Archive for the ‘Citação’ Category

[As Beiras] Opinião – A novidade em Medicina (Portugal)


Imaginemos que temos um procedimento onde as complicações foram reduzidas a quase zero e a mortalidade praticamente inexistente e sempre mais dependente da avaliação de comorbilidades que do próprio acto. Ou seja – um doente com pouca saúde tem mais risco que um jovem. Ponto! e óbvio!

Não há durante o tempo auditado registo de dano e a satisfação de clientes é 100%. A par de um factor chamado de litigância da incerteza, como podemos justificar um novo procedimento para a mesma situação se a aferição descrita é de total qualidade? Nos gestos de rotina absoluta com auditoria constante, sem reporte de acidentes ou de lesões, como mediríamos o valor do risco da novidade em relação ao status quo? Teríamos de criar um modelo de estudo para regras admissíveis que toleram a inovação num contexto onde a monotonia se traduz em conforto e satisfação. Isto vem a propósito de por exemplo: 1- cirurgia de ambulatória e ausência de pernoita. 2- Introdução da laparoscopia na operação da vesícula ou da obesidade.

Estamos a abordar a novidade sobre o satatus quo. Assim recorremos ao Necker cube e aos muitos estudos da ambivalência das perspectivas como olhamos uma figura de 6 faces representada em duas dimensões para entender a importância de ter modelos que defendam os doentes da voracidade das novidades quer químicas quer instrumentais. Há a dimensão dos custos versus o negócio. A certeza e o conforto versus a curiosidade e a possibilidade de atingir mais e melhor. O problema estará também em que por mais consentimento informado que se coloque ao doente, dificilmente se pode entregar um saber de livros, de experiências, de partilha, com muitos anos, em algum tempo de conversa. A litigância está pois no caminho da novidade.

Regras de manutenção de qualidade obrigam a monitorização constante dos gestos e contabilidade dos resultados. Assim perante um dogma temos de estudar o valor do seu grau de evidencia com estudos alargados, aumentando o valor da amostra e verificando todas as variáveis da satisfação do cliente e a efectividade do procedimento. Um exemplo disto é o fast track (ERAS nos dias de hoje) em cirurgia do colon e o desconforto que ele provoca nos cirurgiões carregados de dogmas Mas também podemos medir a aversão à mudança ou a permissividade dos clínicos ao novo e ao arrojado em inquéritos dirigidos.

Um guideline é orientador para um universo semelhante mas deve ser constantemente comparado e avaliado. Só registos eficazes permitem estudos estatísticos sérios e por essa razão tabelas, check lists, triagens padronizadas podem garantir fiabilidade na avaliação posterior. A avaliação tem de estar sempre presente e serve para evoluir e nunca deve ser colocada no terreno áspero da culpabilização. A formação nasce da partilha dos saberes.

O doente, por sua vez é um ser complexo nas suas vertentes em separado e depois na conjugação de umas com outras. Imaginem seis faces de um cubo: 1- religião, 2- social, 3- alimentação, 4- corpo, 5- psíquico, 6- económico. Por exemplo, cruzem religioso e alimentar e encontram o mundo particular da comida onde o conceito halal é um desafio. Temos Religião e Corpo e estamos com testemunhas de Jeová e recusa de sangue.

O objectivo ideal é ter recomendações aferidas para sugerir procedimentos, evitar custos desnecessários e permitir uma melhor medicina. Devemos estar sempre a mudar “para a melhoria contínua?” Acho que não! As recomendações nascem desse trabalho árduo que consiste em aferir por estudos comparativos a validade das afirmações de cada um. Assim formamos os graus de evidência dos actos obtidos e tomados por válidos e sérios.
Este raciocínio explica a necessidade de melhores lideranças, de tolerância sem excitação, de certezas com perguntas em tudo o que concerne ao confronto do status quo com a novidade.

Link original: http://www.asbeiras.pt/2018/02/opiniao-a-novidade-em-medicina/

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[Brasil Escola] Cinco fatos sobre a Segunda Guerra Mundial


A Segunda Guerra Mundial foi o maior evento que aconteceu ao longo do século XX. Deixou um rastro de destruição e morte ao longo dos anos do conflito.

Tropas aliadas desembarcando nas praias da Normandia durante o Dia D, em 1944

Tropas aliadas desembarcando nas praias da Normandia durante o Dia D, em 1944

A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade em questões de intensidade, recursos financeiros e humanos mobilizados e pela quantidade de vítimas. Ao longo dos seis anos de conflito, a violência espalhou-se por diferentes continentes, resultando na morte de aproximadamente 70 milhões de pessoas.

Grandes destaques dos anos da Segunda Guerra Mundial foram a construção de campos de concentração pela Alemanha Nazista, sobretudo na Polônia, que tinham o objetivo de escravizar e exterminar judeus, ciganos, testemunhas de jeová, homossexuais etc. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, foram utilizadas pela primeira vez armas atômicas, lançadas pelos EUA contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

A respeito da Segunda Guerra Mundial, separamos algumas curiosidades e fatos pouco explorados:

1) Campos de concentração nos EUA
Durante a Segunda Guerra Mundial, foram criados nos Estados Unidos dez campos de concentração em diferentes partes do país para abrigar a população de nipo-americanos. A construção desses campos de concentração foi resultado da histeria de guerra que fortaleceu a xenofobia contra cidadãos de descendência japonesa.

A xenofobia contra cidadãos nipo-americanos era algo que existia nos Estados Unidos pelo menos desde o início do século XX e fortaleceu-se após os Estados Unidos terem sido atacados pelo Japão em Pearl Harbor, no ano de 1941. Ao todo, mais de cem mil pessoas foram realocadas nesses campos de concentração e encontraram péssimas condições de vida nesses locais. O último campo de concentração nos Estados Unidos foi desativado em 1946.

2) Unidade 731
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão, orientado pelo seu nacionalismo xenófobo e seu militarismo radical, cometeu uma série de crimes de guerra. Um dos locais onde várias pessoas foram vítimas da brutalidade cometida pelo exército japonês foram as instalações da Unidade 731. Essa unidade foi criada com o nome de “Unidade de Proteção Epidêmica e Abastecimento de Água do Exército Kwangtung” e tinha como função primordial fazer o controle de qualidade da água utilizada pelo exército japonês baseado na China.

No entanto, secretamente, a Unidade 731 foi utilizada pelo exército japonês para promover uma série de estudos macabros em cobaias humanas vivas e promover estudos para o desenvolvimento de armas químicas e biológicas. Assim, conforme afirmação do historiador Max Hastings:

Milhares de chineses capturados foram assassinados em testes feitos na base da unidade, perto de Harbin, muitos submetidos a vivissecção sem o benefício de anestésicos. Algumas vítimas eram amarradas em estacas para que bombas de antraz fossem detonadas à sua volta. Mulheres eram infectadas com sífilis em laboratório; civis da região eram sequestrados e injetados com vírus fatais|1|.

Os envolvidos com os experimentos da Unidade 731 não foram punidos como criminosos de guerra como parte de um acordo realizado entre os EUA e os médicos.

3) Traidor Quisling
Em abril de 1940, os nazistas colocaram fim a meses de marasmo e iniciaram a invasão da Noruega. A invasão da Noruega havia sido autorizada após adiamento duplo da operação que conduziria a invasão da Holanda, Bélgica e França. Assim, a Noruega surgiu como alternativa para que os nazistas tivessem o controle sobre uma posição estratégica de apoio aéreo e que lhe garantiria acesso à produção de ferro da Suécia.

A invasão da Noruega pelos nazistas aconteceu após Hitler ter sido convencido pelo almirante Erich Raeder e pelo norueguês pró-nazista Vidkun Quisling. Quando os nazistas invadiram a Noruega, Quisling tornou-se chefe do governo colaboracionista por um breve tempo e a atuação de Quisling em convencer Hitler a invadir seu próprio país fez com que seu sobrenome “Quisling” se transformasse em um substantivo na língua inglesa para se referir a pessoas traidoras ou que se voltam contra seu próprio país.

4) O massacre dos judeus de Kiev
Um dos episódios mais tristes de toda a Segunda Guerra foi o holocausto, responsável pela morte de 6 milhões de pessoas, na maioria de origem judia. Ao longo da guerra, os nazistas criaram diferentes mecanismos e formas de encontrar e exterminar os judeus, sobretudo no Leste Europeu. Em um primeiro momento, os nazistas utilizavam-se do Einsatzgruppen, esquadrões da morte responsáveis por localizar e executar todos os judeus das áreas que atuavam.

Um evento particular relacionado com a atuação do Einsatzgruppen aconteceu na cidade de Kiev, à época pertencente à União Soviética (atual Ucrânia). Logo após a conquista da cidade, um prédio ocupado pelos nazistas foi atacado a bomba, o que enfureceu os nazistas. Como represália, o comando nazista local autorizou a execução de todos os judeus que ainda habitavam em Kiev.

Os relatos contam que os nazistas reuniram uma multidão de judeus em uma parte da cidade e iniciaram um fuzilamento que, durante 36 horas, foi responsável pela morte de mais de 33 mil pessoas. Esse evento conhecido como “Massacre de Babi Yar” foi um dos maiores massacres que aconteceram durante a guerra, e os relatos contam que o local onde os corpos foram enterrados minou sangue durante meses.

5) Canhões gigantescos
Durante os anos do conflito, a máquina de guerra nazista trabalhou de maneira obstinada no desenvolvimento de armamentos mais eficazes para utilizar na guerra. A megalomania e a engenhosidade dos nazistas fizeram com que eles construíssem os maiores canhões que foram utilizados durante a Segunda Guerra Mundial.

Os canhões receberam o nome de Schwerer Gustav e Dora, e sua construção foi um pedido do comando nazista para que a Krupp – indústria de armamentos – construísse uma arma capaz de destruir as fortificações francesas da Linha Maginot. Os empenhos da Krupp levaram à construção desses dois canhões, que, nas palavras de um general nazista, eram uma “peça de engenharia extremamente impressionante, mas absolutamente inútil”|2|.

O Schwerer Gustav particularmente foi utilizado durante o cerco a Sebastopol, cidade soviética localizada na região da Crimeia em um combate que resultou na morte de 25 mil alemães e no uso de cinquenta mil toneladas de munição de artilharia|3|.

As atribuições do Schwerer Gustav eram:

  • Peso: 1350 tonelada
  • Cumprimento: aproximadamente 47 metros
  • Tripulação: 4.000 homens responsáveis pela montagem dos trilhos e manejo do canhão
  • Calibre: 800 milímetros
  • Peso dos projéteis: 7 toneladas
  • Alcance do disparo: 39 km a 47 km de distância
  • Cadência dos disparos: 1 disparo a cada 45 minutos, com máximo de 14 disparos por dia.

 

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012 p. 448.
|2| Idem, p. 319.
|3| Idem, p. 320.

Por Daniel Neves
Graduado em História

Link original: http://brasilescola.uol.com.br/historiag/cinco-fatos-sobre-segunda-guerra-mundial.htm

[worldreligionnews] A MEDITAÇÃO É COMUM EM MUITAS RELIGIÕES (Inglês)


A MEDITAÇÃO É INDEPENDENTE DE QUALQUER PRÁTICA RELIGIOSA

Ao contrário da percepção popular, a meditação não é a principal característica das religiões orientais sozinhas. É uma atividade secular e encontrada em quase todos os sistemas de crenças.

Os americanos de diferentes religiões meditam um mínimo de uma vez por semana. Pesquisadores da Pew Research descobriram que cerca de 40% dos entrevistados meditam uma vez por semana. Cerca de 45 por cento nunca fazem qualquer tipo de meditação. Apenas oito por cento medeiam duas vezes por mês. Um misto de quatro por cento faz várias vezes por ano. A figura, que deve ser mantida em mente, varia muito entre os diferentes grupos religiosos na América.

A meditação e a religião são diferentes e independentes umas das outras. Não há necessidade de acreditar na metafísica para meditar. Na verdade, a meditação torna-se melhor quando está desacoplada da religião. Ao contrário da religião, a meditação não significa conceitos imaginários e amorfos. A prática desperta as pessoas. Então, novamente, depende do indivíduo acreditar na religião. Se isso conduz a uma prática de meditação melhor, seja assim.

O Estudo da paisagem religiosa realizado pelo Pew Research Center em 2014 descobre que, entre todos os grupos religiosos, os hindus e os budistas meditam mais. Entre os entrevistados, dois terços disseram que meditavam pelo menos uma vez por semana. Em contraste, vários cristãos também admitem meditar uma vez por semana. Quando dividido, cerca de 49% dos protestantes evangélicos, cerca de 40% dos católicos e cerca de 55% dos protestantes negros disseram que meditam pelo menos uma vez por semana. Quando se tratava dos grupos cristãos menores, a população de pessoas envolvidas na meditação é maior. Cerca de 60% dos mórmons e cerca de 77% das Testemunhas de Jeová afirmam meditar um mínimo de uma vez por semana. Tanto as Testemunhas de Jeová quanto a Igreja Mórmon encorajam seus seguidores a meditar.

A meditação também é encontrada no judaísmo convencional. A palavra “Qabalah” significa receber e revelar. De acordo com a filosofia judeu e a doutrina metafísica, a tradição de Qabalah faz um código simbólico criado para promover o desenvolvimento espiritual do praticante. Os alunos de Qabalah transformam suas respectivas naturezas internas essenciais com sua natureza externa essencial.

Isso é feito internalizando os símbolos e depois absorvendo as características através da meditação. A meditação é comum no islamismo. O sofismo é uma tensão entre o Islã, que se baseia em uma ampla gama de tradições esotéricas como Pitágoras, Zoroastriano e Hermético. A tradição literária rica e profunda enfatiza alegoria, poesia e simbolismo.

Link original: http://www.worldreligionnews.com/religion-news/meditation-common-many-religions

[G1] ‘Colhíamos grama para minha mãe fritar com gordura’, diz sobrevivente do Holocausto radicado no Brasil


Romeno Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial.

Por BBC

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

O romeno Joshua Strul tinha oito anos quando sua infância foi abreviada.

Em outubro de 1941, tropas aliadas aos nazistas chegaram à cidade de Moinești, na Romênia, onde ele, seus pais e seis irmãos ─ todos judeus ─ viviam.

Em poucas horas, a família foi despojada de todos os seus bens.

“Até então, tinha uma infância feliz e tranquila. Estudávamos, íamos à sinagoga e brincávamos como todas as crianças. O convívio com os católicos era pacífico”, recorda ele, atualmente com 85 anos, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Romeno radicado no Brasil, Joshua Strul relembra à BBC Brasil vida em gueto com família durante 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“Mas o nazismo ganhava força na Europa e, quando as tropas chegaram à cidade, não tardou para perdemos tudo”, acrescenta.

Radicado em São Paulo desde a década de 1950, Strul é sobrevivente do Holocausto, como ficou conhecido o assassinato em massa de milhões de judeus, bem como homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová e outras minorias, durante a 2ª Guerra Mundial, a partir de um programa de extermínio sistemático patrocinado pelo partido nazista.

Foi o maior genocídio do século 20 – uma ferida aberta que o tempo ainda não curou. Isso talvez explique a riqueza de detalhes com que Strul ainda relata sua experiência, pontuada por um sotaque ainda carregado, apesar da idade avançada.

 Joshua conheceu Manuela em um baile de Carnaval no Rio, em 1969 (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Joshua conheceu Manuela em um baile de Carnaval no Rio, em 1969 (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“Meu pai tinha uma loja de cereais. Perdemos tudo. Nos tiraram o comércio e a nossa casa. Minha família, assim como todos os judeus da cidade, foi levada a uma cidade próxima, Bacău, onde nos confinaram em um gueto”, diz.
Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil) Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

 Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Joshua, seu pai, sua mãe e seis irmãos viviam em Moinești, na Romênia (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Fome
Ali todos os judeus viviam em barracas de madeira – cobertas com folhas de zinco. Privados de sua liberdade, eram obrigados a ostentar uma estrela amarela nas roupas como identificação.

“No verão, era insuportavelmente quente. No inverno, um frio glacial”, conta. A fome também era uma constante.
Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil) Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

 Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

Após ditadura comunista na Romênia, família emigrou para Israel (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

  "A migalha de pão significava a vida ou a morte", diz Strul (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“A migalha de pão significava a vida ou a morte”, diz Strul (Foto: Gui Christ/BBC Brasil)

“A migalha de pão significava a vida ou a morte. Colhíamos grama para minha mãe fritar com gordura de ganso. Foi assim que sobrevivemos”, diz.

“Meu irmão caçula, no entanto, não conseguiu enfrentar as condições adversas e morreu aos dois anos.”

‘Providência divina’
Por uma “providência divina”, como recorda Strul, a família não foi deportada para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, um dos principais locais de extermínio de judeus durante a guerra.

Em 1944, a Romênia foi libertada por tropas soviéticas, mas o pesadelo ainda não tinha terminado. “Voltamos à nossa cidade-natal e nossa casa estava completamente depenada. Tudo nos foi roubado”, lamenta.

  "Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo", diz Strul, após fim da 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ / BBC)

“Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo”, diz Strul, após fim da 2ª Guerra Mundial (Foto: Gui Christ / BBC)

Com muito esforço, a família reconstruiu pouco a pouco a vida que tinha antes da guerra. Mas em 1947 os comunistas chegaram ao poder na Romênia. Propriedades particulares foram nacionalizadas e, de patrão, o pai de Strul se tornou empregado.

“Quando tentávamos recomeçar do zero, mais uma vez nos tiraram tudo.”

Em 1950, a família decidiu fazer as malas para um Estado recém-fundado, Israel, já que um dos irmãos de Strul havia emigrado para o país quatro anos antes e lutado na guerra de independência.

 Strul morou em Israel entre 1950 e 1955 (Foto: Gui Christ / BBC)

Strul morou em Israel entre 1950 e 1955 (Foto: Gui Christ / BBC)

Mudança para o Brasil
Mas o futuro parecia mais promissor fora do Oriente Médio.

Por meio de um conhecido da família, que já havia se estabelecido no Brasil, os Strul embarcaram em um navio rumo a uma terra então totalmente desconhecida.

“Foi uma viagem longa, na 3ª classe do navio, porque a 4ª não existia”, brinca Strul. “Chegamos com uma mão na frente e outras atrás, não falávamos a língua e conhecíamos muito poucas pessoas.”

O recomeço foi difícil. Sem educação formal, Strul começou a trabalhar como ambulante, vendendo roupas porta em porta.

Anos depois, já estabelecido, abriu sua loja de móveis na Zona Norte de São Paulo, de onde tirou o sustento para criar seus quatro filhos (“todos com formação acadêmica”, destaca). Strul também tem dez netos.

Hoje aposentado, vive com a esposa Manuela, de 74 anos (o casal se conheceu em um baile de Carnaval no Rio de Janeiro em 1969), vai à sinagoga pela manhã e dedica-se a manter viva a lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos.

 Strul trabalhou como ambulante quando chegou ao Brasil (Foto: Gui Christ / BBC)

Strul trabalhou como ambulante quando chegou ao Brasil (Foto: Gui Christ / BBC)

“Quero muito agradecer ao povo brasileiro por nos ter acolhido. Devo tudo a esse país. Amo este lugar.”

Strul também diz ter tentado, por diversas maneiras, reaver a propriedade da família na Romênia, ainda sem sucesso.

“Há 20 anos, tento receber uma indenização, mas não consigo. Tenho até hoje a escritura da minha casa, mas minha casa continua confiscada”.

 Família se mudou para Israel após ditadura comunista na Romênia (Foto: Gui Christ / BBC)

Família se mudou para Israel após ditadura comunista na Romênia (Foto: Gui Christ / BBC)

 Atualmente aposentado, Strul dedica-se a manter viva lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos (Foto: Gui Christ / BBC)

Atualmente aposentado, Strul dedica-se a manter viva lembrança do Holocausto por meio de palestras em escolas e eventos (Foto: Gui Christ / BBC)

Memória
Todos os anos, no dia 27 de janeiro, a comunidade judaica celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A data marca a libertação do maior campo de extermínio nazista, Auschwitz-Birkenau, por tropas soviéticas. No local, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram mortas.

No Brasil, a data será lembrada em evento promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pela Congregação Israelita Paulista (CIP), no domingo, 28 de janeiro, na Sinagoga Etz Chaim em São Paulo.

No hall, acontecerá a exposição “Além do Dever – Diplomatas reconhecidos como Justos entre as Nações”, produzida pelo Yad Vashem (Museu do Holocausto de Israel).

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é celebrado desde 2005, após uma resolução da ONU.

Link original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/colhiamos-grama-para-minha-mae-fritar-com-gordura-diz-sobrevivente-do-holocausto-radicado-no-brasil.ghtml

[Bklyner] Como o antigo prédio da Torre de Vigia será transformado em um escritório de alto nível e complexo de varejo (Inglês)


Por Pamela Wong

BROOKLYN HEIGHTS – Depois de remover o emblemático sinal da Torre de Vigilância do horizonte de Brooklyn, em dezembro passado, a Columbia Heights Associates está avançando com renovações de US$ 80 milhões para transformar cinco prédios das Testemunha de Jeová em Panorama, num escritório de luxo e de varejo de 600 mil metros quadrados.

Renderização via Columbia Heights Associates / Volley Studio

Renderização via Columbia Heights Associates / Volley Studio

Uma joint venture composta por CIM Group, LIVWRK Holdings e Kushner Companies, a Columbia Heights Associates comprou os cinco prédios da Torre de Vigia, localizados em dois hectares em Brooklyn Heights, por US $ 340 milhões em agosto de 2016 .

O CEO da LIVWRK, Asher Abehsera, diz ao New York Post que os edifícios serão repintados de uma “cor de areia para” amanhecer precoce “, ou cinza claro, e os filmes negros que cobrem as janelas maciças serão eventualmente removidos.

Os dois maiores edifícios do projeto, números 25 e 30 Columbia Heights, estão conectados por uma ponte de céu e oferecerão aproximadamente 600,000 pés quadrados de espaço de escritório combinados. O número 25 contará com aproximadamente 1.000 pés quadrados de espaço de varejo, enquanto o número 30 terá cerca de 23.000 pés quadrados para varejo e uma escada ao ar livre que levará às lojas, informa o Post.

Os edifícios menores, números 50 e 58 Columbia Heights e 55 Furman Street, fornecerão um total de 63.000 pés quadrados de espaço de escritório e aproximadamente 10.000 pés quadrados de espaço de varejo. 58 Columbia Heights está sendo considerado para um hotel boutique, de acordo com o artigo.

Junto com as vistas do East River e do Brooklyn Bridge Park, muitos inquilinos terão acesso a terraços exteriores que irão fornecer “55.000 pés quadrados de jardins ondulados”, observa o Post.

Pedir aluguéis para o espaço de escritório será “US $ 75 a US $ 85 por metro quadrado”, diz Abehsera ao Post, no entanto, um programa da NYC que encoraja a mudança de funcionários para os bairros externos poderia reduzir as rendas em US $ 15 a US $ 20 por pé quadrado.

As propriedades abriram a sede das Testemunhas de Jeová por quase cinquenta anos antes do grupo se mudar para Warwick, Nova York e começou a descarregar suas muitas explorações imobiliárias na área.

Link original: https://bklyner.com/former-clocktower-building-will-transformed-high-end-office-retail-complex/

[O GLOBO] Para que nunca mais haja Holocausto


Volta e meia ressurgem sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos de comportamento e ideologias sectárias, que formaram o caldo de cultura do qual o nazismo

por Teresa Bergher

Há 73 anos, no dia 27 de janeiro de 1945, tropas da União Soviética, em sua avassaladora ofensiva em direção a Berlim, o centro do poder nazista, invadiram e libertaram o complexo de 48 campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, revelando ao mundo cenas de horror que, ainda hoje, desafiam sensibilidades e mostram do que é capaz o ódio quando transformado em política de Estado. Foram necessários, porém, 60 anos de exibição das atrocidades ali praticadas para que a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2005, aprovasse resolução declarando aquela data o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Infelizmente, a natureza humana, até num gesto involuntário de autoproteção, tende a eliminar gradualmente da memória as situações desagradáveis. O mundo inteiro se chocou quando, diante do Tribunal de Nuremberg, que julgava os chefões nazistas, o primeiro comandante alemão de Auschwitz, Rudolf Hoess, declarou que só ali, nas câmaras de gás e por maus tratos, haviam morrido três milhões de pessoas. Somados, os “campos da morte” do nazismo, espalhados por nações ocupadas e na própria Alemanha, perseguiram e assassinaram cruelmente seis milhões de judeus, entre eles, 1,5 milhão de crianças e outras minorias como ciganos, homossexuais, deficientes físicos, negros e Testemunhas de Jeová. Mas, gradualmente, a lembrança dessa gigantesca tragédia, mesmo constantemente reprisada por dezenas de livros e documentários de cinema e televisão, vai-se esmaecendo, apesar da decisão da ONU, que visava exatamente ao não esquecimento, para que a menção constante aos horrores mantivesse presente a necessidade de evitar a sua repetição.

Não se sabe se o escritor colombiano Gabriel García Márquez pensava nisso quando cunhou a linda frase “É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”. Auschwitz e outras horrendas lembranças do Holocausto podem, eventualmente, escapar das memórias. Porém, jamais deixarão os corações, não apenas de quem viveu a tragédia através da perda de famílias e amigos, mas, especialmente, de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, geração após geração, as imagens da perversidade humana levada aos seus extremos. Dois anos após a guerra, a Polônia, uma das maiores vítimas das atrocidades, criou, ali mesmo, o Museu do Holocausto. Desde então, mais de 30 milhões de visitantes já passaram pelos portões de ferro da entrada, encimados pela infame frase “O trabalho liberta”.

Mas, acredito, é muito pouco, e, insisto nisso, a única forma de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-las incessantemente, mês após mês, ano após ano. Além do mais, porque, volta e meia, ressurgem, no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos de comportamento e ideologias sectárias, que formaram o caldo de cultura do qual o nazismo se alimentou e cresceu até deflagrar a guerra em grande escala e seu cortejo de horrores. Na Áustria, a extrema-direita xenófoba já chegou ao poder e exige intensa vigilância das organizações dedicadas à proteção dos direitos humanos. Mesmo na rica e poderosa Alemanha, que se supunha exorcizada do demônio do racismo, ressurgem, vigorosas, organizações de pensamento similar ao da era hitlerista que, igualmente, requerem vigilância das forças democráticas e moderadas.

A lembrança de tanta dor e sofrimento, além dos corações e das mentes, precisa ser, também, incorporada materialmente ao dia a dia de cada um de nós. Esse é o sonho que me anima quando, junto com a prefeitura do Rio e outros setores da sociedade, nos empenhamos na construção de um monumento às vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado, dedicado à preservação da memória daquele período de trevas. São Paulo e Curitiba já têm o seu, e o Rio não ficará, também, sem render tributo a tantos milhões de pessoas que perderam as vidas cruelmente e que não podem ser esquecidas. Não descansarei enquanto esse sonho, idealizado há 20 anos pelo deputado Gerson Bergher, não se concretizar.

Teresa Bergher é vereadora (PSDB) no Rio e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Link original: https://oglobo.globo.com/opiniao/para-que-nunca-mais-haja-holocausto-22308041

[Blog do Anderson] Dia de Finados em Vitória da Conquista: conquistenses prestam homenagens aos amigos e familiares


O Dia de Finados, feriado em todo o Brasil, é um dia de muitas homenagens em Vitória da Conquista. Logo pela manhã o BLOG DO ANDERSON passou pelo Cemitério da Saudade onde milhares de visitantes realizaram suas orações aos entes queridos.

Do lado de fora dezenas de bancas foram instaladas para vendas de velas e flores. Às 9 horas o arcebispo metropolitano Dom Frei Luiz Gonzaga da Silva Pepeu proferiu a missa acompanhado de dezenas de fiéis católicos.

As Testemunhas de Jeová e a Igreja Universal do Reino de Deus também levaram suas mensagens. Veja algumas fotos registradas pelo BLOG DO ANDERSON neste momento também de alegria no Cemitério da Saudade.