenhuma blockova, tinha ousado confrontar uma guarda e, segundo Ida, o protesto de Olga enfureceu Zimmer”, anota Sahan Helm. A guarda ameaçou mas Koegel impediu que as judias fossem fuziladas. Em seguida, as prisioneiras foram “buscar ferramentas e, depois, cavoucar areia”. As guardas colocavam cachorros para atacar as prisioneiras, que ficavam muito feridas.

O motivo do isolamento e espancamento das judias tinha a ver com o fato de que o marceneiro Georg Elser havia tentado matar Hitler. “Em vingança, os judeus nos campos de concentração foram punidos.” O protesto de Olga Benario, cobrando o fim do confinamento, foi co­rajoso. “Como resultado do seu protesto, a punição foi suspensa e as portas foram abertas.”

Quase no final de dezembro de 1939, Olga Benario volta a escrever para Leocádia e Lygia Prestes. A comunista continuava como blockova, sinal de que era eficiente e disciplinadora (o que não significa que fosse cruel). Certa feita, permitiu que uma menina cigana, de 3 anos, dormisse um pouco mais, porque estava doente. Johann Kantschuster, da SS, “agarrou a criança pelos cabelos, levou-a para o lago e a afogou”.

Quando Margarete Buber-Neumann chegou a Ra­vens­brück e contou as barbaridades do Gulag de Stálin, as comunistas, chocadas e irritadas, decidiram boicotá-la. “Olga Benario propôs que Grete levasse bola preta e o comitê comunista concordou.” Mesmo num campo de concentração, o stalinismo vigorava. Ressalve-se que Judith Buber Agassi, filha de Margarete Buber-Neumann, não acredita que a bola preta tenha sido articulada por Olga Benario. “Minha mãe sempre expressou admiração por Olga.” Mas Judith Buber Agassi confirma que as comunistas a trataram mal.

Em 1940, entre julho e novembro, por ter participado da encenação de uma peça de teatro, Olga Benario foi levada para o bunker e, depois, perdeu o posto de blockova. Passou a descarregar tijolos e, como as outras mulheres, ficou com as mãos feridas. Ao contrário das outras, as judias não podiam ser atendidas. “O médico chefe, Walter Sonntag, se recusava a tratar judeus.” Mas certa vez deixou Olga Benario usar luvas. Porém, quando a comunista carregou nos braços uma mulher doente e magérrima, levando-a ao hospital, Sonntag começou a gritar: “Porca judia” e “puta judia”. “Ele chutou Olga e a derrubou junto com a mulher que carregava. Ol­ga foi duramente espancada” e ficou várias semanas na solitária do bunker.

Em dezembro de 1940, Leocádia Prestes enviou uma fotografia de Anita Prestes para Ravensbrück. Olga Benario continuava lendo jornais, de maneira clandestina, “e começou a escrever um minijornal do campo em pedaços minúsculos de papel”.

Em maio de 1941, voltou a escrever a Luiz Carlos Prestes: “Do outono à primavera a gente sobrevive com base na esperança, depois olha para adiante novamente, para o próximo inverno. Por quanto tempo mais? Essa é a única pergunta urgente”. Em setembro, parou de escrever. “É quase certo que Olga tenha passado aquele verão na solitária escura do bunker, incapaz de escrever ou receber cartas, e muito só”, frisa Sarah Helm.

Passaporte de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario, agente de Stálin, quando vieram para o Brasil com o objetivo de organizar uma revolução comunista

Passaporte de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario, agente de Stálin, quando vieram para o Brasil com o objetivo de organizar uma revolução comunista

A SS estava satisfeita com o apoio das prisioneiras para gerir o campo. As presas políticas eram auxiliares eficientes. Mas a SS começou a matar algumas detentas. Em dezembro, Olga Benario escreveu a Luiz Carlos Prestes: “Só espero ter a força mental e as condições físicas necessárias para ser capaz de aguentar o inverno que se aproxima. A questão é só se este será o meu último”.

Hitler ordenara, em outubro de 1941, “a deportação de todos os judeus alemães”. Famílias inteiras estavam desaparecendo. Em Ravensbrück, mulheres estavam sendo selecionadas para os campos de extermínio na Polônia, como Auschwitz.

Em fevereiro de 1942, quando disseram que estavam reunindo as prisioneiras na casa de banho, Olga Benario disse às companheiras: “Isto é o fim. (…) É um transporte de extermínio”. “Maria Wiedmaier lembrou: ‘Olga disse que, se aquilo ‘fosse a morte certa’, ela tentaria escapar”. E, de fato, chegou a ordem: “Prepare as mulheres para o transporte”.

Sarah Helm revela que “as primeiras a deixar os blocos foram as judias, mas nem todas foram chamadas. Dentre as que ficaram estava Olga Benario”. As mulheres foram levadas em caminhões. As doentes foram as primeiras a serem transportadas. Judias que estavam sãs também foram levadas. Mas muitas, como a mulher de Luiz Carlos Prestes, ainda ficaram.
Olga Benario foi levada pela SS provavelmente depois de 19 de fevereiro de 1942. “Neste dia, ela escreveu carta para Lygia e Leocádia, colocando dentro do envelope uma para Luiz Carlos.” Desesperada, pede que continuem lutando por sua emigração.
Quando os nazistas a levaram, Olga Benario disse para Bertha Teege: “Se chegar ao ponto de que nos queiram matar, eu vou lutar”. É praticamente certo que a judia comunista tenha sido assassinada no centro de gaseamento do manicômio de Bernburg (cidade alemã ao sul de Berlim). Ela tinha 34 anos. A mãe de Olga, Eugenia, e o irmão, Ernst, “foram gaseados em Auschwitz”. ­ l

Carta de Olga Benario para Luiz Carlos Prestes

Meu querido Karli,

Acabei de receber sua carta de 12 de outubro. Admiro como você está progredindo no alemão e fico realmente sensibilizada com seus esforços. Recentemente, nossa correspondência ficou de novo prejudicada, e também não tive a possibilidade de escrever. Mas ambos sabemos que nossa relação não se abate com dificuldades externas.

No momento, tenho prazer pelo fato de os dias serem mais longos, esperando que o inverno termine logo. Você pode ter certeza de que jamais janeiro e fevereiro foram tão compridos como os atuais. Deve estar um calor de rachar onde você se encontra agora. Você está muito magro? E quanto aos cabelos grisalhos? O que você está lendo? As cartas são os únicos momentos felizes para mim, só que elas têm chegado cada vez menos nos últimos meses. Leio e releio a descrição do terceiro aniversário de Anita [em 27 de novembro]. Estranho, no entanto, que em meus sonhos ela teima em aparecer como o bebê que conheci, e não como a garotona que está crescendo no México. Tínhamos tanta coisa a debater sobre o modo de a criarmos… Como sempre, abraço-o com todo o meu amor, com todo o meu coração.

Sua Olga

Nota da redação: Na nota 8 (página 859), a respeito do capítulo Bernburg, Sarah Helm escreve: “Na biografia ‘Olga’, Fernando Morais cita uma última carta, na qual Olga teria dito ‘adeus’ e teria falado de ‘se preparar para a morte’. Porém, nos arquivos não há resquícios dessa carta e sua autenticidade é duvidosa”. Uma das principais fontes da escritora e jornalista britânica é Anita Leocádia Prestes, a filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes. Ela é doutora em história e fará 81 anos no fim deste ano

Link original: http://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/olga-benario-serviu-ss-como-blockova-no-campo-de-concentracao-nazista-de-ravensbruck-91484/

Vítimas do Holocausto Relembradas (EUA)


Fotos por AE Araiza / Arizona Daily Star

"Margarita

Os estudantes dividem as vagens do museu na vigésima sexta vigília anual do Holocausto na Universidade do Arizona, em Tucson, em 23 de março de 2017. As telas, muitas das quais eram recipientes de metal, reproduziram um carro de gado usado para transportar pessoas para campos de concentração, Auschwitz, e outras cenas. Durante as 24 horas de vigília, os estudantes leram cerca de 18.000 nomes dos milhões de vítimas do Holocausto, disse Michelle Blumenberg, diretora-executiva da Fundação HIllel. A.E. Araiza / Arizona Daily Star Os estudantes dividem as vagens do museu na vigésima sexta vigília anual do Holocausto na Universidade do Arizona, em Tucson, em 23 de março de 2017. As telas, muitas das quais eram recipientes de metal, reproduziram um carro de gado usado para transportar pessoas para campos de concentração, Auschwitz, e outras cenas. Durante as 24 horas de vigília, os estudantes leram cerca de 18.000 nomes dos milhões de vítimas do Holocausto, disse Michelle Blumenberg, diretora-executiva da Fundação HIllel. A.E. Araiza / Arizona Daily Star Uma palha espalhada e um balde senta-se no meio de uma vagem do museu, uma réplica de um carro do gado que esteja no indicador na vigília anual do holocausto 26 na universidade de Arizona em Tucson em 23 de março de 2017. A vara de metal battered foi usado para mostrar como as pessoas foram transportadas por trem para campos de concentração na Europa. Durante as 24 horas do evento, os alunos leram cerca de 18.000 nomes dos milhões de vítimas do Holocausto, disse Michelle Blumenberg, diretora executiva da Fundação HIllel. A.E. Araiza / Arizona Daily Star Uma palha espalhada e um balde senta-se no meio de uma vagem do museu, uma réplica de um carro do gado que esteja no indicador na vigília anual do holocausto 26 na universidade de Arizona em Tucson em 23 de março de 2017. A vara de metal battered foi usado para mostrar como as pessoas foram transportadas por trem para campos de concentração na Europa. Durante as 24 horas do evento, os alunos leram cerca de 18.000 nomes dos milhões de vítimas do Holocausto, disse Michelle Blumenberg, diretora executiva da Fundação HIllel. A.E. Araiza / Arizona Daily Star

"A

Um sinal, que em alemão lê

Link original: http://tucson.com/news/local/holocaust-victims-remembered/article_b144aa02-49c1-5104-88af-218336df67a9.html

Sobre tio Freud, Neném Prancha e a roubalheira brazuca


Em Traumdeutung, “A interpretação dos sonhos”, Freud apresenta a noção de deslocamento como um mecanismo essencial para a elaboração dos sonhos. Freud os aplica-os à formação de sintomas, de atos falhos, de ironias, de esquecimentos. Em suma: desloco quando lavo a roupa suja em outro lugar…

Pelo deslocamento uma quantidade de afeto se desliga da representação inconsciente, à qual estava atada, e vai ligar-se a uma outra, que só tem com a precedente laços de associação pouco intensos, adventicios, tênues. A fatura é espetada em outra conta.

Diz Freud “Os pensamentos do meu sonho, explica Freud, eram injuriosos para R.; para que eu não o note, são substituídos pelo seu oposto, a ternura”. Tio Freud dá também exemplos do quotidiano: o apego de uma solteirona por animais, a paixão de um solteirão pelas suas coleções, o ardor do soldado na defesa de um bocado de pano colorido, a bandeira, a fúria de Othelo por um lenço perdido.

Essa coisa chamada ser humano desloca para outros lugares a execução das faturas, digamos, nada potáveis para a existência.

O que a gente não engole e não suporta, a gente desloca: simples assim.

A ideologia faz uso, aos magotes, de deslocamentos.

Inglaterra do século 19, no início da Revolução Industrial, trabalhava-se 16 horas por dia. A média de habitação era de 26 pessoas por casa. Em 1821 um trabalhador lograva 16 shillings por semana, dez anos depois eram apenas 6 shillings. A esperança de vida era inferior a 40 anos.

As condições de saúde e infraestrutura eram abjetas. Veio a tuberculose em massa. O Times londrino satanizava em suas manchetes o Bacilo de Koch: ele era o monstro a gerar tudo aquilo. O Times londrino tirava a culpa da falta de condições sociais dadas aos migrantes do campo e metia a culpa no pobre bacilo.

Deslocou-se a culpa ao bacilo.

Nazistas, antes do massacrar judeus, fizerem seus primeiros balões de ensaio dizimando Testemunhas de Jeová, então batizados, enquanto cobaias do Holocausto, de “Triângulos Roxos”. Todo o caos econômico e social da República de Weimar (1918-1933) foi deslocado para crentes e judeus como “moeda de resgate” (o termo é Durkheim) de uma situação incontornável.

Maus governantes, quando não conseguem tourear a criminalidade, deslocam a culpa ao bandido. Não entra em discussão a falta de emprego que conduz ao crime.

Brasil

Finalmente chegamos ao maior deslocamento da história do Brasil. Seja o tucano Alstoniano e petroleiro, seja o petista mensaleiro e petroleiro, a culpa é lavada nos criminosos e delatores. Já falei aqui sobre quando a culpa é deslocada para os mortos:

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/morrer-pode-ser-fatal-no-brasil-culpa-de-012159261.html

Delatores delatando, petroleiros presos, a moeda de resgate exerceu o seu papel. Deslocou-se a culpa aos criminosos.

Mas a essência das coisas permanence: o ethos, a prática brasileira de virar político para poder roubar, e regatear cargos, segue incólume. O público aplaude a prisão dos culpados. E, deslocamento feito, nossos políticos seguem roubando. Afinal o público já foi toureado, tecnicamente, ao termos delsocado a culpa de tudo àqueles ora atrás das grades.

Agora: vejam o Tomasi di Lampedusa. Em seu livro Il Gattopardo, por aqui chamado O Leopardo, ele definia o funcionário público, burguês e corrupto, como “o bigodudo dançando na fachada do palácio, no frontão das igrejas, no alto dos chafarizes, nos azulejos das casas”. E que esse tipinho se constituía no símbolo maior da opulência de uma nobreza que se via ameaçada pela mudança, pelos novos ventos da República.

No livro, o Príncipe de Falconeri notava:
“A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.

Não se iludam: parace que algo mudou no Brasil com as prisões dos bandidos. Mas as coisas apenas foram deslocadas para eles. Basta lembrar quantos cargos e nomeações o PMDB acertou como o governo para poder apoiar a nomeação do ministro Fachin.

A estrutura segue: rompante em suas roubalheiras, ágil em seus delocamentos. E, sobretudo, feliz por que 50 gatos pingados foram para a cadeia para que ela possa seguir roubando…
Ou como diria o técnico de futebol Neném Prancha: “Quem pede, recebe: quem se desloca, tem preferência”

Link original: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/sobre-tio-freud-nenem-prancha-e-a-roubalheira-122219137.html