Archive for the ‘Violações’ Category

[DM / Entretenimento] Hoje na História


7 de julho é o 188º dia do ano no calendário gregoriano (189º em anos bissextos)

EVENTOS HISTÓRICOS
1456 – Joana d’Arc é absolvida (após ter sido executada). – Joana d’Arc ( 1412 – 30 de maio de 1431), cognominada “A Donzela de Or­léans” e também conhecida como Joana d’Arc, a ruiva é uma heroí­na francesa e santa da Igreja Cató­lica. É a santa padroeira da França e foi uma chefe militar da Guerra dos Cem Anos, durante a qual to­mou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os Borguinhões e seus aliados ingleses. Foi executada na fogueira, em um auto de fé pelos Borguinhões em 1431. Camponesa, modesta e analfabeta, foi uma már­tir francesa e também heroína de seu povo, reabilitada 25 anos após sua morte, em 1456, pelo Papa Ca­listo III, por considerar seu proces­so inválido, e canonizada em 1920, pelo papa Bento XV.

1515 – As Cortes de Castela de­claram formalmente a anexação do Reino de Navarra à Coroa de Castela.

1520 – Ocorre a Batalha de Otumba. – Por volta de março de 1519, Hernán Cortés, com um exér­cito de conquistadores desembar­cou na costa leste do México. Cortés havia recebido ordens de subjugar a região (na época dominada pelo Império Asteca) em nome do Reino da Espanha. Através de força bruta e manobras politicas, os espanhóis conseguiram firmar alianças com os povos Totonacas e Tlaxcaltecas (inimigos jurados dos astecas) e as­sim reuniram um grande exército e então marcharam rumo a cidade de Tenochtitlan, a maior da região. Em novembro, tropas espanholas adentraram na cidade e foram rece­bidas pelo seu governante, o impe­rador Moctezuma II. Inicialmente, os conquistadores europeus foram bem recebidos e não houve tantos tumultos, contudo tensões entre as partes escalaram e ao fim de junho de 1520 os nativos expulsaram os espanhóis e seus aliados tlaxcalte­cas de Tenochtitlan, no evento que ficou conhecido como La Noche Triste (“A noite triste”). Cortés ini­ciou então uma retirada até Tlax­cala, enquanto suas forças eram importunadas por guerrilheiros as­tecas. Foi então que a liderança as­teca resolveu pega-los enquanto recuavam. Após ser expulso da ci­dade pelos nativos na “Noite Tris­te”, as forças espanholas remanes­centes fugiram para as planícies do vale de Otumba, onde eles encon­traram uma grande tropa Asteca de no mínimo 20.000 combatentes. Os astecas não conseguiram sobrepu­jar o inimigo completamente, ape­sar destes estarem em muito menor número e ainda estarem cansados e famintos. Os espanhóis também usaram muito bem os poucos ca­valeiros que tinham, assustando os astecas com ataques frontais. No fi­nal, os espanhóis e os tlaxcalanos conseguiram botar o exército aste­ca em retirada, após uma violenta batalha. Os conquistadores então se reagruparam e recuperam sua força e mais tarde lançariam no­vas ofensivas em território asteca.

1769 – Guilherme Stephens re­cebe a administração da Fábrica de Vidros da Marinha Grande.

1877 – Parte para Angola, a bor­do do paquete Zaire, a primeira ex­pedição geográfica portuguesa ao sertão africano, chefiada por Ser­pa Pinto e Hermenegildo Capelo.

1942 – Himmler decide dar iní­cio aos experimentos com prisio­neiros em Auschwitz. – Auschwitz (em alemão: Konzentrationslager Auschwitz, pronunciado, também KZ Auschwitz ou KL Auschwitz) é uma rede de campos de concen­tração localizados no sul da Polô­nia operados pelo Terceiro Reich e colaboracionistas nas áreas polo­nesas anexadas pela Alemanha Na­zista, maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. A partir de 1940, o governo de Adolf Hitler construiu vários campos de concen­tração e um campo de extermínio nesta área. A razão direta para sua construção foi o fato de que as pri­sões em massa de judeus, especial­mente poloneses, por toda a Euro­pa que ia sendo conquistada pelas tropas nazistas, excediam em gran­de número a capacidade das pri­sões convencionais até então exis­tentes] Ele foi o maior dos campos de concentração nazistas, consis­tindo de Auschwitz I (Stammlager, campo principal e centro adminis­trativo do complexo); Auschwitz II – Birkenau (campo de extermínio), Auschwitz III – Monowitz, e mais 45 campos satélites. Por um longo tempo, Auschwitz era o nome ale­mão dado a Oświęcim, na Baixa Po­lônia, a cidade em volta da qual os campos eram localizados. Ele tor­nou-se novamente oficial após a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939. “Birkenau”, a tradução alemã para Brzezinka (flo­resta de bétulas), referia-se original­mente a uma pequena vilapolonesa que foi destruída para que o campo pudesse ser construído. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o Reichsführer da SS, deu ordens para que a área dos antigos aloja­mentos da artilharia do exército, no local agora oficialmente nomina­do Auschwitz, ex-Oświęcim, fosse transformada em campos de con­centração.[4] No complexo cons­truído, Auschwitz II – Birkenau foi designado por ele como campo de extermínio e o lugar para a Solução Final dos judeus. Entre o começo de 1942 e o fim de 1944, trens trans­portaram judeus de toda a Europa ocupada para as câmaras de gás do campo.[5]:6 O primeiro comandan­te, Rudolf Höss, testemunhou de­pois da guerra, no Julgamento de Nuremberg, que mais de três mi­lhões de pessoas haviam morrido ali, 2.500.000 gaseificadas e 500.000 de fome e doenças.[6] Hoje em dia os números mais aceitos são em tor­no de 1,3 milhão, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados para Auschwitz e executados foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos ro­menos, 15 mil prisioneiros de guer­ra soviéticos, cerca de 400 Testemu­nhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalida­des. Aqueles que não eram execu­tados nas câmaras de gás morriam de fome, doenças infecciosas, tra­balhos forçados, execuções indivi­duais ou experiências médicas. Em 27 de janeiro de 1945 os campos fo­ram libertados pelas tropas sovié­ticas, dia este que é comemorado mundialmente como o Dia Inter­nacional da Lembrança do Holo­causto, assim designado pela As­sembleia Geral das Nações Unidas, resolução 60/7, em 1 de novembro de 2005, durante a 42º sessão ple­nária da Organização.[9] Em 1947, a Polônia criou um museu no local de Auschwitz I e II, que desde en­tão recebeu a visita de mais de 30 milhões de pessoas de todo mun­do, que já passaram sob o portão de ferro que tem escrito em seu cimo o infame motto “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta). Em 2002, a UNES­CO declarou oficialmente as ruí­nas de Auschwitz-Birkenau como Patrimônio da Humanidade. Os médicos de Auschwitz realizaram uma ampla série de experiências com os prisioneiros, individuais e coletivas. Os doutores Carl Clau­berg e Kurt Heissmeyer são alguns dos mais conhecidos médicos que usaram cobaias humanas para tes­tar novas teses. Clauberg fez expe­riências para testar a eficiência do raio-X como método de esteriliza­ção feminina administrando lar­gas doses de radiação nas prisio­neiras. Ele injetava grandes doses no útero das mulheres para tentar colá-los e impedir a reprodução. A empresa Bayer, grande multina­cional farmacêutica ativa até hoje, então uma subsidiária da IG Far­ben, comprava prisioneiros de Bir­kenau para servirem de cobaias no teste de novas drogas. Heissmeyer, que considerava judeus humanos e cobaias animais de laboratório como a mesma coisa, comandava experiências em crianças e fez di­versas experiências injetando ba­cilos vivos da tuberculose direto no pulmão de prisioneiros, na tentati­va de conseguir uma vacina para a doença. O que mais conseguiu uma infame notoriedade após a guer­ra, porém, foi o Dr. Josef Mengele, conhecido como “Anjo da Morte”; ele tinha uma especial predileção por gêmeos e anões. Mengele fazia cruéis experiências com os primei­ros, como provocar doenças num deles para saber o que acontecia com o segundo ou matando este quando o primeiro morria, para fa­zer autópsias comparativas. Com os anões, costumava provocar-lhes gangrena para estudar os efeitos na carne. A mando de Heissmeyer, ele foi o responsável pela escolha de vinte crianças do campo para serem objeto de “pesquisa científica” no campo de concentração de Neuen­gamme, após as quais foram todas enforcadas em ganchos pendura­dos no teto do porão de uma escola em Hamburgo, junto com as enfer­meiras, todas também prisionei­ras judias, que os acompanhavam.

1947 – Um disco voador, que teria caído na cidade de Roswell, nos Estados Unidos, provocou um dos maiores mistérios do sécu­lo. – O Caso Roswell, ou Inciden­te em Roswell (em inglês: The Ros­well UFO Incident), é um dos casos mais famosos da ufologia mundial, diz respeito a uma série de acon­tecimentos ocorridos em julho de 1947 na localidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Esta­dos Unidos, onde, segundo teóricos da conspiração, um objeto voador não identificado (ou OVNI) teria caído. A versão oficial do governo relata que um balão de vigilância da Força Aérea dos Estados Unidos caiu num rancho na cidade de Ros­well, mas muita gente levantou afir­mações de que o objeto que caiu teria sido de uma nave alienígena. Depois de um pico inicial de inte­resse, militares informaram oficial­mente que a queda apenas tinha sido mesmo de um balão meteo­rológico. O interesse sobre o caso era pouco até os anos 70, quando ufólogos começaram a formar va­riadas teorias da conspiração, afir­mando que uma ou mais naves ex­traterrestres haviam colidido com a superfície terrestre, e que os tripu­lantes alienígenas haviam sido re­cuperados por militares que depois cobriram a situação e tentaram es­conder o que realmente tinha acon­tecido. Nos anos 90, as forças arma­das norte-americanas publicaram relatórios divulgando a verdadeira natureza do balão do Projeto Mogul que caiu. Mesmo assim, o inciden­te de Roswell continua a ser do inte­resse da mídia popular, e persistem a criação de teorias da conspira­ção em torno deste caso. Roswell já foi chamado de “o caso mais co­nhecido, mais investigado e o mais desmascarado envolvendo OVNIs”.

1977 – Inaugurada a TV Ban­deirantes no Canal 7 do Rio de Janeiro começou das 7h00 da manhã.

1978 – Independência das Ilhas Salomão.

2005 – Londres, sofre uma sé­rie de atentados terroristas, com explosões em um ônibus (autocar­ro) e no sistema de metrô (metro).

2007 – O Live Earth é realizado em diversas cidades do mundo si­multaneamente.

2011 – O jornal britâni­co News of The World encerra após o escândalo do seu envol­vimento em escutas telefônicas. – News of the World foi um jor­nal britânico em formato tablói­de, publicado semanalmente aos domingos. Considerado a edição dominical de sua publicação-ir­mã, o The Sun, pertenceu ao gru­po de comunicação social norte­-americano News Corp de Rupert Murdoch. Concentrava sua abor­dagem temática em fofocas so­bre celebridades e notícias po­pulistas abordadas de maneira sensacionalista, e sua predileção por temas relacionados a escân­dalo sexuais lhe trouxe apelidos depreciativos populares, como “News of the Screws” e “Screws of the World”. Manteve uma ven­da média de 2.993.709 cópias por semana (em fevereiro de 2010), o News of the World foi um jor­nal em inglês de maior vendagem no mundo. O editor Andy Coul­son renunciou em 26 de janeiro de 2007 depois de um escânda­lo envolvendo escutas em tele­fones da família real britânica, e foi substituído no cargo por Colin Myler, ex-editor do Sunday Mir­ror que havia trabalhado por mui­to tempo no New York Post. Entre editores célebres do jornal estão Piers Morgan e Rebekah Wade, que substituiu Phil Hall em 2000. Por conta de vários escândalos, o tabloide foi fechado em julho de 2011, após novas denúncias e in­vestigações da Polícia Metropoli­tana de Londres que acredita que até 4.000 pessoas tiveram seus te­lefones grampeados por repórte­res do jornal, entre elas estavam Alex Pereira, primo de Charles de Menezes, morto á tiros pela po­lícia britânica, Coulson, ex-chefe de imprensa do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, Neil Wallis, o ex-diretor-executivo do News entre outras pessoas con­sideradas importantes. Sean Hoa­re, o primeiro a relatar que o editor Andy Coulson tinha conhecimen­to das escutas ilegais foi encontra­do morto na sua casa em Watford em 18 de julho de 2011.

 

 

NASCIMENTOS:

1940 – Ringo Starr vocalista e bateristabritânico.– SirRichardStar­key, Kt, MBE (Liverpool, 7 de julho de 1940), mais conhecido pelo seu nome artístico Ringo Starr, é um mú­sico, baterista, multi-instrumentis­ta, cantor, compositor e ator britâni­co, que ganhou fama mundial como baterista dos Beatles após substituir Pete Best, ficando nos Beatles até a separação do grupo em 1970. Quan­doabandafoiformadaem1960, Starr era membro de outra banda de Liver­pool, Rory Storm and the Hurricanes. Além de atuar como baterista, Starrfoi intérprete de canções de sucesso dos Beatles (em particular, “With a Little HelpfromMyFriends” e“YellowSub­marine”), como co-autor em “What Goes On” e compôs “Don’t Pass Me By” e “Octopus’s Garden”. Ringo é co­nhecido pelo seu estilo seguro de to­car e pelos seus toques de originalida­de. O apelido Ringo surgiu por causa dos anéis que Ringo gostava de usar (ring quer dizer anel em inglês). Ele também é vegetariano, assim como outros integrantes dos Beatles, Paul McCartney e George Harrison. Em 2011, Starr foi eleito o 4º maior bate­rista de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Após a dissolução dos Beatles em 1970, Starr lançou-se em uma carreira solo de sucessos, e for­mou uma banda a All Starr Band, na ativa desde 1989. Em 1966, junto com seus colegas de banda, Ringo foi agra­ciado pela Rainha Elizabeth II com a medalha da Ordem do Império Bri­tânico (MBE), o que não fez dele um “sir”. No dia 20 de março de 2018, cin­quenta e três anos após ter recebido a medalha do Império Britânico, o Du­que de Cambridge concedeu a Ringo Starr o título de Cavaleiro Celibatário do Império Britânico e o nomeou“sir”, em reconhecimento aos “seus servi­ços pela música”.

 

 

MORTES:

1990– Cazuza, cantor e compo­sitor brasileiro(n. 1958).– Agenorde Miranda Araújo Neto, mais conheci­do como Cazuza (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 – Rio de Janeiro, 7 de ju­lho de 1990), foi um cantor, composi­tor, poeta e letrista brasileiro. Primei­ramente conhecido como vocalista e principal letrista da banda Barão Ver­melho,[1] na qual fez bem sucedida parceria com Roberto Frejat, Cazuza posteriormente seguiu carreira solo, sendo aclamado pela crítica como um dos principais poetas da música brasileira. Cazuza também ficou co­nhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em en­trevistas que era bissexual. Em 1989 declarou ser soropositivo(termousa­do para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da Imu­nodeficiência Adquirida), e morreu em 1990, no Rio de Janeiro. Em ou­tubro de 2008 a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo re­sultado colocou Cazuza na 34ª posi­ção. Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamen­to alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficouinternadoatémarçode1990vol­tando assim para o Rio de Janeiro. No dia 7 de julho de 1990, Cazuza morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro com­pareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, co­berto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi enterra­do no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de már­more do túmulo aparece o título de seu último grande sucesso, “O Tem­po Não Para”, e as datas de seu nasci­mento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codino­me.[7] No ano seguinte, foi lançado o álbum póstumo Por aí.

2006 – Syd Barrett, cantor, pro­dutor, guitarrista e pintor britânico (n. 1946). Roger Keith Barrett, mais conhecido como SydBarrett(Cam­bridge, 6 de janeiro de 1946 – Cam­bridge, 7 de julho de 2006) foi um can­tor, produtor, guitarrista e pintor inglês, mais lembrado como um dos funda­dores do PinkFloyd. Vieram de Barrett as principais ideias musicais e estilísti­cas daquela que, então, era uma ban­da de rock psicodélico, assim como o nome do grupo. Todavia, especulações sobre sua deterioração mental, agrava­da pelo exagerado uso de drogas, le­varam à sua saída da banda, em 1968. Além de ser um dos pioneiros do rock psicodélico, com as suas expressivas linhas de guitarra e composiçõesima­ginativas, Barrett também foi um dos pioneiros do space rock e do folk psi­codélico. Esteve ativo enquanto mú­sico por apenas sete anos, gravando, com o Pink Floyd, quatro singles, dois álbuns e diversas músicas não lança­das; como artista solo, lançou um sin­gle e três álbuns, até entrar em reclusão autoimposta, queduroumaisdetrinta anos. Em sua vida pós-música, ele con­tinuou pintando e se dedicou à jardi­nagem. Nunca mais voltou a público. Barrett morreu em 2006, por compli­cações advindas de Diabetes. Diversas biografias foram escritas sobre ele des­de os anos 80, e o Pink Floyd escreveu e gravou inúmeros tributos a ele após sua saída do grupo, sendo o mais co­nhecido dele so álbumWishYouWere Here, de 1975. Em 1996, ele foi induzi­do ao Hall da Fama do Rock and Roll, como membro do Pink Floyd.

Link original: https://www.dm.com.br/entretenimento/2018/07/hoje-na-historia-159.html

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[VEJA] É preciso encontrar alguém diante de quem se possa ajoelhar


Por Flávio Ricardo Vassoler
Diário de um Escritor
Um olhar para o cotidiano histórico e cultural da Rússia – mas muito além do futebol

Monumentos em homenagem aos mortos durante a 2ª Guerra Mundial se sucedem vertiginosamente por Moscou
Por Flávio Ricardo Vassoler

Enquanto caminho pela longa Avenida Gagárin, deparo com um monumento em homenagem aos militares mortos durante as guerras no Afeganistão, ainda sob a égide da União Soviética (1979-89), e na Tchetchênia (1994-96/1999-2000), já depois do colapso da URSS: um obelisco em cujo topo um anjo alado carrega (e sacraliza) o corpo de um soldado ceifado em combate.

Anjo alado segurando – e sacralizando – o corpo do soldado ceifado pela guerra, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Anjo alado segurando – e sacralizando – o corpo do soldado ceifado pela guerra, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Ao lado do obelisco, um grande painel de mármore enegrecido lista, em ordem alfabética, os nomes – ou melhor, os sobrenomes seguidos das iniciais dos nomes – dos militares que deixaram de existir.

Monumentos em homenagem aos mortos durante a Segunda Guerra Mundial – 20 milhões de soviéticos tombaram durante o conflito – se sucedem vertiginosamente: um na Avenida Gagárin, outro após as muralhas do Kremlin de Níjni Novgorod, ao centro do qual arde uma chama vigorosa e inexaurível como que a dizer: “Não nos esqueceremos de vocês”. Na sequência, novos painéis de mármore enegrecido com os (sobre)nomes dos militares que morreram pela pátria.

Noto que, raramente, as pessoas que por ali transitam se aproximam dos painéis de mármore. Vistas de longe, as listas que individualizam os mortos mais parecem uma viscosa e indiscernível sopa de letras de que a Mãe Rússia se alimenta – chego a sentir náusea ao pensar que o nacionalismo belicista dos russos drena, incestuosamente, seus filhos de volta para o útero da terra que os pariu.

Ao fim e ao cabo, a Avenida Gagárin desemboca na Praça Máximo Górki, em homenagem ao escritor de origem sumamente humilde nascido em Níjni Novgorod, em 1868. Logo me lembro do título tão singelo quanto concreto do segundo tomo da trilogia autobiográfica de Górki: Ganhando meu pão. O nomadismo da pobreza fizera de Górki vendedor de pássaros e caixeiro viajante; pintor de ícones e padeiro; ferroviário – e jornalista. Enquanto observo a estátua altiva do escritor, fico pensando em como a forja da sensibilidade literária de Górki ia extraindo lirismo de seu périplo pelos vários biscates: o chilreio e as cores dos pássaros; as histórias e estórias dos compradores pelas várias cidades; o detalhismo das gravuras religiosas; o calor do forno da padaria (verdadeiro bunker contra o inverno russo) e os nacos de pão surrupiados; o vapor malemolente das locomotivas e a cadência dos vagões pelas bitolas; as vivências sendo impressas (ganhando corpo, Ganhando meu pão) nas páginas dos jornais.

Estátua do escritor Máximo Górki, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Estátua do escritor Máximo Górki, em Níjni Novgorod (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Súbito, alguém toca em meu braço.

– Me desculpe incomodar, mas você não quer que eu tire uma foto sua ao lado da estátua do Górki? É que eu te vi todo compenetrado a olhar para o escritor…

Logo fico sabendo que a simpática Ekatierina (chamemo-la assim) é uma testemunha de Jeová (isto é, uma dissidente) na Rússia cada vez mais ortodoxa sob o punho de Vladimir Putin.

Kátia me relata que já sofreu constrangimentos policiais por causa de suas tentativas de evangelização pelas ruas de Níjni Novgorod. “É por isso que estou me mudando para a Ucrânia. Em Kiev, não há nada disso, lá eu posso ser quem eu sou. Por lá, a situação econômica é bem mais difícil, mas não há na Ucrânia um movimento de unificação religiosa como está acontecendo na Rússia. Ser ortodoxo – ter uma única religião –, na cabeça de quem comanda, parece contribuir para a unidade do país. É como se, com nossas reuniões semanais para debate dos textos bíblicos, como testemunhas de Jeová, nós fôssemos agentes centrífugas, verdadeiros espiões antinacionais. É preciso estar na igreja, é preciso ser ortodoxo. Se eu não faço parte da maioria, se eu não adenso a massa de fiéis alinhados com o pendor religioso de um Estado cada vez menos laico, eu não sou bem-vinda. A massa ou o exílio – já não parece haver meio-termo. Eles escutam nossas conversas pelo celular, eles nos espreitam como se não fôssemos russos – ser russo, para eles, implica ser ortodoxo; ser russo, para eles, implica não trazer quaisquer “divisões” à sociedade. Se não estamos assistindo à formação de um consenso profundamente autoritário, eu já não sei dizer o que está acontecendo. Por favor, escreva sobre isso, mas não divulgue meu verdadeiro nome – apenas diga para as pessoas que a Rússia não se livrou do fanatismo. Não! Nós escapamos da propaganda comunista e caímos no colo da liturgia do nacionalismo e da ortodoxia. O povo parece não querer pensar por si próprio – o vácuo de ideias impostas pela cúpula do poder é perigoso: ele pode fazer lembrar que nós temos que pensar por nós mesmos. Isso é democrático – e a democracia é perigosa! A democracia é centrífuga, ela traz dissensões, e isso é perigoso, porque, segundo eles (os de cima), nós precisamos de alinhamento, nós precisamos de unidade. Vocês já não tiveram democracia após o colapso da União Soviética? – perguntam os de cima. E o que aconteceu? Perdas territoriais, o país à beira da guerra civil. Agora, prosseguem os de cima, vocês precisam de um líder (um guia, um pai, um tsar); agora vocês precisam da religião (uma única religião, uma doutrina, uma identidade), pois só assim a Rússia será una e forte novamente. E eu estou cansada de tudo isso – cansada e com medo. Por isso, estou indo embora, preciso abandonar o meu próprio país que já não sabe (e já não quer) me acolher”.

Fico pensando nas palavras de Kátia e me vem à mente, ainda uma vez, a náusea dos monumentos em homenagem aos militares mortos em defesa da pátria. Os soldados se vão; seus nomes, supostamente individualizados, se embaralham nas listas (nas lápides) de mármore negro, mas a pátria, a Mãe Rússia (o útero e o sepulcro, o princípio e o fim), a pátria permanece, a pátria se unifica, a pátria convoca à ortodoxia para, em nome da unidade nacional, arregimentar fiéis para as igrejas e soldados para os batalhões e guerras vindouros, conflitos que gerarão mais monumentos em homenagem aos militares mortos em defesa da pátria; pátria que, com as mortes heroicas, se une e se engrandece – conhecemos algum afeto mais sólido do que o ímpeto de vingança e a saudade dos entes queridos? E, para o nacionalismo e para a ortodoxia – a bem dizer, para o nacionalismo ortodoxo –, ser testemunha de Jeová ou católico, protestante, muçulmano ou ateu aponta para o caráter centrífugo do indivíduo que destoa da massa, o indivíduo que não se quer arrolado pela lista, o indivíduo que não se vê membro da família, da religião ou do Estado – o indivíduo que tenta dizer eu, eis o inimigo. É por isso que, para a ortodoxia de Estado, para a ortodoxia nacional, uma mulher não se chama Ekatierina ou Ksênia; uma mulher, antes de mais nada, deve pertencer à família e parir; parir um fiel para a Igreja (crescei e multiplicai-vos); parir um soldado para o Estado (eis a multiplicação dos pães e dos peixes). Ajoelhar-se diante do clérigo ortodoxo (amém); ajoelhar-se diante do oficial militar (sim, senhor).

“Para o homem livre, não há desespero maior do que encontrar alguém diante de quem ele possa se ajoelhar”. Com essa frase, o grande inquisidor de Dostoiévski, personagem composta pelo intelectual Ivan Karamázov em Os irmãos Karamázov (1880), pensava exprimir uma tendência (o discurso da servidão voluntária) comum aos mais diversos povos – a bem dizer, ao “homem” em qualquer tempo e em qualquer lugar. Quem me ajudou a entrever, com mais acuidade, o caráter eminentemente russo da colocação do grande inquisidor foi a estudiosa da obra de Dostoiévski Galina Boríssovna Ponomariova (1935 – ), que foi diretora do Museu-Casa Dostoiévski, em Moscou, de 1983 a 2017. Para Ponomariova, que vê em Vladimir Putin um líder forte e carismático, os russos rechaçam a democracia pelo fato de as instituições republicanas – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário; a vontade soberana do povo por meio do voto – serem entes de poder meramente abstratos; “os russos”, prossegue Ponomariova, “querem ver o corpo e a concretude do soberano, os russos querem ouvir sua voz e ver as inflexões de seu rosto – os russos, em suma, querem tocar a aura daquele que os governa”.

O neotsar Vladimir Vladímirovitch Putin (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

O neotsar Vladimir Vladímirovitch Putin (Flávio Ricardo Vassoler/VEJA)

Em Mein Kampf (Minha luta, 1925), Adolf Hitler sentenciou que, ao falar com as massas, pelas massas e para as massas, o orador não deveria lançar mão de argumentos lógicos e concatenados, mas, sim, apelar para o sentimentalismo e a emotividade, com argumentos vagos e repletos de arroubos de retórica, como se estivesse flertando com uma “mulher” – para a misoginia autoritária de Hitler, as massas eram tão suscetíveis e volúveis quanto uma “mulher”.

Não à toa, o judoca Vladimir Putin já foi veiculado pela mídia, inúmeras vezes, com o torso nu e a reboque de atividades tidas como viris, tais como caçadas e cavalgadas. Salvo engano, a última aparição seminua de Putin – aparição devidamente veiculada pela TV estatal – se deu no dia 19 de janeiro deste ano, quando o presidente mergulhou nas águas gélidas do lago Seliger, a aproximadamente 400 km ao norte de Moscou, para celebrar a Epifania ortodoxa, festividade que relembra o batismo de Jesus Cristo nas águas do rio Jordão. No momento da aparição viril e epifânica de Putin, os termômetros marcavam -5ºC.
É assim que, para arrematar o pathos político da alma russa, Galina Boríssovna Ponomariova sentencia que “os russos, a bem dizer, querem não a democracia, mas o retorno da monarquia. Os russos ainda não estão prontos para tanto, mas é o que eles querem”.

 

Sobre o autor

Flávio Ricardo Vassoler, escritor e professor, é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA). É autor das obras O evangelho segundo Talião (nVersos, 2013), Tiro de misericórdia (nVersos, 2014) e Dostoiévski e a dialética: Fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018), além de ter organizado o livro de ensaios Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman: O niilismo da modernidade (Intermeios, 2012) e, ao lado de Alexandre Rosa e Ieda Lebensztayn, o livro Pai contra mãe e outros contos (Hedra, 2018), de Machado de Assis. Página na internet: Portal Heráclito, http://www.portalheraclito.com.br.

Link original: https://veja.abril.com.br/blog/diario-de-um-escritor/e-preciso-encontrar-alguem-diante-de-quem-se-possa-ajoelhar/

[newsweek] [VÍDEO] Rússia diz que Estados Unidos não tem “direito moral” de exigir liberação das Testemunhas de Jeová (Inglês)


De Jason Lemon

Testemunhas de Jeová no mundo

A Rússia disse que o governo dos EUA não tem “nenhum direito moral” de exigir a libertação de prisioneiros religiosos ou políticos, como detiver as Testemunhas de Jeová.

Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicado pedindo à Rússia que liberte mais de 150 prisioneiros detidos por motivos religiosos ou políticos. O pedido de Washington veio quando Moscou estava cercando as Testemunhas de Jeová no país. Entre outros prisioneiros, os EUA pediram especificamente a libertação de Dennis Christensen , um cidadão dinamarquês que foi detido por mais de um ano devido à sua afiliação com o grupo religioso.

Jarrod Lopes, representante de comunicações da sede mundial das Testemunhas de Jeová, disse à Newsweek que 20 pessoas estão atualmente detidas na Rússia. Outros dois estão sob prisão domiciliar e 15 foram obrigados a assinar acordos para não deixar a área onde residem.

Uma foto tirada em Moscou em 6 de maio de 2016 mostra a Igreja Ortodoxa Russa Russa do Arcanjo dedicada ao Arcanjo Miguel JOEL SAGET / AFP / Getty Images

Uma foto tirada em Moscou em 6 de maio de 2016 mostra a Igreja Ortodoxa Russa Russa do Arcanjo dedicada ao Arcanjo Miguel JOEL SAGET / AFP / Getty Images

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Link original: http://www.newsweek.com/russia-says-us-no-moral-right-demand-jehovahs-witnesses-release-983932

[RadioFreeEuropeRadioLiberty] Fé ‘Extremista’: as Testemunhas de Jeová Russas Relatam Ondas de Incursões Policiais, Detenções (Inglês)


Em 30 de maio, agentes do departamento regional de Magadan do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) bateram no apartamento de Tatyana e Konstantin Petrov.

“Começou por volta das 10 horas da noite e não terminou às 4 da manhã”, disse Tatyana Petrova sobre o ataque. “Eu não vi como isso começou porque eu estava na cozinha, mas ouvi meu marido ir até a porta. Ouvi uma mulher se apresentar como alguém da companhia elétrica. Ela disse que precisava ler o medidor. Meu marido abriu a porta e, em seguida, toda uma multidão de pessoas entrou no apartamento “.

“Eu estava com muito medo de sair”, continuou ela. “Eu estava simplesmente em choque e fiquei petrificado na cozinha. Ouvi barulhos altos quando meu marido foi jogado no chão. Eles começaram a perguntar-lhe: ‘Você é Petrov?’ … Então eles o levaram embora e eu não o fiz vê-lo novamente “.

Em 14 de junho, um tribunal de Magadan confirmou a detenção de Petrov sob acusação de “fomentar o ódio ou a inimizade com base em sexo, raça, nacionalidade ou religião”. Petrova disse à RFE / RL que acredita que o caso deriva de uma Testemunha de Jeová reunida em um hotel local que Petrov ajudou a organizar.

“Como de costume nessas reuniões, discutimos a Bíblia”, disse Petrova. “Esse é o crime que eles estão acusando meu marido.”

Tatyana e Konstantin Petrov em 2017

Tatyana e Konstantin Petrov em 2017

A história dos Petrovs está longe de ser única. Yaroslav Sivulsky, membro da Associação Européia de Testemunhas Cristãs de Jeová, disse à RFE / RL que histórias quase idênticas foram relatadas nas últimas semanas em cidades de Ivanovo, no oeste da Rússia, até a cidade natal de Petrovs, Magadan, no Extremo Oriente.

“Sempre acontece à noite ou à noite, quando as pessoas estão dormindo e o efeito da surpresa é mais eficaz”, disse Sivulsky à RFE / RL. “Às vezes as forças de segurança descobriram antes do tempo onde pequenas reuniões de amigos estão sendo realizadas, literalmente de três a cinco pessoas. Aparentemente, seus telefones estão sendo monitorados ou estão sendo seguidos.”

Monitores russos de direitos humanos dizem que 17 Testemunhas de Jeová foram detidas desde que o governo russo rotulou formalmente a denominação de “organização extremista” em julho de 2017.

“Sempre acontece à noite”, continuou Sivulsky, “quando as pessoas retornam do trabalho e se reúnem para ler a Bíblia. E de repente agentes de segurança pulam cercas, derrubam portas sem bater, ou entram dramaticamente em cena em alguma outra caminho.”

Defensores das Testemunhas de Jeová dizem que conseguiram uma pequena vitória em 25 de maio.

“Um tribunal de apelações em Birobidzhan ordenou a libertação de nosso co-religioso Alam Aliyev da custódia”, disse Sivulsky. “O juiz até fez vários comentários críticos às autoridades. Não sei como isso aconteceu, mas aconteceu.”

É um caso único, no entanto. Os tribunais das outras cidades aprovaram as detenções e, em alguns casos, autorizaram extensões a pedido dos promotores.

Em 7 de junho, Petrova e pelo menos nove outras esposas de Testemunhas de Jeová detidas enviaram uma carta aberta aos membros do conselho presidencial de direitos humanos que descreveram como “um grito de desespero”. A carta pede ao conselho para informar o presidente Vladimir Putin sobre os casos e “usar todas as medidas legais para restaurar os direitos dos crentes”.

“Hoje, 17 dos nossos crentes estão em prisões de prisão russa”, diz a carta. “Um deles está detido há mais de um ano. Dezenas de outros em 11 regiões da Rússia estão sob prisão domiciliar e impedidos de deixar o país. A cada dia que passa, o número deles aumenta.”

Os detidos são culpados de nada mais do que “ler os ensinamentos da Bíblia e orar a Deus”, acrescenta.

Banido pela leitura da Bíblia

Petrova disse à RFE / RL que ela sente uma mudança na visão pública dela desde que o governo rotulou a denominação de um grupo extremista.

“As pessoas dizem para nós: ‘Você deveria ter sido jogado na prisão há muito tempo'”, disse ela. “Mas para quê? De acordo com a Bíblia, Jesus Cristo disse a todo cristão para espalhar as boas novas da salvação e da vinda do paraíso na terra, quando as pessoas viverão para sempre em felicidade. Meu marido e eu acreditamos nisto e nos sentimos chamados a diga às pessoas sobre essa boa notícia. ”

A Suprema Corte da Rússia, em julho de 2017, confirmou a decisão de que as Testemunhas de Jeová deveriam ser consideradas uma organização extremista, proibindo efetivamente a denominação do país.

A decisão original, emitida em abril de 2017, foi a primeira vez que uma organização religiosa registrada inteira foi proibida pela lei russa.

Visto por muito tempo com suspeita na Rússia por suas posições no serviço militar, votação e autoridade governamental em geral, as Testemunhas de Jeová – que reivindicam cerca de 170.000 adeptos na Rússia e 8 milhões em todo o mundo – estão entre várias denominações que estão sob crescente pressão anos recentes.

A denominação começou a operar na Rússia e na antiga União Soviética no início dos anos 90.

Escrito por Robert Coalson baseado no relatório do correspondente da RFE / RL na Siberia Desk, Andrei Filimonov

Link original: https://www.rferl.org/a/russia-jehovahs-witnesses-report-wave-of-police-raids-detentions/29292501.html

[G1] Juiz da PB autoriza transfusão de sangue em criança filha de testemunhas de Jeová


Pais testemunhas de Jeová não querem que procedimento seja realizado por motivo religioso.

Por G1 PB

Tribunal de Justiça da Paraíba (Foto: TJPB/Divulgação/Arquivo)

Tribunal de Justiça da Paraíba (Foto: TJPB/Divulgação/Arquivo)

O juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Capital, Adhailton Lacet Correia Porto, autorizou a transfusão de sangue de uma criança, mesmo contra a vontade de seus pais. Eles não queriam que o filho passasse pelo procedimento por motivo religioso, pois são testemunhas de Jeová. A ação foi ajuizada pelo Município de João Pessoa em favor de uma criança, que aguardava a hemotransfusão desde o dia 22 de novembro de 2017.

De acordo com a petição inicial, os médicos que a acompanhavam relataram a situação de gravidade extrema, com indicação de transfusão de sangue, informando, no parecer anexado aos autos, que o quadro de saúde apresentava piora progressiva com risco de morte.

“A recusa da família se baseia em questões religiosas: são testemunhas de Jeová e, como tal, entendem que este recurso não é válido”, disse o magistrado, esclarecendo que a questão que se põe é o confronto entre o direito e o respeito à livre convicção religiosa e o direito à vida.

O juiz Adhailton Lacet ponderou que, embora deva respeitar o ponto apresentado pelos pais, entendia que deve ter uma exceção, pois vai de encontro ao direito à vida da criança. “Se não há vida, não há motivo para a garantia de qualquer outro direito. Ainda mais quando se trata de paciente menor de idade, incapaz de expressar sua própria vontade. Neste caso, salvo melhor juízo, não é dado aos pais escolher entre a vida e a morte de terceiro”, enfatizou.

Na sentença, o magistrado fez referência ao Código de Ética Profissional do médico, que o proíbe de efetuar qualquer procedimento sem o esclarecimento prévio do paciente ou de seu responsável legal. “Entretanto, essa regra admite exceção quando o paciente se encontra em iminente risco de morte, como é a hipótese dos autos”, explicou.

Link original: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/juiz-da-pb-autoriza-transfusao-de-sangue-em-crianca-filha-de-testemunhas-de-jeova.ghtml

[polygraph.info] Disinfo News: EUA citam Rússia em relatório de liberdade sobre perseguição de seita religiosa (Inglês)


Testemunhas de Jeová no culto dominical. Foto: Evgeny Epanchintsev (TASS)

Testemunhas de Jeová no culto dominical. Foto: Evgeny Epanchintsev (TASS)

Pela segunda vez em dois anos, o Departamento de Estado dos EUA está listando a Rússia como um “país de preocupação particular” com relação à liberdade religiosa. A designação “CPC” foi incluída no relatório anual de 2018 sobre liberdade religiosa internacional – divulgado em 29 de maio.

“Mais notavelmente, as Testemunhas de Jeová foram proibidas de imediato, assim como sua tradução da Bíblia e seus seguidores foram perseguidos em todo o país”, diz o resumo sobre a Rússia no relatório.

A constituição da Rússia declara que o país “será um estado laico” e “as associações religiosas serão separadas do Estado e serão iguais perante a lei”. No entanto, em abril de 2017, a Suprema Corte da Rússia designou as Testemunhas de Jeová como uma “organização extremista”. ”, E vários ataques e prisões se seguiram.

Mais recentemente, um funcionário de 21 anos da figura da oposição russa Alexey Navalny foi preso em Chelyabinsk por “extremismo”. Segundo a agência de notícias Interfax, policiais encontraram literatura da igreja que consideraram “extremista”, bem como um certificado mostrando o suspeito era um membro das Testemunhas de Jeová. Em abril, vários outros cidadãos russos em todo o país foram presos por supostas ligações com a igreja. Um cidadão dinamarquês foi preso em abril e atualmente enfrenta uma sentença de dez anos por seu envolvimento na igreja.

Literatura das testemunhas de Jeová em russo. Tais materiais são agora considerados

Literatura das testemunhas de Jeová em russo. Tais materiais são agora considerados “literatura extremista” pelo governo russo.

Por que a Rússia considera as Testemunhas de Jeová como “extremistas”? Em abril de 2017, o Polygraph.info investigou a justificativa da Suprema Corte da Rússia e concluiu que ela dependia de duas alegações, ambas falsas ou enganosas.

A principal reivindicação contra a igreja diz respeito à proibição doutrinária das transfusões de sangue como procedimento médico. Segundo as autoridades russas, a posição das Testemunhas de Jeová em receber transfusões de sangue é perigosa e pode levar os membros a recusar tratamento médico necessário. No entanto, esta alegação foi examinada no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e considerada infundada .

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos citou um caso desde 2000, quando a Suprema Corte da República do Tartaristão (um assunto federal dentro da Federação Russa) recusou uma tentativa do promotor de acusar uma mãe Testemunha de Jeová cujo filho teria morrido devido a sua recusa de uma transfusão de sangue. Nesse caso, o tribunal observou que a mãe consentiu com o uso de substitutos do sangue que estavam disponíveis na ocasião. Essa decisão também observou que a igreja não exige que os crentes recusem transfusões de sangue, mas permite que os membros tomem essa decisão por conta própria.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos também notou a prática das Testemunhas de Jeová de portar um cartão médico de diretriz conhecido como “sem cartão de sangue”. O pequeno cartão dobrado informa os profissionais de saúde que o portador se recusa livremente a receber sangue mesmo em situações que possam salvar sua vida , mas que eles consentem com substitutos de sangue e procedimentos alternativos que não requerem sangue.

O site da igreja tem uma página explicando sua posição sobre as transfusões de sangue. Ele observa que muitos procedimentos podem ser realizados sem o uso de transfusões de sangue e que tais métodos alternativos são totalmente aprovados pela igreja. A comunidade médica notou os aspectos positivos da chamada “cirurgia sem sangue”.

As autoridades russas também acusaram a igreja de “propagar exclusividade” – uma alegação que a Polygraph.info abordou em sua checagem de fatos em abril de 2017 . O tribunal europeu rejeitou essa afirmação, observando que “todas as religiões pregam alguma forma de exclusividade” e afirmam ensinar a “verdade correta”.

A igreja das Testemunhas de Jeová está incluída na lista do Ministério da Justiça da Rússia de organizações extremistas proibidas, ao lado de grupos islâmicos neonazistas e radicais. As autoridades russas consideram a literatura do grupo e até sua versão da Bíblia como extremista. O relatório do Departamento de Estado pede que o governo russo altere sua lei sobre o extremismo para que esteja em conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos, “como adicionar critérios sobre a defesa ou o uso da violência”.

Link original: https://www.polygraph.info/a/persecution-of-jehovahs-witnesses-in-russia/29259998.html

[GAZETA DO POVO] Sob perseguição, grupos religiosos na Rússia buscam Corte de Direitos Humanos


Tentativas similares de erradicar a liberdade de expressão estão sendo promovidas em diversos países europeus

Corte Europeia de Direitos Humanos vai decidir caso fundamental para o futuro da liberdade religiosa e de expressão no continente | Wikicommons

 

A Rússia e a Corte Europeia de Direitos Humanos nem sempre tiveram um bom relacionamento.

Embora o tribunal exista desde 1959, a Rússia só passou a aceitar a sua jurisdição 37 anos depois, em 1996. Ainda assim, de acordo com os registros do tribunal, a Rússia tem sido continuamente avaliada como a segunda maior infratora de direitos humanos ao longo dos anos.

Com sua nova lei “de extremismo” se voltando contra minorias religiosas, a Rússia está no caminho para se tornar a primeira da lista.

O presidente russo Vladimir Putin promulgou o controverso projeto de lei em junho de 2016. Na Rússia, a lei é conhecida como “lei Yarovaya” e é assim nomeada em homenagem à sua coautora, Irina Yarovaya, membro proeminente do partido de Putin, o Rússia Unida.

As autoridades russas defendem que a lei é uma medida de segurança necessária na luta contra grupos fundamentalistas radicais. Ainda que o objetivo apresentado seja o de permitir que as autoridades possam reprimir militantes terroristas e ameaças extremistas, a lei, até o momento, tem sido principalmente uma ameaça a minorias religiosas que são qualquer coisa, menos militantes.

Recentemente, a ADF International, o parceiro global da Aliança em Defesa da Liberdade (Alliance Defending Freedom, em inglês), interveio por meio da Corte Europeia de Direitos Humanos em um caso de referência sobre a liberdade religiosa na Rússia. Neste caso, Testemunhas de Jeová foram em busca do mais alto tribunal europeu em uma tentativa desesperada de evitar o completo encerramento de suas atividades na Rússia.

Em 2017, a lei russa foi usada para classificar o grupo como “extremista”. O centro administrativo das Testemunhas de Jeová e 395 congregações locais foram fechados em seguida.

Embora um completo encerramento de suas atividades já seja drástico, as penas poderiam ter sido ainda piores. Sob a nova lei, participar de atividades “extremistas” pode ser punível com até seis anos de prisão e multas pesadas. Estrangeiros podem ser deportados.

Mas o que exatamente é considerado ser “extremista” na Rússia? Yarovaya e seus companheiros legisladores são um tanto generosos  na definição.

Todas as “atividades missionárias” foram proibidas sem uma aprovação prévia do governo. Elas são definidas de modo geral como “partilhar uma crença com pessoas de outra fé ou descrentes com o objetivo de envolver estes indivíduos na ‘estrutura’ da associação religiosa”.

Qualquer grupo religioso poderia potencialmente tornar-se um infrator. Esta preocupação também passou pela mente dos legisladores russos, já que eles isentaram certos grupos religiosos registrados, como a Igreja Ortodoxa.

Ainda assim, mesmo aqueles que fazem parte de um grupo registrado devem carregar consigo autorizações mostrando que fazem parte de um grupo aprovado pelo Estado. Como esperado, grupos religiosos minoritários têm dificuldade em obter tais autorizações.

Embora poucos membros do governo russo discordem da implementação da nova lei, a Constituição russa está em clara oposição à lei.

O artigo 28 da Constituição garante liberdade de pensamento e religião, assim como a liberdade de não professar nenhuma religião. A todos deveria ser permitido escolher, possuir e disseminar livremente crenças religiosas ou não e agir de acordo com elas.

A Constituição não impõe registros, autorizações ou restrições geográficas específicas. Ela claramente protege a liberdade religiosa.

Antes da lei Yarovaya, pessoas como o pastor Donald Ossewaarde viveram por décadas na Rússia sob proteção da Constituição. Pastor batista originário dos Estados Unidos, Ossewaarde mudou-se para uma pequena cidade no sul de Moscou e por 20 anos construiu sua comunidade cristã e cuidou dela.

No verão de 2016, seus esforços em disseminar o evangelho na Rússia foram interrompidos. Em um encontro em sua casa, quatro policiais entraram e sentaram. Eles tomaram notas durante o encontro. Posteriormente, eles escoltaram Ossewaarde à delegacia onde o acusaram pelo ato criminoso de “extremismo”.

O caso de Ossewaarde é apenas um dentre muitos. Para citar apenas alguns, um tribunal russo recentemente multou um pastor pentecostal africano por conduzir cerimônias religiosas enquanto não tinha a autorização necessária. Procuradores russos foram atrás de um pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Cristãos Livres por entregar livros religiosos. A polícia local interrogou turistas americanos apenas por ficarem parados para cumprimentar e felicitar a Word of Life Church (Igreja Palavra da Vida) em seu próprio prédio durante um culto dominical. Dois deles foram multados.

Como as Testemunhas de Jeová, Ossewaarde apelou ao tribunal europeu. Se os juízes acharem que a recente lei de extremismo de fato comprometeu o direito à liberdade religiosa, pastores indiciados e grupos religiosos inteiros poderão voltar ao trabalho.

O julgamento do tribunal afeta os demais 47 Estados-membros, incluindo países como o Reino Unido.

Na Grã-Bretanha, o governo tem tentado introduzir uma lei sobre “extremismo” há anos, assim como uma comissão sobre extremismo para investigar os supostos extremistas. Tais tentativas não obtiveram sucesso, entre outras razões, porque os próprios advogados do governo falharam em definir o conceito de “extremismo”.

Tentativas similares de erradicar a liberdade de expressão estão sendo promovidas em diversos países europeus.

Desta forma, a decisão do tribunal europeu é de extrema importância. O tribunal tem a oportunidade de conter não apenas a lei russa de “extremismo”, mas evitar um perigo que ameaça toda a Europa. O tribunal pode expor leis “anti-extremismo” ao que elas são de fato: veículos legais que ameaçam o pluralismo religioso e restringem a liberdade religiosa.

O impacto da decisão do tribunal poderia assegurar os direitos de liberdade religiosa, de expressão e pensamento não apenas para russos, mas também para todos os 822 milhões de cidadãos vivendo sob sua jurisdição.

Enquanto muitos países europeus parecem ter baixado a guarda diante de numerosos atos perversos de terrorismo, o tribunal poderia agora se tornar a última linha de defesa pela liberdade religiosa.

©2018 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.

Tradução: Maíra Santos

Link original: http://www.gazetadopovo.com.br/justica/sob-perseguicao-grupos-religiosos-na-russia-buscam-corte-de-direitos-humanos-dp25pg9mwv40yyfrbxz3qkc1h