Archive for the ‘Negativa’ Category

[VEJA] É preciso encontrar alguém diante de quem se possa ajoelhar


Por Flávio Ricardo Vassoler
Diário de um Escritor
Um olhar para o cotidiano histórico e cultural da Rússia – mas muito além do futebol

Monumentos em homenagem aos mortos durante a 2ª Guerra Mundial se sucedem vertiginosamente por Moscou
Por Flávio Ricardo Vassoler

Enquanto caminho pela longa Avenida Gagárin, deparo com um monumento em homenagem aos militares mortos durante as guerras no Afeganistão, ainda sob a égide da União Soviética (1979-89), e na Tchetchênia (1994-96/1999-2000), já depois do colapso da URSS: um obelisco em cujo topo um anjo alado carrega (e sacraliza) o corpo de um soldado ceifado em combate.

Anjo alado segurando – e sacralizando – o corpo do soldado ceifado pela guerra, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Anjo alado segurando – e sacralizando – o corpo do soldado ceifado pela guerra, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Ao lado do obelisco, um grande painel de mármore enegrecido lista, em ordem alfabética, os nomes – ou melhor, os sobrenomes seguidos das iniciais dos nomes – dos militares que deixaram de existir.

Monumentos em homenagem aos mortos durante a Segunda Guerra Mundial – 20 milhões de soviéticos tombaram durante o conflito – se sucedem vertiginosamente: um na Avenida Gagárin, outro após as muralhas do Kremlin de Níjni Novgorod, ao centro do qual arde uma chama vigorosa e inexaurível como que a dizer: “Não nos esqueceremos de vocês”. Na sequência, novos painéis de mármore enegrecido com os (sobre)nomes dos militares que morreram pela pátria.

Noto que, raramente, as pessoas que por ali transitam se aproximam dos painéis de mármore. Vistas de longe, as listas que individualizam os mortos mais parecem uma viscosa e indiscernível sopa de letras de que a Mãe Rússia se alimenta – chego a sentir náusea ao pensar que o nacionalismo belicista dos russos drena, incestuosamente, seus filhos de volta para o útero da terra que os pariu.

Ao fim e ao cabo, a Avenida Gagárin desemboca na Praça Máximo Górki, em homenagem ao escritor de origem sumamente humilde nascido em Níjni Novgorod, em 1868. Logo me lembro do título tão singelo quanto concreto do segundo tomo da trilogia autobiográfica de Górki: Ganhando meu pão. O nomadismo da pobreza fizera de Górki vendedor de pássaros e caixeiro viajante; pintor de ícones e padeiro; ferroviário – e jornalista. Enquanto observo a estátua altiva do escritor, fico pensando em como a forja da sensibilidade literária de Górki ia extraindo lirismo de seu périplo pelos vários biscates: o chilreio e as cores dos pássaros; as histórias e estórias dos compradores pelas várias cidades; o detalhismo das gravuras religiosas; o calor do forno da padaria (verdadeiro bunker contra o inverno russo) e os nacos de pão surrupiados; o vapor malemolente das locomotivas e a cadência dos vagões pelas bitolas; as vivências sendo impressas (ganhando corpo, Ganhando meu pão) nas páginas dos jornais.

Estátua do escritor Máximo Górki, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Estátua do escritor Máximo Górki, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Súbito, alguém toca em meu braço.

– Me desculpe incomodar, mas você não quer que eu tire uma foto sua ao lado da estátua do Górki? É que eu te vi todo compenetrado a olhar para o escritor…

Logo fico sabendo que a simpática Ekatierina (chamemo-la assim) é uma testemunha de Jeová (isto é, uma dissidente) na Rússia cada vez mais ortodoxa sob o punho de Vladimir Putin.

Kátia me relata que já sofreu constrangimentos policiais por causa de suas tentativas de evangelização pelas ruas de Níjni Novgorod. “É por isso que estou me mudando para a Ucrânia. Em Kiev, não há nada disso, lá eu posso ser quem eu sou. Por lá, a situação econômica é bem mais difícil, mas não há na Ucrânia um movimento de unificação religiosa como está acontecendo na Rússia. Ser ortodoxo – ter uma única religião –, na cabeça de quem comanda, parece contribuir para a unidade do país. É como se, com nossas reuniões semanais para debate dos textos bíblicos, como testemunhas de Jeová, nós fôssemos agentes centrífugas, verdadeiros espiões antinacionais. É preciso estar na igreja, é preciso ser ortodoxo. Se eu não faço parte da maioria, se eu não adenso a massa de fiéis alinhados com o pendor religioso de um Estado cada vez menos laico, eu não sou bem-vinda. A massa ou o exílio – já não parece haver meio-termo. Eles escutam nossas conversas pelo celular, eles nos espreitam como se não fôssemos russos – ser russo, para eles, implica ser ortodoxo; ser russo, para eles, implica não trazer quaisquer “divisões” à sociedade. Se não estamos assistindo à formação de um consenso profundamente autoritário, eu já não sei dizer o que está acontecendo. Por favor, escreva sobre isso, mas não divulgue meu verdadeiro nome – apenas diga para as pessoas que a Rússia não se livrou do fanatismo. Não! Nós escapamos da propaganda comunista e caímos no colo da liturgia do nacionalismo e da ortodoxia. O povo parece não querer pensar por si próprio – o vácuo de ideias impostas pela cúpula do poder é perigoso: ele pode fazer lembrar que nós temos que pensar por nós mesmos. Isso é democrático – e a democracia é perigosa! A democracia é centrífuga, ela traz dissensões, e isso é perigoso, porque, segundo eles (os de cima), nós precisamos de alinhamento, nós precisamos de unidade. Vocês já não tiveram democracia após o colapso da União Soviética? – perguntam os de cima. E o que aconteceu? Perdas territoriais, o país à beira da guerra civil. Agora, prosseguem os de cima, vocês precisam de um líder (um guia, um pai, um tsar); agora vocês precisam da religião (uma única religião, uma doutrina, uma identidade), pois só assim a Rússia será una e forte novamente. E eu estou cansada de tudo isso – cansada e com medo. Por isso, estou indo embora, preciso abandonar o meu próprio país que já não sabe (e já não quer) me acolher”.

Fico pensando nas palavras de Kátia e me vem à mente, ainda uma vez, a náusea dos monumentos em homenagem aos militares mortos em defesa da pátria. Os soldados se vão; seus nomes, supostamente individualizados, se embaralham nas listas (nas lápides) de mármore negro, mas a pátria, a Mãe Rússia (o útero e o sepulcro, o princípio e o fim), a pátria permanece, a pátria se unifica, a pátria convoca à ortodoxia para, em nome da unidade nacional, arregimentar fiéis para as igrejas e soldados para os batalhões e guerras vindouros, conflitos que gerarão mais monumentos em homenagem aos militares mortos em defesa da pátria; pátria que, com as mortes heroicas, se une e se engrandece – conhecemos algum afeto mais sólido do que o ímpeto de vingança e a saudade dos entes queridos? E, para o nacionalismo e para a ortodoxia – a bem dizer, para o nacionalismo ortodoxo –, ser testemunha de Jeová ou católico, protestante, muçulmano ou ateu aponta para o caráter centrífugo do indivíduo que destoa da massa, o indivíduo que não se quer arrolado pela lista, o indivíduo que não se vê membro da família, da religião ou do Estado – o indivíduo que tenta dizer eu, eis o inimigo. É por isso que, para a ortodoxia de Estado, para a ortodoxia nacional, uma mulher não se chama Ekatierina ou Ksênia; uma mulher, antes de mais nada, deve pertencer à família e parir; parir um fiel para a Igreja (crescei e multiplicai-vos); parir um soldado para o Estado (eis a multiplicação dos pães e dos peixes). Ajoelhar-se diante do clérigo ortodoxo (amém); ajoelhar-se diante do oficial militar (sim, senhor).

“Para o homem livre, não há desespero maior do que encontrar alguém diante de quem ele possa se ajoelhar”. Com essa frase, o grande inquisidor de Dostoiévski, personagem composta pelo intelectual Ivan Karamázov em Os irmãos Karamázov (1880), pensava exprimir uma tendência (o discurso da servidão voluntária) comum aos mais diversos povos – a bem dizer, ao “homem” em qualquer tempo e em qualquer lugar. Quem me ajudou a entrever, com mais acuidade, o caráter eminentemente russo da colocação do grande inquisidor foi a estudiosa da obra de Dostoiévski Galina Boríssovna Ponomariova (1935 – ), que foi diretora do Museu-Casa Dostoiévski, em Moscou, de 1983 a 2017. Para Ponomariova, que vê em Vladimir Putin um líder forte e carismático, os russos rechaçam a democracia pelo fato de as instituições republicanas – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário; a vontade soberana do povo por meio do voto – serem entes de poder meramente abstratos; “os russos”, prossegue Ponomariova, “querem ver o corpo e a concretude do soberano, os russos querem ouvir sua voz e ver as inflexões de seu rosto – os russos, em suma, querem tocar a aura daquele que os governa”.

O neotsar Vladimir Vladímirovitch Putin (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

O neotsar Vladimir Vladímirovitch Putin (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Em Mein Kampf (Minha luta, 1925), Adolf Hitler sentenciou que, ao falar com as massas, pelas massas e para as massas, o orador não deveria lançar mão de argumentos lógicos e concatenados, mas, sim, apelar para o sentimentalismo e a emotividade, com argumentos vagos e repletos de arroubos de retórica, como se estivesse flertando com uma “mulher” – para a misoginia autoritária de Hitler, as massas eram tão suscetíveis e volúveis quanto uma “mulher”.

Não à toa, o judoca Vladimir Putin já foi veiculado pela mídia, inúmeras vezes, com o torso nu e a reboque de atividades tidas como viris, tais como caçadas e cavalgadas. Salvo engano, a última aparição seminua de Putin – aparição devidamente veiculada pela TV estatal – se deu no dia 19 de janeiro deste ano, quando o presidente mergulhou nas águas gélidas do lago Seliger, a aproximadamente 400 km ao norte de Moscou, para celebrar a Epifania ortodoxa, festividade que relembra o batismo de Jesus Cristo nas águas do rio Jordão. No momento da aparição viril e epifânica de Putin, os termômetros marcavam -5ºC.
É assim que, para arrematar o pathos político da alma russa, Galina Boríssovna Ponomariova sentencia que “os russos, a bem dizer, querem não a democracia, mas o retorno da monarquia. Os russos ainda não estão prontos para tanto, mas é o que eles querem”.

 

Sobre o autor

Flávio Ricardo Vassoler, escritor e professor, é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA). É autor das obras O evangelho segundo Talião (nVersos, 2013), Tiro de misericórdia (nVersos, 2014) e Dostoiévski e a dialética: Fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018), além de ter organizado o livro de ensaios Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman: O niilismo da modernidade (Intermeios, 2012) e, ao lado de Alexandre Rosa e Ieda Lebensztayn, o livro Pai contra mãe e outros contos (Hedra, 2018), de Machado de Assis. Página na internet: Portal Heráclito, http://www.portalheraclito.com.br.

Link original: https://veja.abril.com.br/blog/diario-de-um-escritor/e-preciso-encontrar-alguem-diante-de-quem-se-possa-ajoelhar/

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[newsweek] [VÍDEO] Rússia diz que Estados Unidos não tem “direito moral” de exigir liberação das Testemunhas de Jeová (Inglês)


De Jason Lemon

Testemunhas de Jeová no mundo

A Rússia disse que o governo dos EUA não tem “nenhum direito moral” de exigir a libertação de prisioneiros religiosos ou políticos, como detiver as Testemunhas de Jeová.

Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicado pedindo à Rússia que liberte mais de 150 prisioneiros detidos por motivos religiosos ou políticos. O pedido de Washington veio quando Moscou estava cercando as Testemunhas de Jeová no país. Entre outros prisioneiros, os EUA pediram especificamente a libertação de Dennis Christensen , um cidadão dinamarquês que foi detido por mais de um ano devido à sua afiliação com o grupo religioso.

Jarrod Lopes, representante de comunicações da sede mundial das Testemunhas de Jeová, disse à Newsweek que 20 pessoas estão atualmente detidas na Rússia. Outros dois estão sob prisão domiciliar e 15 foram obrigados a assinar acordos para não deixar a área onde residem.

Uma foto tirada em Moscou em 6 de maio de 2016 mostra a Igreja Ortodoxa Russa Russa do Arcanjo dedicada ao Arcanjo Miguel JOEL SAGET / AFP / Getty Images

Uma foto tirada em Moscou em 6 de maio de 2016 mostra a Igreja Ortodoxa Russa Russa do Arcanjo dedicada ao Arcanjo Miguel JOEL SAGET / AFP / Getty Images

VÍDEO NO LINK ORIGINAL
Link original: http://www.newsweek.com/russia-says-us-no-moral-right-demand-jehovahs-witnesses-release-983932

[RadioFreeEuropeRadioLiberty] Fé ‘Extremista’: as Testemunhas de Jeová Russas Relatam Ondas de Incursões Policiais, Detenções (Inglês)


Em 30 de maio, agentes do departamento regional de Magadan do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) bateram no apartamento de Tatyana e Konstantin Petrov.

“Começou por volta das 10 horas da noite e não terminou às 4 da manhã”, disse Tatyana Petrova sobre o ataque. “Eu não vi como isso começou porque eu estava na cozinha, mas ouvi meu marido ir até a porta. Ouvi uma mulher se apresentar como alguém da companhia elétrica. Ela disse que precisava ler o medidor. Meu marido abriu a porta e, em seguida, toda uma multidão de pessoas entrou no apartamento “.

“Eu estava com muito medo de sair”, continuou ela. “Eu estava simplesmente em choque e fiquei petrificado na cozinha. Ouvi barulhos altos quando meu marido foi jogado no chão. Eles começaram a perguntar-lhe: ‘Você é Petrov?’ … Então eles o levaram embora e eu não o fiz vê-lo novamente “.

Em 14 de junho, um tribunal de Magadan confirmou a detenção de Petrov sob acusação de “fomentar o ódio ou a inimizade com base em sexo, raça, nacionalidade ou religião”. Petrova disse à RFE / RL que acredita que o caso deriva de uma Testemunha de Jeová reunida em um hotel local que Petrov ajudou a organizar.

“Como de costume nessas reuniões, discutimos a Bíblia”, disse Petrova. “Esse é o crime que eles estão acusando meu marido.”

Tatyana e Konstantin Petrov em 2017

Tatyana e Konstantin Petrov em 2017

A história dos Petrovs está longe de ser única. Yaroslav Sivulsky, membro da Associação Européia de Testemunhas Cristãs de Jeová, disse à RFE / RL que histórias quase idênticas foram relatadas nas últimas semanas em cidades de Ivanovo, no oeste da Rússia, até a cidade natal de Petrovs, Magadan, no Extremo Oriente.

“Sempre acontece à noite ou à noite, quando as pessoas estão dormindo e o efeito da surpresa é mais eficaz”, disse Sivulsky à RFE / RL. “Às vezes as forças de segurança descobriram antes do tempo onde pequenas reuniões de amigos estão sendo realizadas, literalmente de três a cinco pessoas. Aparentemente, seus telefones estão sendo monitorados ou estão sendo seguidos.”

Monitores russos de direitos humanos dizem que 17 Testemunhas de Jeová foram detidas desde que o governo russo rotulou formalmente a denominação de “organização extremista” em julho de 2017.

“Sempre acontece à noite”, continuou Sivulsky, “quando as pessoas retornam do trabalho e se reúnem para ler a Bíblia. E de repente agentes de segurança pulam cercas, derrubam portas sem bater, ou entram dramaticamente em cena em alguma outra caminho.”

Defensores das Testemunhas de Jeová dizem que conseguiram uma pequena vitória em 25 de maio.

“Um tribunal de apelações em Birobidzhan ordenou a libertação de nosso co-religioso Alam Aliyev da custódia”, disse Sivulsky. “O juiz até fez vários comentários críticos às autoridades. Não sei como isso aconteceu, mas aconteceu.”

É um caso único, no entanto. Os tribunais das outras cidades aprovaram as detenções e, em alguns casos, autorizaram extensões a pedido dos promotores.

Em 7 de junho, Petrova e pelo menos nove outras esposas de Testemunhas de Jeová detidas enviaram uma carta aberta aos membros do conselho presidencial de direitos humanos que descreveram como “um grito de desespero”. A carta pede ao conselho para informar o presidente Vladimir Putin sobre os casos e “usar todas as medidas legais para restaurar os direitos dos crentes”.

“Hoje, 17 dos nossos crentes estão em prisões de prisão russa”, diz a carta. “Um deles está detido há mais de um ano. Dezenas de outros em 11 regiões da Rússia estão sob prisão domiciliar e impedidos de deixar o país. A cada dia que passa, o número deles aumenta.”

Os detidos são culpados de nada mais do que “ler os ensinamentos da Bíblia e orar a Deus”, acrescenta.

Banido pela leitura da Bíblia

Petrova disse à RFE / RL que ela sente uma mudança na visão pública dela desde que o governo rotulou a denominação de um grupo extremista.

“As pessoas dizem para nós: ‘Você deveria ter sido jogado na prisão há muito tempo'”, disse ela. “Mas para quê? De acordo com a Bíblia, Jesus Cristo disse a todo cristão para espalhar as boas novas da salvação e da vinda do paraíso na terra, quando as pessoas viverão para sempre em felicidade. Meu marido e eu acreditamos nisto e nos sentimos chamados a diga às pessoas sobre essa boa notícia. ”

A Suprema Corte da Rússia, em julho de 2017, confirmou a decisão de que as Testemunhas de Jeová deveriam ser consideradas uma organização extremista, proibindo efetivamente a denominação do país.

A decisão original, emitida em abril de 2017, foi a primeira vez que uma organização religiosa registrada inteira foi proibida pela lei russa.

Visto por muito tempo com suspeita na Rússia por suas posições no serviço militar, votação e autoridade governamental em geral, as Testemunhas de Jeová – que reivindicam cerca de 170.000 adeptos na Rússia e 8 milhões em todo o mundo – estão entre várias denominações que estão sob crescente pressão anos recentes.

A denominação começou a operar na Rússia e na antiga União Soviética no início dos anos 90.

Escrito por Robert Coalson baseado no relatório do correspondente da RFE / RL na Siberia Desk, Andrei Filimonov

Link original: https://www.rferl.org/a/russia-jehovahs-witnesses-report-wave-of-police-raids-detentions/29292501.html

[DIÁRIO DA REGIÃO] Juiz ordena transfusão de sangue em bebê de Testemunhas de Jeová


Procedimento foi feito nesta terça e criança passa bem, segundo o hospital

Por Francela Pinheiro

A Justiça concedeu liminar, nesta terça-feira, 24, para autorizar a Santa Casa de Rio Preto a realizar transfusão de sangue em um recém-nascido, filho de Testemunhas de Jeová. A religião proíbe o procedimento. Mas diante do quadro de distúrbio de coagulação, hemorragia grave e anemia, o hospital recorreu à Justiça e ganhou o direito de realizar a transfusão um dia depois do pedido ser protocolado na 1ª Vara Cível da Cidade. O procedimento foi realizado nesta terça-feira e o bebê passa bem, segundo o hospital.

A criança, um bebê do sexo masculino, nasceu na Santa Casa no último dia 17, e foi internado um dia depois com quadro de desidratação e hipoatividade. No dia 19, a criança foi encaminhada para UTI Neonatal por conta da piora. Depois de intubado, o recém-nascido apresentou distúrbio de coagulação, sangramento digestivo alto e, como consequência, anemia.

“Entramos com a medicação necessária, mas chega uma hora que não tem jeito”, disse o provedor da Santa Casa, José Nadim Cury. O relatório médico foi juntado no pedido, “concluiu que é indispensável a realização, em caráter de extrema urgência, de transfusão de sangue no recém-nascido da requerida, pois todos os tratamentos alternativos não apresentaram condições de reverter a piora de seu quadro clínico.”

Apesar da constatação, a mãe da criança negou a transfusão e assinou um termo de responsabilidade em que assumiu o risco do bebê morrer pela falta do procedimento. Baseado no Código Civil, no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), em determinações internacionais e nos artigos 31 e 32 do Código de Ética Médica, o hospital acionou a Justiça. “Estamos cumprindo com a nossa função de salvar vidas”, reafirmou Nadim.

Para o juiz Lavínio Donizetti Paschoalão, o direito à vida vem em primeiro lugar. “Preservada a garantia constitucional do direito a crença e culto religioso, o direito à vida é de ser tutelado em primeiro lugar pelo Estado, dada ordem de grandeza que envolve um e outro direito, evidenciando a presença do fumus bonijuris (perigo da demora).”

Paschoalão também ressaltou a necessidade da transfusão sanguínea. “A documentação que veio acompanhando o pedido inicial revela o estado grave em que se encontra a criança, de molde a não prescindir da transfusão sanguínea, o que, como alega a autora na inicial (Santa Casa), se mostra provável, revelando, pois, a presença do periculum in mora”, diz trecho da sentença.

Notificados no mesmo dia da concessão da liminar, a decisão já garantiu o procedimento. “Já está sendo feito”, afirmou Nadim. Segundo ele, a decisão de procurar a Justiça foi baseada no princípio do hospital de salvar vidas em primeiro lugar. “Não tivemos outra alternativa, falamos com os pais, mas eles não nos autorizaram. Temos que respeitar a crença, mas o direito a vida vem em primeiro plano”, ressaltou o médico.

O Diário tentou falar com os pais do bebê por meio da Santa Casa, mas a família não se pronunciou sobre a decisão.

De acordo como Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos de Nova York, toda pessoa deve ter o direito de liberdade de pensamento, de consciência e de religião garantida por Lei. Em um segundo momento o pacto ainda afirma que ninguém poderá ser forçado a se submeter a algo que possa restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religião ou crença de sua escolha. Já um terceiro ponto do artigo afirma que a liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita apenas “a limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.”

Afirmação usada pela defesa da Santa Casa para reforçar o direito de realização da transfusão de sangue. “Estando o recém-nascido aos cuidados do hospital requerente, cabe a este o zelo pela sua saúde, integridade física, devendo utilizar de todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente.” (FP)

Link original: https://www.diariodaregiao.com.br/_conteudo/2018/04/cidades/rio_preto/1104068-juiz-ordena-transfusao-de-sangue-em-bebe.html

[Saraiva Repórter] Funcionário da Eletrobras morre em colisão frontal de motos na PI-459 e casal fica ferido


Um grave acidente registrado por volta das 9h20min da manhã desta sexta-feira (20 de abril de 2018), na PI-459, na localidade Fazendinha, a 10 Km da cidade de Paulistana, no Sudoeste do Piauí, envolvendo duas motocicletas, matou o funcionário da Eletrobras, Laerte Júnior Alcântara Gonçalves, de 30 anos, que era Testemunha de Jeová e deixou um casal ferido.

Laerte Júnior era leiturista da Eletrobras e era lotado na agência da cidade de Paulistana, mas residia na cidade de Picos, a 307 km de Teresina, no Sul do Piauí. Ele teve morte imediata no local do acidente, onde ocorreu uma colisão frontal entre a moto que ele pilotava e outra moto que era ocupada pelo casal que saiu ferido no acidente.

PM e populares estiveram no local do acidente na PI-459.

PM e populares estiveram no local do acidente na PI-459.

De acordo com a Polícia Militar, ficaram feridos no acidente, um homem conhecido por Teobaldo e sua companheira Elcimar, que moram na localidade Malhadinha do Pau Ferro. Teobaldo sofreu escoriações e ferimentos no corpo e Elcimar sofreu pancadas na cabeça e teve que ser transferida para o Hospital de Picos-PI.

Veja o local onde o funcionário da Eletrobras morreu na colisão de duas motos na PI-459.

Veja o local onde o funcionário da Eletrobras morreu na colisão de duas motos na PI-459.

Segundo informações obtidas no local do acidente, o funcionário da Eletrobras, Laerte Júnior seguia no sentido do povoado Barro Vermelho, pilotando uma moto da Eletrobras e o casal seguia na outra motocicleta em direção à cidade de Paulistana-PI, quando acabou ocorrendo a colisão entre as duas motos.

Veja a moto da Eletrobras que Laerte Júnior pilotada no momento do acidente.

Veja a moto da Eletrobras que Laerte Júnior pilotada no momento do acidente.

De acordo ainda com as informações obtidas no local, o leiturista Laerte teria invadido a contramão supostamente para desviar de buracos na pista e colidiu de frente com uma moto Bros que transportava o casal.

Veja a outra moto que era ocupada pelo casal.

Veja a outra moto que era ocupada pelo casal.

As Policias Militar e Civil e Funcionários da Eletrobrás estiveram no local do acidente. Um carro funerário transportou o corpo do funcionário da Eletrobras para o Hospital de Paulistana para ser submetido a exames e em seguida liberado para a família.

Laerte Júnior Alcântara Gonçalves morreu em acidente na PI-459.

Laerte Júnior Alcântara Gonçalves morreu em acidente na PI-459.

Local onde o funcionário da Eletrobras morreu no acidente na PI-459.

Local onde o funcionário da Eletrobras morreu no acidente na PI-459.

Local onde ocorreu o acidente

Local onde ocorreu o acidente

Moto que o funcionário da Eletrobras ocupava

Local onde o funcionário da Eletrobras morreu no acidente.

Local onde o funcionário da Eletrobras morreu no acidente.

Fonte: FN Notícias

Link original: http://www.saraivareporter.com/index.php?option=com_content&view=article&id=24241:2018-04-20-18-12-14&catid=39:quentinhas&Itemid=57

[FOLHA DE SÃO PAULO] O dinamarquês preso e acusado de ‘extremismo’ na Rússia por ser testemunha de Jeová


Julgamento de Dennis Christensen começa nessa terça; ele pode ser condenado a até 10 anos de prisão

Detido há 11 meses na Rússia, o dinamarquês Dennis Christensen pode ser condenado a até 10 anos de prisão – HRW/Testemunhas de Jeová

Mal o dinamarquês Dennis Christensen tinha começado a fazer uma pregação na casa em que se reunia com Testemunhas de Jeová quando o local foi invadido por policiais para prendê-lo.

Isso ocorreu há onze meses, no dia 25 de maio do ano passado, na cidade de Oryol, a 360 quilômetros ao sul de Moscou. A polícia e agentes do serviço secreto confiscaram uma Bíblia, livros com conteúdo religioso, laptops e discos rígidos na operação.

Christensen, 46, ainda está preso. O julgamento dele começa nesta terça. Se for declarado culpado de organizar atividades do que promotores do país veem como “organização extremista” pode ser condenado a até 10 anos de prisão.

Um mês antes de Christensen ter sido detido, a Suprema Corte russa havia proibido as atividades dos seguidores da religião Testemunhas de Jeová e ordenado o confisco de propriedades da organização no país, onde o grupo tinha 395 centros e cerca de 200 mil seguidores.

As autoridades russas consideram que o movimento religioso cristão é uma “ameaça aos direitos dos cidadãos, à ordem social e à segurança pública”.

O Ministério da Justiça afirmou na época que o movimento distribuía panfletos que incitavam o ódio a outros grupos.

Um desses panfletos citava o escritor russo Leon Tolstói descrevendo a Igreja Ortodoxa Russa como superstição e feitiçaria.

As Testemunhas de Jeová são uma organização religiosa internacional, criada nos EUA no fim do século 19, que compartilha preceitos de outras correntes do cristianismo, mas baseia suas crenças numa interpretação própria da Bíblia; seus seguidores não acreditam na poder divino de Cristo.

Seus seguidores, estimados em cerca de 8 milhões em todo o mundo, são conhecidos pela pregação de porta em porta.

Apesar da proibição, o dinamarquês Dennis Christensen, que tem permissão de residência no país desde 2000, continuou os trabalhos religiosos da organização na Rússia.

De acordo com seus advogados, as acusações contra ele estão relacionadas também a outros incidentes ligados a atividades de incentivo a publicações religiosas, a manutenção de locais para culto e ao arrebanhamento de novos fiéis.

PRESO POR LER A BÍBLIA

Organizações de defesa dos direitos humanos questionam o encarceramento de Christensen e pedem que ele seja libertado.

“As autoridades russas estão buscando castigar uma Testemunha de Jeová por exercer seu direito a praticar sua religião”, afirma Rachel Denber, diretora adjunta da organização Human Rights Watch para Europa e Ásia Central.

“Desde o princípio, os investigadores estão deformando a participação pacífica de Dennis Christensen para que a conduta dele se pareça com um delito. Ele não fez nada de mau e deveria ser liberado”, completa Denber.

Dennis Christensen vive em Oryol há dez anos e é casado com uma russa. Apesar de participar com regularidade de encontros do movimento, ele nega pertencer ao comando das Testemunhas de Jeová na Rússia.

“Nunca foi membro da entidade legal, da organização religiosa local. É apenas um dos nossos crentes em Oryol. Nada especial”, afirma Yaroslav Sivulskiy, porta-voz das Testemunhas de Jeová na Rússia à revista norte-americana Newsweek.

“Eles o prenderam simplesmente por ler a Bíblia”, salienta Sivulskiy, dizendo que agora a legislação permite acusações desse tipo. “Se copiam esse tipo de ação em outros lugares, não haverá mais lugar seguro. Podem ir a sua casa e onde for”, lamenta o porta-voz.

A operação policial do dia 25 de maio do ano passado pode ser vista no YouTube. As imagens mostram agentes de segurança mascarados entrando num local onde dezenas de pessoas estão sentadas.

Vestindo terno marrom e camisa preta, Christensen aparece dialogando com os agentes. Vários fiéis foram detidos, mas apenas o dinamarquês permaneceu preso.

COMPARADOS AO EI

Ao proibir a atuação das Testemunhas de Jeová classificando-os como “extremistas” em abril do ano passado, a Justiça russa colocou os seguidores do grupo na mesma categoria dos militantes do autodenominado Estado Islâmico.

“Fundada nos EUA no século 19, as Testemunhas de Jeová têm sede mundial em Warwick (próximo a Nova York) e, junto com todos os grupos liderados por estrangeiros fora do controle do Estado, são vistos com profunda suspeita pela versão pós-União Soviética da KGB, o FSB, serviço federal de segurança”, explica Andrew Higgings, correspondente em Moscou do jornal americano The New York Times.

Já faz alguns anos que as minorias religiosas do país começaram a sentir pressão do governo russo.
Uma lei antiextremismo aprovada em 2002 determinou que é ilegal – exceto para a Igreja ortodoxa ou outras instituições religiosas tradicionais no país – proclamar a oferta de um caminho para a salvação religiosa ou política.

Mas a Rússia, observa a ONG Human Rights Watch, é obrigada a proteger os direitos de liberdade religiosa e de associação por ser país membro do Conselho da Europa e signatário da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

“O caso contra Christensen e as investidas contra os adeptos das Testemunhas de Jeová viola o direito à liberdade de religião, nega-lhes o direito de culto e não pode ser justificado como medida necessária ou proporcional para proteger a segurança pública ou a ordem pública”, avalia a organização de direitos humanos.

O caso de Christensen, destacou o jornal dinamarquês The Copenhagen Post, foi o primeiro de prisão de estrangeiro depois da nova lei russa. Yaroslav Sivulskiy, porta-voz das Testemunhas de Jeová no país, assegura que é a primeira vez que um seguidor da religião é preso desde o fim da União Soviética.

Muitos no país temem que não seja o último. As Testemunhas de Jeová reportam que desde que a nova legislação entrou em vigor, já contabilizaram 40 incidentes de agressão.

BBC BRASIL

Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/04/o-dinamarques-preso-e-acusado-de-extremismo-na-russia-por-ser-testemunha-de-jeova.shtml

[TV JORNAL] Testemunhas de Jeová são assaltadas na Zona da Mata Norte de PE


Por TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

Um grupo de Testemunhas de Jeová foram assaltados, na Sexta-Feira Santa (31), no município de Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. De acordo com testemunhas, as pessoas estavam evangelizando no distrito de Queimadas quando foram abordados por suspeitos armados.

Abordagem

Ainda segundo testemunhas, os assaltantes chegaram em uma motocicleta e anunciaram o assalto. Eles levaram diversos pertences de mais de 20 pessoas que estavam pregando a palavra de Deus pelas casas e ruas da localidade. Em seguida, os suspeitos fugiram.

Após o crime, as vítimas procuraram a 46ª Delegacia de Polícia Civil.

Link original: http://tvjornal.ne10.uol.com.br/noticia/ultimas/2018/04/02/testemunhas-de-jeova-sao-assaltadas-na-zona-da-mata-norte-de-pe-41008.php