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[Diário Catarinense] Testamento vital, que garante morte digna a pacientes terminais, ainda é pouco utilizado em SC


Últimos desejos do paciente terminal, como não ser intubado ou não ter reanimação cardíaca, podem ser registrados em cartório e constar no prontuário - Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Imagine-se na condição de um paciente terminal: já sem capacidade de se comunicar, mas com o diagnóstico iminente da morte. De que forma você gostaria de passar os últimos dias? Em vez de delegar ao médico a missão de encontrar a cura onde as possibilidades de sobrevida são inexistentes, há quem prefira ser poupado de procedimentos considerados invasivos. No intuito de abreviar o sofrimento, esse público rejeita métodos como a intubação, mas opta por terapias que aliviam os sintomas finais até o último suspiro.

Não se trata do desligamento de aparelhos, mas do oposto à eutanásia: a ortotanásia, que foca na adoção de tratamentos capazes de controlar a dor de doenças irreversíveis. Esses pacientes encontram respaldo no testamento vital, documento por meio do qual a pessoa pode manifestar de antemão sobre quais tratamentos não quer ser submetida no final da vida. Apesar de completar cinco anos em 2017, a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que regulamenta esse recurso ainda é pouco aplicada no país e em Santa Catarina. A insegurança jurídica, já que não há legislação específica que aborde a temática no Brasil, aliada à falta de profissionais especializados em tratamentos paliativos e ao tabu em relação à morte estão entre os motivos pelos quais as diretivas antecipadas de vontade do paciente são raridade.

O médico catarinense Roberto D’Ávila, que presidiu o CFM de 2009 a 2014, explica a motivação do texto 1.995 que aprovou em 2012. Ele caracteriza como excessivos os procedimentos que prolongam a morte com sofrimento e fora do convívio familiar, justamente o que o testamento vital tenta evitar.

— Os médicos têm que reconhecer que, quando chega o momento, não se deve interferir, principalmente se era a vontade da pessoa. Mas quem escreve tem medo de não ter os desejos respeitados. A família é o principal agente, que nega isso porque quer mais um dia de vida àquela pessoa. E aí vai deixando os profissionais operarem e fazerem tudo para prolongar a etapa, mas é maldade. Todos têm que morrer um dia — explicita.

Desde 2012, somente 42 diretivas antecipadas de vontade, como o documento é conhecido nos cartórios, foram registrados por catarinenses. A vice-presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil no Estado (Anoreg-SC), Anna Christina Ribeiro Neto Menegatti, explica a pouca adesão ao método. A tabeliã de Itajaí é taxativa ao afirmar que a falta de lei específica sobre esse momento não é um problema porque o código civil dá base a isso. Porém, reconhece que as famílias podem processar os profissionais que seguirem às vontades expressas nos documentos.

— Os testamentos vitais não ferem princípios constitucionais, porque todos os requisitos para elaborá-lo estão previstos no Código Civil. Na verdade, o que se vê é que existe pouca divulgação sobre a possibilidade de a pessoa escolher qual tratamento quer receber ou refutar — indica.

Isabela, que estudou esse recurso na enfermagem, optou pelo registro da diretiva antecipada de vontade. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Isabela, que estudou esse recurso na enfermagem, optou pelo registro da diretiva antecipada de vontade. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

A importância de conhecer os procedimentos

Após estudar as últimas vontades dos pacientes no âmbito da enfermagem, Isabela Saioron, que é doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), decidiu fazer o próprio registro em cartório. Assinou um documento afirmando que, em caso de morte encefálica, gostaria de ter os órgãos doados, além de ter o corpo cremado. Preferiu, por enquanto, não mencionar quais procedimentos gostaria de rejeitar caso um dia seja uma paciente terminal.

— É comum ver pessoais leigas recusando esse ou aquele tratamento. Mas até que ponto ela está informada sobre eles ou sobre a enfermidade que tanto teme? Então, ele pode colocar uma recusa que vai salvar a vida dele. Ou o avanço tecnológico vai tornar aquele procedimento menos invasivo. De qualquer maneira, é uma forma de informar previamente o que a família possivelmente se perguntaria quando já não é mais possível responder — pondera.

Por desconhecer uma aplicação consistente do testamento vital, o advogado responsável pela presidência da comissão de direito notarial e registros da Ordem dos Advogados do Brasil em SC, Roberto Pugliesi, considera a população conservadora em relação ao morrer.

— Até os testamentos comuns são mau vistos, então você imagina os vitais. Culturalmente, há um certo repúdio em se expor a última vontade através de testamento, porque muita gente pensa que está chamando a morte ou que é mau agouro — analisa.

Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil, desde 2006, foram pouco mais de 3,1 mil testamentos vitais registrados no país. A Federação dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (Fehoesp) tenta encaminhar um projeto de lei por meio do Ministério da Saúde. O tema é objeto de legislação nos Estados Unidos, na Espanha e, mais recentemente, em Portugal.

Vontades do paciente podem constar no prontuário médico

O testamento vital, que difere do convencional por ser utilizado ainda em vida e não envolver bens materiais, também pode estar previsto no prontuário de cada paciente, dada a validade legal desse papel. Essa é a forma, inclusive, que a Secretaria de Estado da Saúde garante a autonomia de cada pessoa internada em hospitais públicos de Santa Catarina.

— Os profissionais dos hospitais da secretaria tem conhecimento da resolução do CFM sobre o testamento vital. Mas, até o momento, nenhum paciente apresentou esse documento . Quem atua nas unidades sempre atende a vontade do paciente, familiares ou representante legal — garante Ledronete Silvestre, que coordena a Política Nacional de Humanização da pasta.

Nesses espaços do Estado, também há um formulário para que a pessoa preencha conforme seus interesses terapêuticos em um contexto de terminalidade. Ou de convicções religiosas, por exemplo, como é o caso do movimento Testemunhas de Jeová, que não aceita transfusões sanguíneas. No entanto, o presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM), Rafael Klee de Vasconcellos, cita duas dificuldades no respeito a esses vontades que, considera, a dignidade no momento da morte.

— O testamento vital exige um posicionamento individual do paciente, que tem que deixar isso claro perante o seu médico e seus familiares. O fato de não haver um sistema de prontuário único atrapalha, porque o paciente do SUS ou até de convênio não está sempre circulando no mesmo ambiente ou no mesmo médico. Ou os familiares não concordam com aquilo — diz.

Procurado, o Conselho Regional de Medicina em Santa Catarina (CRM-SC) também afirma que “ainda há muito o que fazer para ser um documento mais conhecido”, sem detalhar as ações.

Especialistas defendem testamento vital como um direito à dignidade do paciente até no momento da morte. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Especialistas defendem testamento vital como um direito à dignidade do paciente até no momento da morte. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Profissional ressalta a importância de alinhamento das vontades com a família
Mesma recomendação de compartilhar a decisão prévia com profissionais de confiança da medicina e do direito tem a advogada mineira Luciana Dadalto, que administra o site Testamento Vital. Nesse contato anterior ao registro do testamento vital, é possível ter conhecimento a respeito das técnicas comumente utilizadas em doenças terminais, bem como saber de que forma é possível elencá-las no documento, que é uma manifestação de livre vontade. A jurista que estuda a temática há uma década defende a participação da família nesse momento.

— Não existe um rol objetivo do que pode ser previsto. Em geral, o testamento vital pode conter aceitação ou recusa de cuidados, tratamentos e procedimentos para o fim da vida. Não é possível prever disposições contra a lei vigente como, por exemplo, pedido de eutanásia. Conversar antes evita que a família seja surpreendida pelo documento em um momento em que o paciente não tem mais condições de se manifestar — defende.

Nessa conversa, é interessante destacar o potencial dos procedimentos que podem ser adotados a partir do momento em que não há mais cura para uma enfermidade, conforme defende a médica Lauren Provin. A profissional, que atua no serviço de suporte oncológico e cuidados paliativos do Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina (Cepon), explica que essa abordagem dá conta de aliviar sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais. E os pacientes têm desejado comunicar desde o diagnóstico àquilo que desejam, que reflete em alívio da dor, controle de sintoma de estresse, atendimento de emergência e, principalmente, reafirmação da vida.

— A nossa sociedade pensa que vai morrer aos 90 anos lúcida e fazendo tudo o que faz hoje, mas não é verdade. Os estudos internacionais mostram que cada vez mais se morre com sintomas e mal atendimento. As pessoas estão pensando menos no conforto e na qualidade e mais em ter um dia a mais como for, e isso é assustador. É vida a qualquer custo — diz.

Debater o assunto em sala de aula pode contribuir para o esclarecimento em torno dos testamentos vitais. É o que almeja o professor do curso de medicina da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoeste), Élcio Bonamigo, que aplica um modelo experimental em disciplinas de bioética e ética médica na graduação e pós-graduação.

— Nas aulas, tanto os médicos, como os pacientes aceitam bem e atenderiam as vontades. Então essa mudança vai ser rápida. Agora, praticamente todos os alunos de direito, medicina e enfermagem já estão tendo esses conceitos dentro de seus estudos — projeta.

O DOCUMENTO
No testamento vital, os pacientes podem expressar de antemão a quais procedimentos não querem ser submetidos em uma eventual situação de terminalidade no futuro. Veja outros aspectos desse documento abaixo:

O que é?O documento lista as vontades da pessoa em relação aos tratamentos a que pode ou não ser submetida em caso de doença terminal, tais como cirurgias, ventilação mecânica, uso de medicamentos ou reanimação pós-parada cardíaca. Além de impossibilidade de sobrevida, também pode ser feito a fim de garantir o respeito à convicções religiosas, a exemplo dos testemunhas de Jeová, que não recebem transfusão de sangue.

Quem pode fazer?
Diferentemente do testamento comum, o testamento vital é feito em vida. Todas as pessoas com mais de 18 anos podem registrar, desde que ainda tenham condições de se expressar.

Quem garante o cumprimento?
A pessoa pode nomear um representante legal a fim de assegurar o cumprimento de suas intenções quando já não estiver mais bem. Nem mesmo o desejo da família pode prevalecer nesse caso.

Onde é registrado?
No prontuário do paciente, que tem validade legal, ou em cartório a custo médio de R$ 40 em SC.

Há alguma situação em que não haja validade?
Somente se o procedimento em questão infringir códigos de ética dos profissionais de saúde ou se for enxergado como uma possibilidade de cura.

É aplicado em instituições de saúde no país?
Além de pouca informação sobre o testamento vital, profissionais de saúde relatam insegurança jurídica por conta da ausência de uma legislação específica. Então, os poucos registros nem sempre são cumpridos. Atualmente, a resolução do CFM, editada em 2012, ampara somente os médicos.

Existe respaldo no mundo?
Nos Estados Unidos, o testamento vital tem valor legal desde 1970. Portugal aprovou o mesmo documento em 2011.

REGISTROS EM SANTA CATARINA
Desde a criação da resolução do Conselho Federal de Medicina, em 2012, somente 42 testamentos vitais foram registrados em cartórios do Estado. Veja a evolução a cada ano:

2012 – 5
2013 – 6
2014 – 4
2015 – 11
2016 – 8
2017* – 8
*Até outubro

Fonte: Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (CENSEC)

Link original: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/10/testamento-vital-que-garante-morte-digna-a-pacientes-terminais-ainda-e-pouco-utilizado-em-sc-9966749.html

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[JORNAL TORNADO] Cem anos depois das Revoluções (Portugal)


Assinalando os cem anos da aparição russa do estado soviético temos participado em vários debates em que o tema Religião na Rússia tem sido o mais animado.

Uma das conclusões desses debates é que a Igreja Ortodoxa local é preponderante entre muitas outras confissões presentes no território, sendo um muro a outras convicções e um limite numa desejável liberdade religiosa, muito difícil de encontrar ao longo da toda a História daquele país.

A segunda constatação é a de que a superstição é muito mais forte do que a religião e a prática religiosa na maior parte dos casos é mais uma manifestação dessa superstição do que uma crença coerente e regular. Finalmente, o Estado e a Religião, na Rússia, têm andado a par e passo, com muitos pontos de convergência e o braço de ferro entre ambos contradiz-se pela mão dada da cumplicidade.

Como Henrique VIII na velha Inglaterra do século XVI, parece mesmo que Putin gostava de liderar a religião, sendo o Patriarca reconhecido?

As notícias mais interessantes dos últimos tempos, prendem-se com a proibição do culto das Testemunhas de Jeová em território russo – e os comentadores dizem que se seguirá a perseguição aos Adventistas.

Em Maio último, outra notícia surpreendeu alguma opinião pública: Ruslan Sokolovsky, um jovem da região sul de Krasnodar foi investigado pelo seu comportamento alegadamente ofensivo para com os sentimentos dos ateus.

Até agora, a legislação que criminaliza os “crentes insultantes” e os “sentimentos religiosos” tinha sido usada para defender a poderosa e politicamente bem conetada Igreja Ortodoxa Russa e seus seguidores.

A Constituição da Rússia afirma que o país é um estado laico, mas a Lei do Parlamento russo (Duma) sobre a religião, datada de 1997, afirma que as quatro religiões tradicionais da Rússia são a Igreja Ortodoxa Russa, o Islão, o Budismo (principalmente lamaísta) e o Judaísmo, de modo que todos têm o direito de pregação e prática, podendo divulgar a sua religião em público e em privado.

As outras religiões devem executar procedimentos de registo e obedecer ao que a Lei lhes reservar. A Rússia, vista por alguns estrangeiros como um país de grande tradição e prática religiosa, é, no entanto, um dos países com o maior número de ateus e agnósticos no mundo. Em contrapartida, a religiosidade na Rússia é muito étnica, e a confissão religiosa é relacionada diretamente com os grupos étnicos.

A maioria de cristãos ortodoxos são eslavos, a maioria dos muçulmanos são turcos, a maioria dos budistas são mongóis (predominantemente seguidores do budismo mongol). Apenas os judeus representam um grupo étnico autónomo. Outros grupos religiosos na Rússia expressivos são os católicos romanos, os católicos russos, os protestantes, os neopagãos do leste europeu, os animistas, os Hare Krishnas e os Bahá’ís.

Fica a promessa de voltar a este tema.

Link original: http://www.jornaltornado.pt/cem-anos-das-revolucoes/

[Gazeta News] Scott assina lei que proíbe escolas de discriminar alunos por religião


Medida está em um pacote de 234 leis que entraram em vigência dia 1° e proíbe discriminação de alunos, pais ou funcionários por sua opção religiosa

Foto: USAG-Humphreys

Foto: USAG-Humphreys

Está em vigência desde o dia 1° de julho um pacote de novas leis. Foram 234 novos regulamentos aprovados – 125 dessas leis já estavam em vigor e foram revisadas – e incluem mudanças na área de educação, transporte, saúde, meio-ambiente, impostos, orçamento, dentre outros (Veja lista completa das novas leis). Mas uma das mais controversas diz respeito à educação. Trata-se da lei SB 436 “Florida Student and School Personnel Religious Liberties Act” (Lei de Liberdades Religiosas Pessoal Escolar da Flórida), que determina que alunos e professores terão permissão para expressar suas crenças religiosas nas escolas públicas.

Assinada em 9 de junho pelo governador Rick Scott, a lei visa proibir um distrito escolar de discriminar alunos, pais ou funcionários com base em pontos de vista ou expressão religiosa; proíbe penalidade ou recompensa pela expressão religiosa de um aluno em cursos, trabalhos de arte ou outras atribuições especificadas; e exige que um distrito escolar cumpra os requisitos federais referente ao Título VII da Lei de Direitos Civis de 1964, etc.

“É hora de parar de perseguir os alunos pelas suas crenças religiosas ao classificar as atribuições ou limitar os textos de leitura apenas porque eles podem conter material religioso”, disse Shawn Frost, presidente da conservadora Florida Coalition of School Board Members.

Para a guia de turismo brasileira Eliane Barros, de 55 anos que mora na Flórida há 20 anos, que matriculou as filhas em escolas públicas e hoje tem uma neta prestes a entrar para a escola, “as escolas não deveriam ter inclinação para nenhuma religião”. “Não gostaria que minha neta fosse obrigada, na escola, aprender sobre alguma religião”, destaca.

Para a paulista, mesmo sem religião, uma pessoa pode ser até melhor do que uma religiosa e, nas escolas, a religiosidade traz muita confusão para as crianças, como por exemplo, na época em que as filhas estudavam, sempre presenciava confusão nas comemorações de aniversários de Testemunhas de Jeová, ou durante o Halloween, que os evangélicos consideram como uma celebração diabólica. “Como você explica a uma criança que algo que ela comemora, para outra criança é ruim, negativo?”, questiona.

Conhecido na comunidade brasileira na Flórida, o pastor Silair Almeida, da PIBFlorida, menciona que a liberdade religiosa é um instrumento democrático forte e que a lei, de um modo geral, é um avanço para a sociedade. “A força dos Estados Unidos está na liberdade de expressão. Não podemos é deixar que um grupo ou segmento tente manipular esta liberdade. Cada ser humano tem o direito de expressar sua fé sem agredir a fé do seu vizinho”.

Para Silair, o principal é que tal prática esteja mesmo prevista em lei e seja regulamentada. “O que será permitido? O que não será tolerado? Grupos poderão usar alguma sala vazia para expressar a fé?”, questiona.

Link original: https://gazetanews.com/scott-assina-lei-que-proibe-escolas-de-discriminar-alunos-por-religiao/

[clicrbs] Juiz de SC defere liminar favorável a paciente que se negava a receber transfusão por convicção religiosa


Esta coluna foi produzida pela Redação do Diário Catarinense. O colunista Cacau Menezes está em férias e retorna a este espaço em agosto.

Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Em decisão recente, o juiz Marlon Negri, responsável pela comarca da Vara da Fazenda Pública de Jaraguá do Sul, deferiu uma liminar favorável a um paciente que se negava a receber transfusão de sangue por convicção religiosa. Negri determinou que o hospital da região faça a intervenção cirúrgica necessária, mas sem o procedimento negado pelo paciente.

Na sua decisão, o juiz lembrou que há decisão no mesmo sentido do Supremo Tribunal Federal (STF), onde um adepto das Testemunhas de Jeová também teve o direito garantido de não fazer transfusão.

Preparativos
Secretário da Segurança Pública, César Augusto Grubba, finaliza os detalhes para a cerimônia de inauguração do novo Centro Administrativo da Segurança Pública. Amanhã, Grubba coordena reunião com a comissão responsável pela organização do evento que acontece dia 8, às 10h, na nova sede na Avenida Ivo Silveira, 1521, em Capoeiras.

Mês da Advocacia
A OAB/SC prepara uma série de ações em todo o Estado para celebrar o mês da advocacia, em agosto. Em Florianópolis, merece destaque a realização do primeiro Curso de Iniciação à Advocacia, promovido pela comissão OAB Jovem. Serão três dias de curso com professores especialistas, que prometem orientar os novos colegas no planejamento para início da carreira.

Reforma trabalhista
O advogado Danilo Martelli Júnior acredita que o país poderá dar um salto significativo quando efetivamente entrar em vigor a reforma trabalhista, em novembro deste ano. Para ele, a reforma vai ao encontro de uma nova realidade de mercado, já que as relações de trabalho de hoje não são as mesmas de 1943. “Haverá mais flexibilidade na relação entre empregador e empregado. Acredito fortemente que a reforma, ainda que não seja perfeita, vai dar segurança jurídica aos contratos de trabalho para que a classe empresarial possa contratar mais e, assim, movimentar a economia”.

Incentivos fiscais
Projetos sociais, culturais e esportivos de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul poderão se beneficiar de recursos do BRDE com base em leis de incentivo fiscal. As inscrições podem ser feitas até 31 de outubro no site do banco. Os projetos devem estar aprovados para captação por meio de leis de incentivo, entre elas a Lei Rouanet, a Lei do Audiovisual, Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência.

Link original: http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/cacau-menezes/noticia/2017/07/juiz-de-sc-defere-liminar-favoravel-a-paciente-que-se-negava-a-receber-transfusao-por-conviccao-religiosa-9857122.html

[Gazeta do povo] O Estado deve pagar cirurgia fora do SUS por convicção religiosa?


Poder público foi condenado custear cirurgia não coberta pelo SUS para evitar transfusão de sangue em Testemunha de Jeová

A discussão sobre liberdade religiosa está chegando com força ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto o tribunal não decide se animais podem ser sacrificados em cultos religiosos e se as pessoas religiosas podem tirar foto cobrindo o rosto, mais um caso foi admitido pelo plenário depois de reconhecida a repercussão geral: deve o Estado custear um tratamento de saúde indisponível no SUS em razão das convicções religiosas do doente? O Recurso Extraordinário (RE) 979.742 chegou ao Supremo depois de União recorrer contra uma decisão que condenou o estado do Amazonas, o município de Manaus e a própria União a pagar, para um paciente Testemunha de Jeová, uma cirurgia que não envolve transfusão de sangue.

Para o ministro Luís Roberto Barroso, relator do recurso, “a questão constitucional em exame se restringe a definir se a liberdade de crença e consciência, prevista no art. 5º, inciso VI, da CF, pode justificar o custeio de tratamento médico indisponível na rede pública”. O ministro ponderou que uma política sanitária que desconsidere concepções minoritárias sobre o que é viver bem seria uma violação das liberdades constitucionais dessas minorias, mas, ao mesmo tempo, reconheceu que a alocação de recursos escassos para atender convicções religiosas colocaria em risco a concretização de outros direitos constitucionais:

[O caso] impõe a difícil ponderação do direito à vida e à saúde de uns contra o direito à vida e à saúde de outros. Nessa linha, exigir que o sistema de saúde absorva toda e qualquer pretensão individual, como se houvesse na Constituição o direito a um trunfo ilimitado, leva à ruína qualquer tentativa de estruturação de serviços públicos universais e igualitários”, ministro Luís Roberto Barroso

Discussão
No recurso contra o acórdão da Turma Recursal do Juizado Especial Federal do Amazonas e Roraima, que confirmou uma decisão de primeira instância, a União alegou que o custeio da cirurgia viola o princípio da isonomia, porque o “o acolhimento do pedido de custeio de tratamento médico criará uma preferência em relação aos demais pacientes”, e o princípio da razoabilidade, já que “qualquer procedimento cirúrgico pode ter complicações, exigindo a transfusão de sangue”.

Os juízes da turma, no entanto, enfatizaram que o procedimento cirúrgico chamado cirurgia de artroplastia total primária cerâmica sem transfusão é previsto pela medicina e que, “em sendo tecnicamente possível, o Poder Público deve garantir o direito à saúde de maneira compatível com as convicções religiosas do cidadão, uma vez que não basta garantir a sua sobrevivência, mas uma existência digna, com respeito às crenças de cada um, nos moldes do art. 1º, III, da Constituição Federal”.

Link original: http://www.gazetadopovo.com.br/justica/o-estado-deve-pagar-cirurgia-fora-do-sus-por-conviccao-religiosa-d8ftg9f4wkf1lupcbx6n69gy1

[Nações Unidas] Sob ocupação russa, Crimeia é palco de ‘múltiplas e graves’ violações de direitos, aponta ONU


Sob ocupação russa, a região da Crimeia virou palco de “múltiplas e graves” violações de direitos humanos. É a conclusão de um relatório publicado nesta semana (25) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Detenções arbitrárias, desaparecimento forçado, maus-tratos, tortura e pelo menos uma morte extrajudicial estão entre os crimes documentados.

Hospital destruído por bombardeiros em Sloviansk, Ucrânia. País foi levado a conflito com forças separatistas em 2014. Tensões recrudesceram após ocupação da Crimeia e realização de referendo ilegítimo que transferiu território para o controle da Rússia. Foto: UNICEF Ucrânia/Pavel Zmey

Hospital destruído por bombardeiros em Sloviansk, Ucrânia. País foi levado a conflito com forças separatistas em 2014. Tensões recrudesceram após ocupação da Crimeia e realização de referendo ilegítimo que transferiu território para o controle da Rússia. Foto: UNICEF Ucrânia/Pavel Zmey

Sob ocupação russa, a região da Crimeia virou palco de “múltiplas e graves” violações de direitos humanos. É a conclusão de um relatório publicado nesta semana (25) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Detenções arbitrárias, desaparecimento forçado, maus-tratos, tortura e pelo menos uma morte extrajudicial estão entre os crimes documentados.

Dezenas de milhares de pessoas sofreram as consequências da imposição da cidadania russa, sobretudo três grupos principais — os que rejeitaram o novo status de nacionalidade, os servidores públicos que tiveram de renunciar a cidadania ucraniana ou perder seus empregos e moradores da Crimeia que não cumpriram os requisitos legais para obter a cidadania russa e se tornaram estrangeiros.

“Pessoas com uma autorização de residência, mas que não têm cidadania russa não gozam de igualdade perante a lei e estão privadas de direitos importantes”, aponta o relatório. “Elas não podem ter terras para a agricultura, votar e ser eleitos, registrar uma comunidade religiosa, solicitar uma audiência pública, ocupar cargos na administração pública e fazer um novo registro de seu veículo particular na península.”

Somando-se às críticas feitas pelo levantamento, o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou que a imposição de cidadania a habitantes de um território ocupado “pode ser equiparada a obrigá-los a jurar aliança a um poder que eles talvez considerem como hostil, o que é proibido de acordo com a Quarta Convenção de Genebra.”

Detenções violam direito internacional
O relatório do ACNUDH lembra ainda que centenas de presos e detentos que aguardavam julgamento foram transferidos para a Rússia, embora a prática seja estritamente proibida pelo direito humanitário internacional. Entre os prisioneiros, estava o cineasta ucraniano Oleh Sientsov, detido em Simferopol, em maio de 2014, e transferido no mesmo mês para um cárcere na Sibéria. Alguns dos detentos foram vítimas de maus-tratos e pelo menos três morreram após não receberem os cuidados médicos de que precisavam.

Desrespeitando suas obrigações enquanto poder ocupante, a Rússia substituiu a legislação ucraniana em vigor na Crimeia pelas leis russas. O resultado, aponta o documento, foi a implementação de diretivas que restringiram o direito à liberdade e segurança da pessoa, bem como os espaços para as liberdades fundamentais. Os mais afetados foram os opositores do referendo de março de 2014 e outros críticos, como ativistas e jornalistas.

“Juízes aplicaram disposições do direito penal russo para uma ampla variedade de reuniões pacíficas, discursos e atividades e, em alguns casos, retroativamente, para eventos que precederam a ocupação temporária da Crimeia ou que ocorreram fora da península, na Ucrânia continental”, denuncia o relatório.

O documento cita ainda casos emblemáticos, incluindo o fechamento de veículos de comunicação da Crimeia e da Ucrânia, a criminalização das 22 congregações de Testemunhas de Jeová da região e acusações contra indivíduos que teriam sido acusados de organizar “piquetes de apenas uma pessoa”.

“O Judiciário falhou em manter o Estado de Direito e em exercer a administração adequada da Justiça. Há uma necessidade urgente por responsabilização para as violações de direitos humanos e abusos e por reparações para as vítimas”, criticou Zeid.

O relatório do ACNUDH apresenta 20 recomendações para a promoção dos direitos humanos na Crimeia. Entre as orientações, está a cobrança por investigações eficazes de ocorrências suspeitas de tortura, sequestro e assassinatos envolvendo as forças de segurança e entidades de autodefesa da Crimeia.

Embora tenho tido acesso negado ao território da Crimeia, a equipe do ACNUDH na Ucrânia elaborou o relatório a partir de investigações e entrevistas conduzidas próximo à fronteira com a região. Os fatos descritos são alegações de abusos de direitos humanos. Acesse a publicação clicando aqui.

Link original: https://nacoesunidas.org/sob-ocupacao-russa-crimeia-e-palco-de-multiplas-e-graves-violacoes-de-direitos-aponta-onu/

[newsweek] Família de testemunhas de Jeová na Rússia recebem prêmio de Putin, Reacende esperança para um recurso de não banimento(Inglês)


Apenas seis semanas depois que o Supremo Tribunal da Rússia proibiu a prática de sua religião, duas Testemunhas de Jeová receberam um prêmio parental pelo presidente russo, Vladimir Putin. O movimento surpreendente alimentou a esperança de que o tribunal pudesse revogar a decisão de que a denominação cristã constituía um grupo “extremista” quando um aviso de recurso foi anunciado no sábado.

“Nós consideramos este prêmio como um reconhecimento de que a educação bíblica gratuita fornecida pelas Testemunhas de Jeová ajuda os pais e seus filhos a serem cidadãos produtivos não só na Rússia, mas em todo o mundo”, David A. Semonian, porta-voz das Testemunhas de Jeová em seu mundo Sede em Nova York, disse em um comunicado na semana passada. “Esperamos que este prêmio apresentado pelo presidente Putin seja considerado em 17 de julho de 2017, quando o Supremo Tribunal da Rússia analisa a decisão de liquidar o Centro Administrativo das Testemunhas de Jeová na Rússia”.

Valeriy e Tatiana Novik, da Carélia no noroeste da Rússia, receberam a Ordem de “Glória Parental”, concedida anualmente aos pais que consideram que criaram sete ou mais filhos com “o devido cuidado para a saúde, a educação e o desenvolvimento físico, espiritual E desenvolvimento moral “. Os Noviks, que tiveram oito filhos, foram um dos oito casais que receberam o prêmio em uma cerimônia em 31 de maio.

“Famílias como a sua, grandes e cheias de amor parental generoso, incorporam tradições seculares de empatia e bondade, demonstram através do seu exemplo que não há obstáculos diante do desejo de agir de forma construtiva e fazer o bem e oferecer faróis para aqueles que se refletem sozinhos Escolha da futura estrada “, disse Putin na cerimônia.

Foi em 20 de abril que a Suprema Corte da Rússia proibiu as Testemunhas de Jeová sob a lei anti-extremista do país, liquidando todos os 395 dos seus capítulos religiosos locais e impedindo seus 175 mil membros de participar de reuniões de adoração. No tempo desde então, as Testemunhas de Jeová enfrentaram o assédio da polícia e ataques violentos do público.

Testemunhas de Jeová, a Rússia, as Testemunhas de Jeová cantam em uma reunião na Rússia. Duas Testemunhas de Jeová receberam recentemente um prestigioso prêmio para pais, apesar de o grupo ser considerado “extremista”. Cortesia das Testemunhas de Jeová

As Testemunhas de Jeová cantam em uma reunião na Rússia. Duas Testemunhas de Jeová receberam recentemente um prestigioso prêmio para pais, apesar de o grupo ser considerado

As Testemunhas de Jeová cantam em uma reunião na Rússia. Duas Testemunhas de Jeová receberam recentemente um prestigioso prêmio para pais, apesar de o grupo ser considerado “extremista”. (Cortesia das Testemunhas de Jeová)

Antes da entrega do prêmio parental, uma Testemunha de Jeová do Danista foi presa na cidade russa de Oryol por participar de uma reunião privada do grupo. Ele agora enfrenta até 10 anos de prisão.

A decisão de proibir as Testemunhas de Jeová, de acordo com o porta-voz do grupo, Yaroslav Sivulskiy, não chegou à evidência ouvida ou à vontade do tribunal, mas à política.

“Não é este tribunal, não se trata de justiça, não se trata de uma audiência justa, porque mesmo todos os que observaram isso disseram que já ganhamos, mas mesmo assim perdemos”, disse Sivulskiy à Newsweek no mês passado. “Não temos grandes esperanças para o próximo nível, apenas se algum vento político mudar de alguma forma”.

A religião dos Noviks não foi criada no relatório do Kremlin sobre o prêmio – nem, segundo os pais, foi abordado em sua discussão com Putin.

“Não houve muito tempo”, disse Valeriy Novik, um mecânico, ao serviço russo da Radio Liberty esta semana. “Você não podia dizer tudo. E eu queria tratar o chefe de Estado respeitosamente. Um líder é um líder e devemos respeitar isso. Você não expressa seus problemas, suas queixas para ele “.

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